Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Denncias, SIC e PGR

11 de Novembro, 2019
Certa vez, sem receio de punição, a demonstrar que tinha algum trunfo na manga para provar, o então presidente de direcção do Recreativo do Libolo, Rui Campos, chegou a acusar que os árbitros indicados pelo Conselho Central de Árbitros da Federação Angolana de Futebol manipulavam os jogos e resultados da equipa de Calulu, no sentido de, na altura, impedir a revalidação do título.
A equipa, é bom recordar, já tinha conquistado dois campeonatos. E não era a primeira vez que fazia acusação do género: Rui Campos, semanas antes, queixara já de um jogo em que a arbitragem estava a cargo de Paulo Talaya e em que o Libolo perdera diante do Petro de Luanda, por 1-0.
Rui Campos já tinha acusado directamente o árbitro Pedro dos Santos, após o jogo frente ao Kabuscorp do Palanca, onde a sua equipa perdera, por 1-0, por, alegadamente, ter facilitado o adversário, ante o olhar dos responsáveis da federação.
A FAF reuniu a direcção. Analisou as declarações de Rui Campos. Mas - estou recordado como hoje - nada transpirou do acto. Soube-se, apenas, que uma decisão definitiva sairia do Conselho de Disciplina, mas, também me recordo, este órgão já havia suspendido o mesmo Rui Campos, por dois meses de castigo, devido às insinuações (não provadas) que fizera contra o mesmo árbitro Pedro dos Santos.
Significa que, na verdade, a questão das arbitragens polémicas no Girabola não são de hoje. Por exemplo, está nos meus arquivos que, em 1997, o então árbitro Armando Chicoca, do Namibe, chegou a apresentar provas evidentes, em como estava a ser corrompido por várias equipas, mostrando papeis, cifrões, etc., mas, paradoxalmente, ele acabou punido, devido à denúncia que fez.
Em 2002, naquele que foi conhecido por \"escândalo da arbitragem no futebol\", os meus colegas jornalistas Policarpo da Rosa, Fontes Pereira, Béu Pombal e Pedro Augusto, todos do Jornal dos Desportos, publicaram evidências de corrupção ocorrida na véspera do jogo entre o Atlético Sport Aviação (ASA) e o Petro-Atlético de Luanda, referente à 18ª jornada do Girabola, ajuizado pelo já falecido e respeitado internacional Eugénio Colembi, da província do Huambo, mas acabaram condenados por alegadas falta de provas.
Havendo provas ou suspeitas, o certo, também, é que nos últimos anos, e naquela que pelo menos foi a sua grande entrevista, concedida à Rádio Cinco, que este semanário até chegou a retomar, o antigo presidente da Federação Angolana de Futebol, Pedro Neto, tocou no assunto.
\"Acho que a nossa arbitragem e os árbitros não são uma excepção no mundo. São homens, são falíveis também. Tive a oportunidade de dizer num fórum, que os clubes se preocupam mais em marcar golos e a justificar a falta desses com o trabalho dos árbitros. Embora, não esteja a defender, a nossa arbitragem deixa muito a desejar, porque, às vezes, se fazem actuações de bradar aos céus\", chegou a dizer o referido presidente.
\"Eu não posso ajuizar a postura deles (árbitros), ajuízo os efeitos para o nosso futebol. Eles, como árbitros, não são figuras à parte. O que estamos a fazer é alimentar os maus comportamentos\", disse igualmente, e depois, colocou a seguintes questão no ar:
\"Quantas vezes se apita mal e não se alardeia os maus árbitros?\". E ainda acrescentou, \"já propusemos para os clubes depositarem os dinheiros, para depois ser a FAF a fazer o que fazem, mas não cumpriram. É um assunto que vamos continuar a dar tratamento. Uma solução seria buscar um patrocínio exclusivo por causa da arbitragem, mas isso não eliminaria de certeza as suspeitas\".
Estamos hoje em 2019, olho para atrás e constato que o único facto evidente em termos de punição registou-se em 2013. O Conselho de Disciplina da FAFpuniu o árbitro Francisco Mazale.
Foi suspenso das suas actividades por um período de três meses, devido a erros cometidos no desafio entre o Kabuscorp do Palanca e Santos FC, em jogo pontuável para a 14ª jornada do Girabola, em que o Kabuscorp venceu o Santos FC, por 3-2. O mais grave aconteceu com a juíza Maximiliana Bernardo suspenda em 2017. Dois anos de supensão.
As recorrentes denúncias de corrupção na arbitragem nacional, sobretudo, as reacções dos próprios árbitros, devido aos incumprimentos financeiros dos clubes, estão a deixar a arbitragem angolana numa espécie da \"fogo cruzado\", a que a Justiça e os agentes do futebol não conseguem, para já, dar solução.
Passaram-se anos desde as graves e polémica revelações feitas pelo presidente de direcção do Recreativo da Caála, Horácio Mosquito. Portanto, se agregado àquela grande \"maka\" levantada por Rui Campos, hoje não se sabe se a FAF levou a peito, mesmo sabendo que a corrupção é um crime público. Temos de ver outras instituições a agir.
O Serviço de Investigação Criminal e a Procuradoria Geral da República podem dar luta !
ANTÓNIO FELIX

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