Jornal dos Desportos

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Opinio

Depois da festa urge repensar o nosso futebol

19 de Julho, 2018
Terminou o evento mais mediático do planeta, o mundial de futebol Rússia' 2018 que capitalizou as atenções nos últimos trinta dias. A supremacia do futebol mundial continua a residir na Europa, depois da Espanha (2010), Alemanha (2014), a França voltou a vencer a competição. As estrelas mais cintilantes não brilharam, Cristiano Ronaldo e Messi deixaram a prova sem honra nem glória.
A Mannschaft caiu com estrondo na fase de grupos, com derrotas frente ao México e Coreia do Sul, e apenas um triunfo, no limite, perante a Suécia. A Alemanha chegou ao Mundial deste ano com um futebol um pouco fora de prazo, já ultrapassado. Com uma herança cada vez mais diluída e todo um país a reivindicar outro tipo de jogo, o falhanço surge como fim de ciclo, não de jogadores, mas da ideia.
A selecção da Argentina chegou à Rússia, com uma ambição de um treinador de topo, Jorge Sampaoli, e claro no talento individual de alguns jogadores, com Lionel Messi no topo da pirâmide. No entanto, o terceiro técnico desde o início da campanha de apuramento não trouxe união, não impôs as suas ideias e foi foco de ainda maior confusão, isolando Messi num papel que, dificilmente, seria capaz de cumprir sozinho.
Também a Espanha foi derrubada no primeiro embate a eliminar, já no desempate por penáltis, frente à anfitriã Rússia. A Espanha, apresentou-se assente em ideias antigas, ainda mais fora de prazo. Mais de mil passes errados frente à Rússia e muito pouca presença na área, ditaram a eliminação precoce.
Portugal, campeão europeu, não teria, provavelmente, futebol para mais. A um posicionamento muito defensivo, somou-se um futebol desligado, desapoiado, sem capacidade de chegar à área contrária e finalizar.
Didier Deschamps ergueu o troféu há 20 anos, em Paris, como jogador e neste domingo, em Moscovo, como treinador. O actual seleccionador gaulês esteve nos dois momentos altos da França, que se sagrou bicampeã mundial de futebol e festejou sob um súbito dilúvio.
Não houve uma única selecção que não tivesse dado tudo e mais alguma coisa para ganhar. Todas as batalhas foram verdadeiras. As selecções dos países mais pequenos e menos experientes, mostraram que merecem ser levadas a sério pelas selecções dos países grandes e mais experientes, que aprenderam esta lição da mais dura maneira: sendo eliminadas.
Vem aí uma nova geração de jogadores, que estarão na ribalta nos próximos dez anos, destaque para Kylian Mbappé, 19 anos, que foi eleito pela FIFA o melhor jogador jovem do Mundial 2018, depois de ter ajudado a França a conquistar o troféu.
E nós mwangolês, bons de boca, agora vamos ao reboque das outras selecções africanas, que dignificaram o continente na Rússia. Trabalho para mudar o quadro do futebol
doméstico zero, ninguém muge nem tuge. A nacionalização de jogadores por si só, não vai mudar o cenário, continuaremos com remendos que servem apenas para satisfação de apetites e egos da mesmice, repletos de incompetência e arrogância. Assim, nem em 2030 chegaremos lá! Luís Caetano , TPA

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