Jornal dos Desportos

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Opinio

Depois da tempestade vem a abonana

25 de Abril, 2019
A medida que os anos vão passando, é cada vez mais evidente que para tudo há um tempo determinado. Sim, há tempo para chorar e tempo para rir, tempo para plantar e tempo para colher….e assim por diante.
Depois da independência nacional, o futebol angolano conheceu três momentos significativos. O primeiro composto por jogadores bem dotados técnica e fisicamente vindos da canteira de vários clubes oficiais e de bairros da era colonial.
Deste grupo, podemos destacar jogadores como Ângelo da Silva, Napoleão Brandão, Manecas, Sabino, Geovety, João Machado, Arménio, Chiby, Alves, Jesus, Lourenço, Pedro Garcia, Quim, Silva, Samuel, Ndunguidi, Chico Afonso, Maria, Mateus César, Chuimalanga, Luís Cão, Eduardo André e outros.
Foi com este grupo de jogadores, que o governo angolano, saído da independência em 1975, formou a sua primeira selecção nacional em 1976 e, posteriormente, fez disputar o primeiro campeonato nacional de futebol em 1979.
Esta geração começou a “desaparecer” dos palcos, por volta de 1985 a meados dos anos 90, e pode ser considerada a geração da técnica e do futebol alegre, da ginga. Ninguém perdia um 1º de Agosto – Progresso do Sambizanga ou mesmo um Grupo Desportivo da TAAG – Nacional de Benguela, e vice versa.
Nos períodos em referência, quase todos os estádios ficavam lotados em jogos do Girabola, pois em cada clube havia dois ou mais artistas da bola, que faziam vibrar as multidões. Jogadores talentosos como Ndunguidi, Mendinho, Jesus, Alves, Silva, Arménio, Vicy, Santinho, Lufemba, Sarmento e outros, eram sinónimos de verdadeiros espectáculos e ninguém queria perder.
O segundo momento, pode ser considerado que foi protagonizado por jogadores como Marito, Zé Gordo, Orlando, Kissi, Betinho, Assis, Flávio, Mendonça, Mantorras, Barbosa, Zecalanga, Zacarias, Paulão, Neto, Hélder Vicente, Akwá, Luizinho, Quinzinho, Minhonha, Castela e tantos outros.
Com esta geração de jogadores, que eram ligeiramente inferiores a primeira, em termos técnicos e físicos, demos o nosso primeiro grande passo: pela primeira vez atingimos a fase final de um CAN, em 1996, na África do Sul.
Com a inclusão de João Ricardo, Locó, Jamba, Mateus Galiano, Titi Buengo, Marcos Airosa, Figueiredo, Edson Nobre, Delgado, Love Cabungula e outros, dez anos depois Angola chegou ao seu primeiro Mundial na Alemanha em 2006. Esta selecção é considerada como a geração de ouro.
Vale recordar que, em 2001, a selecção nacional de sub-20 com jogadores como Marito, Loló, Mantorras, Mendonça, Rasca, Miloy e outros, ganhou o seu primeiro CAN e, pela primeira vez, o futebol angolano exibiu-se num palco Mundial, na Argentina. Antes, a selecção de honras ganhou a sua primeira Taça COSAFA em 1999, voltando a ganhar em 2001 e em 2004.
Entretanto, depois da ida ao Mundial de 2006, o futebol angolano regrediu assustadoramente. Oliveira Gonçalves, que era tido como o grande pai do nosso futebol, por ter levado Angola a dois Mundiais (Sub-20 e honras), pela primeira vez e não só, foi o primeiro a ser sacrificado. De herói passou a vilão e saiu pelas portas do fundo.
De 2008 á 2017, a família do futebol angolano, de forma errada, esteve a procura do culpado da queda do nosso futebol. Para o efeito, em cerca de nove anos, a FAF recorreu a sete treinadores para recuperar o fôlego e continuar a caminhada rumo ao progresso.
Finalmente, entre 2017 á 2019, descobriu-se o verdadeiro motivo da queda do nosso futebol e começamos a colocar os “traços nos tês e os pontos nos ís”, porque percebemos que, até certo ponto, havíamos colocado a carroça a frente dos bois.
A mentalidade que se havia apossado da maior parte dos dirigentes do nosso futebol, de que o mais importante era ser servido e não servir, e por isso o imediatismo era o caminho mais viável para conseguir os seus intentos, foi unanimemente eliminada sem guerra e vexame para ninguém.
Assim, o futebol angolano está a ganhar com isso. As correcções efectuadas, na forma de encarar e gerir o futebol, estão a dar os seus frutos. O 1º de Agosto pode ser considerado o clube, que deu inicio a essa grande batalha e os resultados estão a vista de todos. Regressou aos títulos, pela primeira vez chegou as meias-finais da Liga dos Campeões e, até ao momento, faz parte do top cinco das equipas de África.
Assim, com o seu exemplo, o D’Agosto contagiou os demais fazedores do futebol nacional e, hoje, praticamente a família do futebol angolano está reconciliada. Com que resultados? Angola regressou ao CAN e, mais uma vez, o futebol jovem, agora em sub-17 , dá o exemplo, ao estar entre as melhores selecções do Mundo. Esta, deve ser a nossa grande meta.
Sim, jogadores, como Tony Cabaça, Landu, Herenilson, Gelson, Fredy, Isaque, Geraldo, Tó Carneiro, Vá, Ary Papel, Carlinhos, e outros, que têm participado nesta mudança de paradigma, fazem parte dos protagonistas do terceiro momento do nosso futebol. Bem-haja! Augusto Fernandes

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