Jornal dos Desportos

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Opinio

Drbi nacional

06 de Abril, 2017
No próximo sábado, 8 de Abril, vai-se jogar o dérbi, ou seja, o jogo dos jogos do Girabola. Sim, todos os anos o trumuno entre o 1º de Agosto e o Petro de Luanda mexe com todos os amantes do futebol nacional. Por que o jogo envolvendo estes dois emblemas, não só em futebol como em todas as modalidades é sinonimo de rivalidade, de luta, e tudo que seja possível acontecer num dérbi ou clássico?

Para entendermos o porquê da questão acima levantada, temos de recuar para os anos oitenta. A primeira vez que ambas as equipas jogaram para o Girabola foi em 1981, altura em que os petrolíferos ascenderam ao Campeonato Nacional. No primeiro jogo entre as duas equipas houve um empate a zero bola e no segundo os militares venceram por uma bola a zero. Na época, no 1ºde Agosto despontavam nomes como Napoleão Brandão, Lourenço, Ndunguidi, Alves, Zeca, Amândio, Mesquita, Tandu, Nsuka, e outros.

Pelos tricolores, o destaque ia para jogadores como Cuba, To Zé, Macueria, Haia, Nsumbo, Moreno, Jesus, Lufemba, Laika, Bodú e outros. Entretanto as grandes equipas da época além do 1º de Agosto, eram o Nacional de Benguela, 1º vice-campeão do Girabola, em 1979, com jogadores como Pinto Leite, Silva, Quim , Samuel, Rasgado Banchimol e companhia.

Além do Nacional, havia o Mambroa do Huambo, com Carnaval, Maria, Lutucuta, Firmino e outros, os Construtores do Uíge com Vicy e companhia e o Desportivo da Chela, com Zé do Pau, Basílio, Lucas, Mário Braz e outros. Depois de ter conquistado os três primeiros campeonatos de 1979 a 1981, um período em que os militares eram os super poderosos do futebol nacional, e pelo facto ganhou o estatuto que hoje ostenta e tem de defender, em 1982 o Petro de Luanda viria a destronar os militares do podium.

Este foi o primeiro motivo de rivalidade entre ambos os clubes. No entanto, o 1º de Maio viria a conquistar o Girabola de 1983. Este facto minimizou a proeza dos petrolíferos. Se a memoria não me atraiçoa, em 1984 aconteceu um dos grandes motivos da rivalidade entre ambos os clubes: a histórica goleada do Petro de Luanda sobre os militares por 6 - 2 em pleno Estádio da Cidadela.

Naquela memorável partida Jesus, que dias antes do jogo havia dito que tinha sede de golos, viria a marcar cinco dos seis com que o Petro de Luanda vulgarizou o 1º de Agosto. Foi um duro golpe para os militares que na época já era o clube mais popular do país.
Houve choros e lamentos por todos os cantos do país. Ninguém quis acreditar.

Em função do peso da idade de alguns jogadores militares como Napoleão Brandão, Lourenço, Ndunguidi, Zeca, Mesquita, Tandu, Zomi e outros, aquele dia marcou o fim daquela geração vitoriosa e que deu a grandeza que o 1ºde Agosto hoje ostenta no mosaico futebolístico nacional e não só.

Daquele dia em diante o país viu o nascer de uma nova potência do futebol angolano chamado Petro Atlético de Luanda, que reinou de 1984 a 1989, com jogadores como Chico Afonso, Antoninho, Lúcio, Nejó, Abel Campos, Nelo Bumba e outros. O 1º de Agosto voltou a equilibrar a balança em 1990 quando ganhou o quarto dos seus dez títulos.

Além daquela celebre vitória por 6 – 2 o Petro viria a dar uma nova \"surra\" aos militares em 1986, com goleada por 6 – 0. Portanto, o facto de o Petro de Luanda os ter destronado e as duas goleadas acima referenciadas constituem os grandes motivos da rivalidade entre ambos.

A maior vitoria do 1º de Agosto sobre o Petro de Luanda foi de 4 - 1 na década de noventa. Entretanto de 2012 a 2016, os militares dominaram os confrontos entre ambos permitindo apenas uma vitória do seu rival na última jornada do Girabola de 2016. Nos demais confrontos só deu vitorias para os militares e empates.

Será desta vez que os militares começarão a tão esperada vingança? O país terá o privilegio de assistir ao dérbi numero 72 em 36 anos, em que o Petro ganhou 15 campeonatos e tem mais de vinte e cinco vitorias sobre os rubro-negros.

As duas equipas têm duas derrotas no campeonato e estão separadas por apenas um ponto, ou seja, o 1º de Agosto tem 19 e o Petro 18 pontos. Um dos grandes \"handicapes\" dos militares é a finalização, pois, em cerca de 20 oportunidades claras de golos marcam apenas um.

Do lado Petrolífero, parece-me que alguns jogadores não estão entrosados ou lhes falta confiança. Mas têm uma grande arma: um treinador muito participativo que está sempre por cima dos jogadores dando orientação como que os conduzindo pela mão.

Pelo que as duas equipas têm estado a produzir até à entrada da nona jornada do presente campeonato, o empate parece-me ser o resultado mais provável. Mas a magia de jogadores como miúdo Nelson do 1º de Agosto e Tiago Azulão pelos tricolores podem decidir o desafio.
Augusto Fernandes

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