Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Derrota frustra adeptos

14 de Novembro, 2019
O público correspondeu de forma positiva a chamada para estarem presente no Estádio 11 de Novembro. Nem a hora do jogo e muito menos a chuva que caiu em alguns bairros de Luanda inibiu a vontade de transmitirem o calor a sua selecção. Humilhados pelo resultado, mas consciente pelo dever cumprido os adeptos mereciam prenda melhor.
Não eram muitos, mas o suficiente para contribuírem para o arranque com pé direito, que infelizmente não aconteceu. Ansiedade em campo, a dada altura terá pesado para a derrota inesperada que abalou a todos aqueles que testemunharam ao vivo e não só a este descalabro.
A romaria começou muito cedo. Por volta das 16H00 se registava já um certo movimento na catedral do futebol nacional. A vontade de testemunharem o arranque positivo na caminhada rumo aos Camarões 2021 falou mais alto.
Nem a hora do jogo, pouco comum nestas paragens, influenciou na determinação e a vontade dos luandenses em representação do país de marcarem presença no recinto do jogo. Vestidos com as cores nacionais e com utensílios barulhentos, o sentimento patriótico suplantou todas as adversidades.
A palavra de ordem era, primeiro apoiar a nossa selecção rumo a vitória e depois pensar no resto. E este resto era, como regressar à casa sem transporte e com todos os riscos que podiam advir daí. Mas como estávamos na ressaca das comemorações do 44ª aniversário da independência nacional, todo o esforço era pouco para uma causa justa.
Os Palancas Negras começaram a sentir o calor e o carinho que os angolanos nutrem pela sua selecção logo à partida para o estádio. Por volta das 17H45\', a saída do Hotel Samba, onde está hospedado, um grupo de adeptos despediram os bravos rapazes com sorriso de esperança e fé, desejando boa viagem.
Ao longo do percurso Samba, Benfica e na Rua Fidel de Castro o autocarro que transportava a Selecção Nacional era acenado pelos transeuntes e aqueles que encontravam-se no interior das suas viaturas, numa clara demonstração de solidariedade.
E como promessa é dívida, a polícia cumpriu com aquilo que são as suas responsabilidades. As vias de acesso ao 11 de Novembro estavam asseguradas pelas forças da ordem, advertindo os amigos do alheio e transmitir a tranquilidade aos adeptos.
No interior do estádio, engalanado com as cores nacionais, as luzes artificiais deram outro brilho ao recinto. Ficou uma vez mais patente que jogar no período nocturno só tem um senão, exige maior segurança, porque em termos de cor e vida, é realmente outra coisa. E este cenário ficou patente ontem.
Com um início de jogo frenético, o golo de Wilson Eduardo, logo no segundo minuto, foi a prenda que os angolanos esperavam. Na resposta, os gambianos num espaço de quinze minutos fizeram dois golos, que pensava-se, que não retiraria a crença e a confiança. Os atletas ainda acreditaram, mas o destino estava traçado e ainda sofreram mais um no culminar da partida.
No final os adeptos vaiaram a selecção e cabisbaixo abandonaram o estádio inconformado com o resultado. O sacrifício em prol de uma causa justa de deixarem o seu conforto familiar ou o ambiente entre amigos, para testemunharem o jogo no estádio não foi compensado. Ainda assim, valeu a pena para uma causa justa.

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