Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Derrota futebolstica!

08 de Fevereiro, 2018
Em questões que arrastem multidões, e com impacto de interesse colectivo público, desaconselha-se a postura de cinismo. A aridez deste sentimento, o cinismo por si só transporta uma carga negativa e não abona a que as janelas do diálogo se abram com naturalidade, para o que é a sua missão: deixar que as desinteligências sejam resolvidas com minudência urbanidade.
Por exemplo, o diálogo encontra – ou faltou no devido tempo - dificuldades para iluminar as janelas de duas \"enormíssimas\" instituições do país: a FAF – Federação Angolana de Futebol e o Clube Desportivo 1º de Agosto.
No centro da polémica está a suspensão por 70 dias, de seis jogadores do clube \"rubro -negro\", por supostamente se recusarem – por razões até agora não bem explicadas – a vestirem as cores do combinado nacional. Perante este cenário, com castigo à moda da \"doutrina de padrasto\", urge questionar: A direcção da FAF agiu de boa-fé, na aplicação da pena? A direcção do glorioso terá perdido o sentido patriótico?
A lógica do dia-a-dia é clara, a dar respostas a estes questionamentos: dialogar sem cinismo, com alma sã, fazer o impossível em busca de consensos, quando se há interesses das partes dialogantes, é o caminho. Nenhuma das partes pode sair penalizada na defesa dos projectos traçados.
O discurso de força abraçado pela FAF, de colocar em causa o “sentido patriótico” do clube afecto às Forças Armadas Angolanas, pode ter provocado que as janelas do diálogo se fechassem, que deixou o órgão reitor do futebol nacional numa posição negra, por falta de habilidade em convencer o afiliado de doutíssimos argumentos.
É que a direcção da FAF, ao punir com 70 dias, seis jogadores da equipa que vai representar o país nas Afrotaças, corre o risco de incorrer num crime \"doloso\", por uma fraca e desconseguida prestação do 1º de Agosto na competição e de prejuízo à imagem futebolística, que há anos procura sair do abismo no “Ranking” da CAF e da FIFA. Se é que há estes interesses para se inverter à baliza - das -derrotas.
Todavia, é compreensível a posição da FAF, a mostrar autoridade e transmitir aos clubes que ninguém está acima da lei, mas a medida pode ser vista como um \"inútil\" argumento para esconder as fissuras de um edifício sem janelas, que com o castigo aplicado pode beliscar a participação do clube militar nas Afrotaças.
Se o braço - de -ferro persistir, até ao dia da estreia \"rubro - negra\" na competição africana, pode dessacralizar a honra da pátria futebolística que nos últimos meses está com um ar incomparavelmente mais respirável, desde que João Lourenço assumiu o leme do país.
Todavia, muitos são os agentes -públicos – desportivo - que insistem em actuar em posição de fora - de -linhas, por cinismo, desconhecimento, vaidade, animosidade ou defesa de interesses opacos, a prejudicar todo um equilíbrio social que a força do desporto, no caso, o futebol que tem para as grandes paixões humanas. É e será fatal espicaçar o 1º de Agosto – enquanto representante de Angola nas Afrotaças – por uma medida que (pode ser reanalisada e invertida) pode ter exclusiva e simplesmente, um derrotado: o nosso futebol!
MIGUEL ÂNGELO *

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