Jornal dos Desportos

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Opinio

Desafios de Bianchi nos Palancas

16 de Março, 2017
O hispano-brasileiro Beto Bianchi, treinador do Petro Atlético de Luanda, foi o escolhido pela Federação Angola de Futebol (FAF) para também conduzir os destinos da Selecção Nacional de Futebol, os Palancas Negras.

A residir em Angola há mais de dois anos, Bianchi deu mostras de que é um homem capaz, que entende bem de futebol e por isso, as suas credenciais não deixam dúvidas de que tem competência para ocupar tão prestigiado cargo.

No seu clube, Bianchi chegou como um piloto ideal para a máquina certa, pois o homem encontrou material humano bem formatado, e aos poucos está a lapidar ou a limar algumas arestas, para fazer dos bravos rapazes uns autênticos guerreiros do futebol.

Quer este diário, como outros órgãos de informação desportiva do país, acompanharam de perto a formação de jogadores, como Carlinhos, Manguxi, Diógenes, Mateus, Gerson e outros, e foram unânimes em apontá-los como estrelas do amanhã.

Hoje, podemos dizer sem equívocos, que a nossa visão não foi míope, cerca de 80 por cento dos jogadores que compõem a equipa principal dos tricolores da capital fazem parte dessa geração, e têm demonstrado que com um treinador inteligente são como o barro em mãos de um oleiro.

Entretanto, se no seu clube, Bianchi teve a felicidade de encontrar material humano à altura das suas pretensões, o mesmo não pode dizer-se da sua nova missão nos Palancas Negras. Em relação à selecção nacional vai ter de começar do zero.

Além disso, existem vários pormenores que podem contar negativamente para o novo pastor da selecção nacional, como por exemplo, o facto de acumular o cargo com o de técnico principal do Petro de Luanda, apesar de ser contratado a título de colaboração, sendo apenas assalariado no seu clube.

A história já nos provou que um trabalhador não consegue agradar plenamente a dois amos, ou patrões. Por estar dividido, acaba por agradar apenas a um dos patrões. Por exemplo, se Bianchi deixar por escassos dias o seu Petro para deslocar-se a uma Província, ou a outro Estádio para observar jogadores convocáveis para a selecção nacional, a sua equipa se dêr mal, como reagirá o seu patrão?

O mesmo pode acontecer quando a situação for inversa, desfavorável a selecção nacional. Bianchi foi contratado com o objectivo de formar uma selecção, para que nos próximos dois a três anos esteja em condições de disputar a Taça das Nações, a nível das melhores selecções de África.

É verdade, que Beto Bianchi à priori deve trabalhar sem pressão, pois o presidente da FAF não tem como prioridade estar presente na fase final do CAN, a ser disputado nos Camarões, em 2019.

Isso por si só, é muito bom para o novo timoneiro do onze nacional. Todavia, para que o homem se sinta à vontade e sem ser pressionado pelos adeptos da selecção, a direcção da FAF deve esclarecer à Nação os seus reais objectivos com a contratação do novo treinador.

Além disso, para que Bianchi seja bem sucedido, deve investigar o historial do nosso futebol. Ele tem de saber como é que o nosso futebol chegou a estado em que se encontra, actualmente.

Ele deve perceber como é que Angola foi campeã Africana, em sub-20, em 2001(?), como fomos para o nosso primeiro CAN, na África do Sul, em 1996, e como fomos ao nosso primeiro Mundial na Alemanha, em 2006.

É imperioso que o “cara” perceba como é que actualmente os Palancas Negras ocupam a posição nº 147 no Ranking da FIFA, quando nos últimos dez a cinco anos, selecções como Cabo Verde (77º), Burkina Faso (36º), Gabão (87º) RCA (108º) e outras eram de longe inferiores a Angola.

É importante que Beto Bianchi entenda como foi que depois da excelente prestação dos Palancas Negras no Mundial da Alemanha, o nosso futebol regrediu drasticamente, porque na hora da verdade o homem vai ter de prestar contas à sério, mesmo a receber apenas um “bónus” da FAF.

Para isso, em minha modesta opinião, o mister Bianchi deve recorrer a alguns personagens que tiveram participação directa ou indirecta nos sucessos e fracassos dos Palancas Negras nos últimos anos, com destaque para homens como Oliveira Gonçalves, Luís Prata, Justino Fernandes, Armando Augusto Machado, e outros.

Resumindo, pretendemos dizer a Beto Bianchi, que não se deixe levar pelo aparente “não há ‘maca cara’, é de leve” da FAF, porque o que a família do futebol angolano pretende com a escolha da actual direcção da FAF, é que se construa uma selecção competitiva, com personalidade, e capaz de voltar a dar alegrias a todos os angolanos. Augusto Fernandes

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