Jornal dos Desportos

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Opinio

Descalabro para esquecer

25 de Janeiro, 2016
Depois de ter deixado má impressão na derrota, por 1-0, com a selecção dos Camarões, a Selecção Nacional surgiu totalmente transfigurada e sem nexo, foi humilhada (4-2), na 5ª feira, em Huye, pela sua homóloga da República Democrática do Congo, para a segunda jornada da fase final do Campeonato Africano para atletas que actuam no continente (CHAN), que tem como palco, a República do Rwanda.

É de convir, que perder diante dos “Simbas” nunca esteve fora de cogitação, principalmente em função do momento “turbulento” que assola o futebol angolano ao nível da sua selecção principal. O que não se entende, é a forma, com tal aconteceu. Aos 20 minutos ,os Palancas Negras encontravam-se em desvantagem de três bolas, fruto da forma desgarrada como se empregavam ao jogo e à orientação da dupla técnica, José Kilamba /André Macanga, o que levou muita gente a vaticinar que Angola ia sofrer uma goleada por números assustadores, que se tivesse acontecido ia constituir um vexame que pudesse manchar ainda mais o nome do país, no contexto futebolístico continental, que nos últimos tempos, tem andado chamuscado.

Realisticamente, perder por 4-2, como aconteceu diante dos “Simbas”, que não dilataram o marcador, porque na etapa complementar tiraram o “pé do acelerador”, é algo que há muito não sucedia no meio futebolístico nacional, no que diz respeito as competições organizadas pela Confederação Africana de Futebol (CAF), como a nível de clubes como de Selecções Nacionais.

Assim, os Palancas Negras que hoje defrontam a Etiópia, estão arredados dos quartos -de -final da competição, em que em 2011 alcançaram a segunda posição, atrás da representação nacional da Tunísia.Não se trata de um exercício, de difícil entendimento, o que aconteceu aos atletas angolanos. Mais do que receio, dos congoleses democratas, que transpareceu em grande parte do encontro, onde encontravam dificuldades em desenvolver jogadas que envolviam os sectores, defensivo, intermediário e atacante, com alguns jogadores do meio campo a não conseguirem efectuar os passes.

Também não aconteciam as dobras ou compensações. Ficou patente que o trabalho psicológico com vista à elevar os níveis de confiança motivacional dos jogadores não foi feito. E assim, os angolanos apresentaram-se piores que o adversário, porque face a um conjunto de factores, tinham a obrigação de um desempenho mais positivo, como forma a alcançar um resultado que lhes permitisse encarar o jogo com os etíopes, como trampolim para os quartos de final. Ficou também expresso, que a preparação para a competição, ficou eivada de falhas, cujas consequências que eram previsíveis e que alguns entendidos e anónimos chamaram a atenção de quem de direito, sobre o assunto.

A saída, quanto a nós, extemporânea de Romeu Filemon, do cargo de seleccionador nacional, em vésperas de uma competição com a dimensão do CHAN, bem como o clima de instabilidade que se instalou no seio dos jogadores, aquando da realização do estágio de preparação na África do Sul, onde exigiram o pagamento do subsídio diário e os prémios de participação, aliado ao desconforto criado, contribuíram para o descalabro dos Palancas Negras

Outro facto, que não pode estar dissociado da prestação dos angolanos, prende-se a insistência dos técnicos em utilizarem o guarda-redes Landu, como titular, que denotou uma gritante falta de ritmo competitivo.

Como é do conhecimento geral, o guarda-redes do Recreativo do Libolo, esteve quase toda a segunda volta do Girabola sem competir, devido a problemas de saúde, relacionados com a visão. Se contra a selecção dos Camarões, Landú denotou uma gritante intranquilidade e elevado nível de nervosismo, quais as razões que estiveram na base da equipa técnica ter insistido na sua utilização, quando tinha em prontidão, Mário (Kabuscorp do Palanca) e Dominique (1º de Agosto), que seguramente ofereciam mais segurança?Insistimos, que quanto a nós, não são as derrotas que estão em causa, mas a forma como aconteceram, deixaram a impressão que os angolanos se apresentaram sem garra e que não estavam “nem aí”, como dizem os brasileiros.
LEONEL LIBÓRIO

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