Jornal dos Desportos

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Opinio

Descampado mora no Chiazi

10 de Maio, 2018
Não podia nos deixar satisfeitos a notícia de que o Estádio Nacional do Chiazi está degradado. O desalento é redobrado quando até, tempo atrás, já se cogitava sobre o pouco e real aproveitamento aos estádios construídos para acolher o Campeonato Africano de Futebol que o país realizou em Janeiro de 2010. Dizia-se, na altura, que tudo se deveria fazer para, e não só, os conservar, mas também criar motivos para que estes recebessem com regularidades as partidas de futebol e outros eventos.
É verdade que as equipas de Cabinda passam a vida a subir e a descer de divisão no que o Girabola diz respeito. E, com certeza, esta descontinuidade em nada terá ajudado, julgamos, a que o estádio onde actuou Didier Drogba pudesse ser explorado com frequência à semelhança do 11 de Novembro também construído para o efeito. Claro que alguém questionaria de que o “11” está situado em Luanda e logo teria sorte diferente. Realmente teve(entre aspas). Mas houve momento que pareceu ser de algum abandono. Evocaram-se razões de distância para se chegar ao estádio.
Porém, Luanda cresceu. Com a ocupação das centralidades, sobretudo a do Kilamba, ressurgiu a vida e o interesse desportivo. Para acrescer, foi tempo depois construído o Pavilhão Multiusos, para acolher o primeiro mundial de hóquei em patins em Angola. O “11 de Novembro” foi ficando próximo. Noves fora as dificuldades de transportação para o estádio mas lá os amantes do futebol se foram compenetrando e caíram na real. O campo existe. É de boa infra-estrutura. Custou balúrdio de dinheiro e há que valorizar o esforço financeiro. É a luta de momento.
Hoje, bem o mal, lá está o “11 de Novembro” e tudo quanto nos pode oferecer e até um ambiente comercial (de algum descontrolo) à volta. Aferir a questão custo/benefício relativamente a esta nova catedral do futebol angolano parece criar algum receio. O que se factura com o “11” dá a sensação de ser insuficiente para cobrir todo o investimento feito no recinto que acolheu a final do Can-2010 ganha pelo Egipto e que testemunhou Angola de Manuel José a ser afastada pela forte selecção do Ghana.
Com certeza que havia quem manifestasse satisfação pelo facto de o país, com o Can, ter proporcionado mais infra-estruturas desportivas e abrir uma “via expresso” para o desenvolvimento da modalidade. Aventavam-se mesmo o surgimento de craques. “É muita infra-estrutura. O país ganhou e daqui há quatro anos vai proporcionar o aparecimento de uma geração de craques nos grandes palcos do mundo”, agiotava-se. Desde 2010, as coisas melhoraram mesmo? Surgiram craques? Há quem possa colocar o dedo no ar e como exemplo trazer as mais recentes contratações para a 2ª Circular. O resto coube ao destino responder. Os nossos orgulhos encheram-se pouco de verde e branco.
Agora perguntamos, foram produtos do Can? Sim ou não, eis a questão. Mas são produto do Can, o Estádio Nacional do Chiazi (Cabinda), o Ombaka (Benguela) e Tundavala (Lubango). Todos estes foram construídos a peso de ouro. Dinheiro (divisa) que nesta altura da “desaceleração económica” dava um grande jeito ao país. Obviamente, os resultados, os benefícios se fossem bons, a satisfação manter-se-ia alta. A verdade é que não dão para quase nada. E a ministra Sacramento Neto mostrou este desagrado ao verificar o estado actual do Chiazi.
Foram 85 milhões de dólares gastos, para hoje Chiazi cair no descampado.
AGOSTINHO CHITATA

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