Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desequilbrio oramental fere qualidade do futebol (II)

20 de Fevereiro, 2020
Na semana precedente terminei à primeira parte deste artigo, com a seguinte sentença: \"é com muita pena e tristeza ver a força do nosso futebol reduzida, à praticamente a duas equipas: 1º de Agosto e Petro de Luanda. As demais equipas, com todo o respeito que tenho, para com o Interclube, Sagrada Esperança, Desportivo da Huila e outras, acabam sendo apenas meras animadoras do Girabola e com isso, o nosso campeonato perde muita qualidade.
Em função desta realidade, será que podemos esperar ou exigir grandes resultados às nossas equipas, a nível do continente africano e não só? É possível acabar, com a filosofia de filhos e enteados, no futebol e no desporto em geral? O que pode ou deve ser feito, para tirar o nosso futebol desta situação? No próximo número, vamos tentar dar respostas à estas questões.\"
Portanto, se na década de 80, por via de um orçamento equilibrado entre as equipas, o nosso futebol tinha uma qualidade acima da média, o mesmo não se pode dizer hoje. No período em referência, tínhamos cerca de 13 equipas bem equilibradas, a saber:
1º de Agosto, Petro de Luanda, Académica do Lobito, Nacional de Benguela, Desportivo da Chela, Mambrôa do Huambo, Petro do Huambo, Construtores do Uíge, 1º de Maio de Benguela, Ferroviário da Huíla, Progresso do Sambizanga, TAAG e Desportivo de Benguela.
Tendo em conta a importância que o desporto tem na sociedade e em particular o futebol, o Estado assumia as despesas de todas as equipas. Por isso, quase todas conseguiam ter no seu plantel excelentes executantes, quer a nível do país, quer do estrangeiro.
Assim, equipas como o 1º de Maio de Benguela, contrataram na República Democrática do Congo, jogadores (angolanos) como, Sarmento, Fusso, Maluka, Zandú e outros. O 1º de Agosto, foi buscar o Nsuka, Tandu, Zomi e companhia. O Petro de Luanda trouxe o Lufemba, Bodú e outros, e assim por diante. Com isso a qualidade do nosso futebol subiu.
É assim em todo o Mundo. Um grande exemplo, disso, é o campeonato espanhol. Com jogadores expatriados, como, Leonel Messi, Soarez, Benzema, Marcelo, e outros, é considerado o melhor campeonato do Mundo. Resumindo, os melhores campeonatos da Europa têm perfume estrangeiro, devido a capacidade económica dos clubes.
Portanto, à medida que o tempo foi passando, em Angola, esta política foi descontinuada, porque na realidade o Estado não pode arcar com todas as despesas relacionadas com a vida desportiva do país.
Assim, empresas estatais, como, o Comércio Interno, Ministério da Construção, África Têxtil, Caminhos de Ferro de Moçâmedes, e outras, deixaram de apoiar equipas como, Construtores do Uíge, Nacional de Benguela, 1º de Maio, Ferroviário da Huíla e outras, que acabaram por desaparecer do cenário desportivo nacional.
Em função desta realidade, o que pode ser feito para mudar este quadro? É ponto assente, que o Estado não pode e nem consegue suprir as necessidades básicas de todas as equipas. Mas pode equilibrar, diminuir ou reduzir as fatias que atribui a clubes, como, Petro de Luanda, 1º de Agosto, Sagrada Esperança, Interclube e outros, que são tidos como “filhos” queridos.
Por outro lado e como acontece em todo o Mundo, o futebol só progride com a “mão” do empresariado privado. Por isso, o Estado pode e deve criar políticas para potenciar empresários nacionais, para de forma licita produzirem activos que lhes permita investir, seriamente, no desporto nacional e no futebol em particular.
Nesta fase do combate à corrupção, alguns cidadãos que têm algum dinheiro, que pode ter sido conseguido de forma lícita, podem estar a sentir-se inibidos em usá-lo a favor do desporto. Mas o Estado pode e também deve incentivar tais pessoas, a apoiar o desporto sem receios. Eles precisam deste incentivo.
Empresários, como, Norberto de Castro, e outros, precisam de ajuda do Estado. Não devemos ter receio de colocá-los em negócios de alto rendimento, como o de petróleos e outros grandes, que normalmente só são entregues à empresas estrangeiras. Os nossos empresários só precisam de orientação e políticas bem definidas, com base numa nova mentalidade
Por outro lado, as equipas também devem procurar formas de aquisição de activos e não se limitarem, apenas, a patrocínios do Estado ou de empresários. Podem fazer campanhas para angariar sócios e daí, criar ideias de como conseguir meios para produzir activos. Certo clube, de um dos bairros de Luanda, comprou três Yaces e pô-los a fazerem táxi. Este é um bom exemplo a ser seguido.
Isto, significa que não podemos continuar a lamentar. Temos de ser criativos e fazer das nossas fraquezas forças. O Santa Rita do Uíge, deu um grande exemplo disso, diante do 1º de Agosto, no domingo, em pleno Estádio 11 de Novembro.
AUGUSTO FERNANDES

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