Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desiluo

05 de Novembro, 2017
Não chorem. É verdade que pelo vosso esforço e profissionalismo mereciam um desfecho melhor. Mas não é menos verdade que a situação do ASA há anos que já era insustentável. A equipa nas últimas épocas arrastava-se e sempre à espera de uma mão caridosa para no momento decisivo dar uma \"ajudinha\", e evitar a descida de divisão.

Um clube desta dimensão e com o estatuto que tem no mosaico desportivo nacional, não pode estar a viver de mão caridosa, boa vontade de algumas pessoas e muito menos de conjugação de resultados nas últimas jornadas do campeonato. Nesta altura não interessa procurar os culpados pelo triste cenário que a equipa de futebol viveu ao longo dos últimos anos.

A despromoção há muito anunciada, é apenas a confirmação de um oportunismo de algumas pessoas que se identificavam como amigos do clube, mas na verdade não passavam de meros aproveitadores que procuram debicar o seu pedaço no pouco patrocínio existente. Com eleições anuladas e mandatos interrompidos, os dirigentes nunca conseguiram unir-se em prol de um mesmo objectivo, o bem do ASA.

Os atletas por mais vontade e amor à camisola, não conseguiram fazer das dificuldades que enfrentaram, uma força consistente. Ainda assim, mostraram ser um conjunto solidário e muito bem instruído por um técnico, Paulo Saraiva, que revolucionou a mentalidade do plantel e por conseguinte o balneário em busca da manutenção.

Nos últimos anos a equipa viveu sempre uma pressão constante com falta de quase tudo, o que obrigava os jogadores a esquecerem de si e dos seus familiares para honrarem e dignificarem as cores que representavam. No jogo decisivo em que só a vitória interessava, o buraco acabou por afundar um dos históricos.

As pessoas passam e as instituições ficam. A actual direcção do ASA vai ficar para sempre marcada pela negativa na mente de todos aqueles nutrem uma simpatia pela equipa do aeroporto. Apontar culpados nesta altura é uma missão difícil, mas é líquido reconhecer que a falta de apoio dos patrocinadores e dos amigos do clube esteve na base do despenhamento da aeronave.

Os tempos de glória do mandato de João Andrade, dirigente que estabilizou o voo dos aviadores colocando a aeronave numa altitude sem qualquer tribulação com a conquista de três campeonatos consecutivos, uma Taça de Angola e quatro Supertaças, contrasta com o de Elias José, que mais não faz senão lamentar e choramingar por apoios.

Sem querer julgar e muito menos responsabilizar quem quer que seja, à actual direcção pesa sobre si todas as responsabilidades pelo fracasso da equipa de futebol que despenhou no Girabola, prova em que era um dos totalistas, a par do 1º de Agosto, numa tarde que ficará para sempre marcada na história do clube.

Consumada a despromoção, numa partida em que à partida parecia apenas ir cumprir formalidade, urge agora repensar o futuro do futebol sénior da agremiação do aeroporto. É chegada a altura de levantar a cabeça e definir o melhor para o clube
ANTÓNIO JÚNIOR

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