Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desincentivar o desporto de alta competio? (I)

06 de Junho, 2019
Numa altura, em que o nosso desporto está a dar saltos qualitativos, como foi a conquista do campeonato do mundo de futebol para amputados, o apuramento dos Palancas Negras para a fase final do CAN do Egipto, da selecção de Basquetebol para o mundial da China, a conquista do nono Campeonato Africano de basquetebol pelo 1º de Agosto e outras não menos importantes, é que o Executivo decide vergar-se diante da crise financeira que o país vive.
Com efeito, por causa da crise financeira deixamos de participar na Taça Cosafa, o Desportivo da Huila que muito brilhantemente conquistou o terceiro lugar do Girabola desistiu de participar nas Afrotaças, a Selecção Nacional de futebol em Sub 17 corre sérios riscos de não participar no mundial do Brasil, e outras selecções nacionais como a de basquetebol seniores feminino também correm o mesmo risco.
A questão é: o Executivo está desincentivar o desporto de alta competição por causa da crise económica, ou está com dificuldades de definir o que é mais importante de momento? Por exemplo: a participação dos Palancas Negras na fase de apuramento ao CAN de 2019 começou há sensivelmente dois anos, depois da eleição do novo Governo, se a memória não me atraiçoa. O Executivo, ou seja, o Ministério da Juventude e Desportos sabia quanto o país devia gastar para a realização dos seis jogos do grupo.
Depois da qualificação, é normal que o Governo também soubesse quanto devia gastar para as despesas com estágios, durante a primeira fase do CAN e os prováveis gastos, caso a selecção passasse de fase e assim por diante. Até aqui não existe nenhuma surpresa em termos de orçamento. Ora, quando se permite que se façam gastos avultados para uma Selecção Nacional atingir um objectivo supremo, como é a participação no CAN ou num Mundial e depois os responsáveis da área que reponde pelo desporto venham dizer que não há dinheiro para se concretizar o objectivo traçado, no mínimo dos mínimos, estamos diante de duas situações: ou tais dirigentes não conhecem os meandros do desporto de alta competição, ou, no mínimo, brincam com coisas sérias.
Porque se não, vejamos: a crise financeira é um facto. Não é novidade para ninguém. O que implica dizer que todos os nossos planos, quer sejam desportivos ou de outra área da nossa vida, devem ser planificados em função da realidade económica do país. Assim, é aceitável que se definam prioridades. Por exemplo, se o país vai participar na fase de qualificação com a selecção de Sub 20, para ganhar traquejo internacional. Não temos interesse em chegar à fase final da competição, como por exemplo, do CAN. Com este tipo de política realista, a família do desporto fica consciente da situação e não se vão exigir resultados. Todos ficam consciencializados do objectivo da participação da selecção, no referido torneio. Também, é de determinar em que modalidades o país pode estar representado em questões do género.
Com este tipo de política, a organização da Taça Cosafa tinha tempo suficiente para convidar outro país, em substituição do nosso. A forma como o nosso país desistiu da competição, constituiu uma vergonha nacional, pois, indiciou falta de organização. Nem o facto do patrocinador oficial ter desistido de ajudar a selecção, justifica tal posição baixa, pois, a selecção não é do patrocinador, mas do país.
Portanto, com todo o respeito que devemos ao Executivo, especialmente aos dirigentes do Minjud, não aceitamos esse tipo de atitude. Outro exemplo negativo e que pode indicar falta de sintonia do Executivo, é o facto de muitas vezes, depois de dizer publicamente que não há valores para se cumprir com determinado objectivo, e o caso ter solução, quando as Federações solicitam ajuda ao Presidente da Republica. Nestes casos, as pessoas podem pensar: há ou não dinheiro? Porque não se resolveu o assunto antes? Esse tipo de situação é totalmente negativo e pode fazer com que as pessoas percam alguma credibilidade nas instituições que representam o desporto… (continua no próximo número). Augusto Fernandes

Últimas Opinies

  • 19 de Março, 2020

    Escaldante Girabola

    O campeonato nacional de futebol da primeira divisão vai dobrando os últimos contornos. A presente edição, amputada face a desqualificação do 1º de Maio de Benguela, abeira-se do seu fim . Entretanto, do ponto de vista classificativo as coisas estão longe de se definirem. No topo, o 1º de Agosto e o Petro travam uma luta sem quartel pelo título.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Cartas dos leitores

    Estamos melhor do que nunca. A pressão é para as pessoas que não têm arroz e feijão para comer. Estamos sem pressão, temos todos bons salários e boas condições de trabalho. Estamos numa situação de privilégio e até ao último jogo tivemos apenas duas derrotas.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Jogos Olmpicos2020

    A suspensão de diferentes competições desportivas a nível mundial em função do coronavírus, já declarada pela OMS-Organização Mundial da Saúde como Pandemia, remete-nos, mais uma vez, a reflectir sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo menos até aqui, o COI-Comité Olímpico Internacional mantém de pé a ideia de realizar o evento nos prazos previstos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    FAF aquece com eleies

    Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    Cartas dos Leitores

    Acho que o Estado deve velar por essas infra-estruturas.

    Ler mais »

Ver todas »