Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desincentivar o desporto de alta competio (II)

13 de Junho, 2019
A semana passada terminei o texto, dizendo que quando não há sintonia entre o Executivo, ou seja, entre as instituições que fazem parte do Executivo e o Presidente da República, pode fazer com que algumas pessoas percam a confiança em tais instituições e isto não é bom. Naturalmente, o Ministério da Juventude e Desportos (Minjud), não pode fazer milagres, para resolver a situação da crise financeira.
No entanto, o órgão reitor do nosso desporto, não deixa de ter alguma culpa na situação, pois, no caso dos Palancas Negras, permitiu que a Selecção Nacional chegasse onde chegou e agora não tem como recuar, pois trata-se de uma missão de estado. O mesmo também se pode dizer, do facto de Angola não ter participado na Taça COSAFA e em outros compromissos importantes a nível de outras Selecções Nacionais, quando já sabíamos que não teríamos condições financeiras para o fazer.
Entretanto, temos de reconhecer que o Minjud pode cair em algumas armadilhas feitas por dirigentes de algumas federações, que, na ânsia de quererem satisfazer os seus desejos, podem recorrer a empréstimos de valores ou até mesmo usarem do seu dinheiro, para chegarem as fases finais de competições africanas e não só.
Depois de chegarem a fase final de determinada competição internacional, o Estado automaticamente entra nas obrigações da Selecção. Por isso, o Minjud deve ficar atento, para não cair neste tipo de armadilhas. Nestes casos a ideia deles é: “agora que já estamos qualificados, o governo já não tem como recuar. Além disso, embora não tenhamos o dinheiro em mãos, as nossas “galinhas” (as riquezas de Angola) ainda têm muito “ovo” para lançar e, por isso, ninguém tem receio de abrir um crédito ao nosso país, pois se assim não fosse não estaríamos a incentivar o investimento estrangeiro para Angola”. Por isso, o Executivo ou o Estado não devem permitir que as federações arranjem patrocínios sem o seu consentimento e, no mínimo, se aprovar tais patrocínios tem de haver garantias que tal patrocinador vá até ao fim do projecto.
Para evitar situações do género que a Selecção Nacional de futebol viveu no dia 10 do corrente, por não ter recebido a sua diária no estágio que está a efectuar em Portugal, o Minjud deve controlar rigorosamente os programas das Selecções Nacionais em função das verbas a si atribuídas anualmente. Outra forma de evitar situações embaraçosas, como as que temos vivenciado nos últimos tempos, é definir prioridades. Sim, é importante que as coisas estejam bem definidas. Temos de saber que selecções ou modalidades terão prioridade para competirem a nível internacional.
Se, por causa das dificuldades financeiras, o Minjud achar que os Palancas Negras ou a Selecção “A” de basquetebol não devam participar de uma fase de apuramento, para uma fase final de uma competição internacional e, por isso, o país seja representado por selecções jovens, de formas a dar algum ritmo competitivo aos jogadores, que assim seja. Também é importante que o Minjud, incentive as federações, a serem mais criativas e procurarem formas de atrair potenciais patrocinadores ou sócios, para ajudar nas despesas de sua “casa”. A julgar pelo número de adeptos que tem a nível do país, a Federação Angolana de Futebol (FAF) deveria ser a primeira a estudar formas de conseguir sócios, para financiar a sua actividade.
Em minha modesta opinião, creio que a FAF seria bem sucedida, caso opte por fazer uma campanha de angariação de sócios. Se não haver nenhum factor impeditivo, em função dos regulamentos, creio que esta seria uma das soluções para aliviar os efeitos da crise financeira sobre o desporto. Temos como exemplo o 1º de Agosto, que é um clube e, naturalmente, não tem mais adeptos que a Selecção Nacional.
Nos últimos anos fez uma política muito forte, para angariação de sócios voluntários (que não são militares assalariados pelo Ministério da Defesa) e hoje podemos dizer que, dentro de mais alguns anos, se as coisas não inverterem, os militares poderão viver apenas dos sócios voluntários.
Portanto, o mais importante é que o estado não deve passar a imagem de que se desincentive o desporto de alta competição, por causa da crise financeira que o pais vive. Antes, o órgão que coordena o desporto nacional deve definir com clareza as prioridades, em função dos orçamentos de cada federação e dos interesses do país.
Temos de ter em conta, a grandeza que o nosso país atingiu a nível do continente Africano e não só desportivamente falando. Não nos esqueçamos que o nosso desporto tem estado a crescer significativamente nos últimos anos.
Além disso, temos conquistas que devem ser defendidas como, por exemplo, o facto de em África e no Mundo, sermos uma grande referência no basquetebol, andebol feminino, hóquei em patins, atletismo paraolímpico e outras modalidades não menos importantes como o futebol para amputados, do qual somos campeões do mundo.
Sim, a crise financeira não pode continuar a ser vista como sendo uma autoridade, pela qual nos devemos vergar constantemente, impedindo-nos de atingir objectivos supremos. Ela pode até atrasar alguns processos, mais não devemos nos submeter a ela como presa fácil. Muito pelo contrário.
A história do nosso país nos ensina, que somos muito bons em lidar com crises. Façamos das nossas fraquezas, forças por sermos criativos.

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