Jornal dos Desportos

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Opinio

Despedimentos continuam

19 de Agosto, 2015
Depois da saída da 21ª jornada, o FC Bravos do Maquis, ter protagonizado a décima segunda “chicotada psicológica”, com a elevação de Alberto Cardeau, à categoria de técnico principal, em substituição do português Vitor Manuel, contratado na pré-temporada, nesta fase em que o Girabola leva contabilizadas vinte e duas jornadas, cresce a quantidade de treinadores que passam as noites mal dormidas e sem o sossego psíquico - emocional para recuperar as energias gastas no decorrer de mais uma jornada laboral diária.

Pelo facto de o Girabola ter iniciado a fase descendente rumo à sua conclusão, aliado ao facto de nas temporadas recentes, o despedimento dos treinadores de futebol, em Angola, pelos diversos motivos, constituir um ato normal, a justificar-se com os doze treinadores, até ao momento, encaminhados para o desemprego, a questão que não quer calar, relaciona-se com o facto de as pessoas quererem saber quem será o próximo a engrossar a lista dos “chicoteados”.

Ao se fazer fé em conversas de bastidores e ao que se vai ouvindo aqui e ali, ainda pelo que a classificação oferece em termos de colocação e de pontuação, distantes de qualquer dose de futurologia, são previstas para as jornadas vindouras, mais duas “chicotadas psicológicas”, cujos clubes e treinadores a serem visados, por questões óbvias, nos escusamos de mencionar aqui.

Independentemente dos motivos que estejam na base de tais procedimentos, é de se concordar que a quantidade excessiva de técnicos despedidos, não apenas no atual Girabola (leva nove, com possibilidades de aumentar), como nos anteriores mais recentes, deve constituir motivo de análises profundas dos agentes da modalidade, e incutir nos dirigentes e responsáveis dos clubes, maior responsabilidade e coerência aquando da sua contratação.

É de se concordar que as consequências das “chicotadas psicológicas”, para o currículo individual do treinador, algumas das quais em função do nível medíocre de organização de alguns clubes e da mentalidade e capacidade de dirigismo desportivo duvidosas de uma boa parte dos dirigentes, devem ser acauteladas.

Não constitui novidade que a maioria dos clubes, peca pela ausência de planos e projectos a longo ou médio prazo, fundamentalmente no que diz respeito aos escalões de formação, priorizando a obtenção de resultados imediatos. Nesse diapasão, fica difícil entender como é que clubes, cujo futebol se inclui no lote das equipas de “primeira água” nacional, antes do término da primeira volta do presente Girabola, haviam despedido dois treinadores.

Nunca é demais recordar que ao ser despedido, algumas vezes sem serem observados os procedimentos jurídicos – legais condicentes, o treinador vê beliscado o seu currículo, facto que por diversas vezes influi de forma negativa no que concerne a sua indicação ou ser escolhido para orientar outra equipa, muitas vezes com nível de organização estrutural superior.

Para o caso de ser angolano, é notório observar-se que alguns clubes, mesmo sabendo das suas dificuldades financeiras, optam pela contratação de treinadores estrangeiros. Sem que nos mova qualquer sentimento de xenofobia, não é novidade que a maioria dos treinadores estrangeiros contratados para trabalharem em Angola, auferem salários e outras compensações financeiras e materiais superiores a dos angolanos, muitos com competência profissional superior.
Leonel Libório

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