Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desporto e Democracia

24 de Fevereiro, 2017
O estrondoso êxito que conheceu o desfecho dos actos eleitorais na Federação Angolana de Futebol e na de Basquetebol levantou mais alto a bandeira da democracia desportiva. Aliás, este positivo gesto não deve surpreender os mais avisados, sabendo-se que foi por via deste fenómeno aglutinador de massas que em Angola se foi pela primeira vez às urnas.

Em 1991, as partes desavindas do nosso processo político procuravam ainda consensos, em maratonas negociais, que levariam mais tarde, a 31 de Maio, aos célebres Acordos de Bicesse, e já na Federação Angolana de Futebol era encontrada uma direção por via do voto, tendo a vitória sorrido a favor de Armando Augusto Machado.

Portanto, queiramos ou não, faz toda lógica que o desporto seja catalogado como pioneiro da democracia em Angola. Dai que não devem espantar as reviravoltas registadas nas federações de futebol e de basquetebol, muito menos a forma urbana como decorreram os respectivos actos eleitorais. Quer numa, quer noutra soube-se \"ganhar com respeito e perder com dignidade.\"

Porque ninguém pode ousar dizer que nos dois processos não foram protagonizadas surpresas. No futebol por exemplo, não será nenhum desatino aferir que até ao último dia era para José Luís Prata que apontavam os prognósticos, por uma razão muito simples: tem uma folha de serviço muito mais rica no dirigismo desportivo em relação aos seus concorrentes. O desfecho mostrou o inverso.

José Luís Prata, que na certa também estava convencido com a vitória não protestou, assumiu a derrota com apurado espírito democrático, felicitando o vencedor, que teve uma margem de pontuação folgada na província de Luanda. Pois, o comandante de aviação interiorizou o conceito de que não se perde guerra fracassando numa batalha. Por outro, como homem do futebol a quem interessa ver a modalidade no trilho certo, não tinha como não aceitar a escolha dos associados.

No basquetebol o filme não foi diferente. Paulo Madeira, que até deixa a sua marca positiva na liderança da federação, não esperava por uma cabazada. Mas, mesmo colhido de surpresa e amordaçado pela derrota, teve o fair play de felicitar o seu oponente que saia vitorioso do acto. É esta forma salutar de ser e de estar de alguns agentes desportivos que faz do desporto um escape para fricções e agruras que molestam os homens.

Quanto a nós, que assistimos o filme na plateia, não resta senão nos colocarmos de pé e aplaudir as direções eleitas, mas sem nunca nos exonerarmos da missão de fiscalizadores do seu exercício. As mudanças devem sempre vir para melhorar o exercício administrativo anterior. Não podem nunca ser para manter o mesmo quadro.

Aliás, disto sabem Artur de Almeida e Hélder Cruz, os homens que se seguem. Ao primeiro se exigem políticas concretas e realísticas, que devolvam os Palancas na alta roda do futebol africano, como primeira condição do seu consulado, e ao segundo o resgate da dignidade do nosso basquetebol no continente africano.

Mas, o que se pretende dar ênfase aqui, não é aquilo que as novas direções devem fazer ou não. Mas a postura digna que tiveram os concorrentes derrotados, num exemplo claro da democraticidade que impera no desporto.
Matias Adriano

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