Jornal dos Desportos

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Opinio

Desporto angolano esteve em alta

27 de Dezembro, 2018
A faltarem quatro dias para o término de 2018 muitos de nós estão a fazer o balanço do que se fez e do que ficou por fazer. Desportivamente falando, também podemos e devemos fazer o balanço da produção dos nossos desportistas ao longo do ano.
A maior prenda que o povo angolano recebeu do desporto veio da selecção nacional de futebol para deficientes que conquistou o campeonato do Mundo da modalidade no México. Algumas pessoas tentaram minimizar o feito por se tratar de uma modalidade para deficientes.
Muito, pelo contrário. É ai onde entra a importância da referida conquista. Não importa o tipo de competição. Quer seja de futebol normal, basquetebol ou até mesmo de sueca, o mais importante é que seja um campeonato do Mundo o que implica dizer que na modalidade em causa quem vencer é o melhor
O Estado angolano compreendeu isto e tratou de mostrar ao mundo e ao povo angolano a importância da referida conquista por tratar os valorosos guerreiros com honras de verdadeiros campeões do Mundo. Não nos esqueçamos que foi a primeira conquista mundial de Angola!
O primeiro gesto veio do adepto número um do desporto angolano, o Presidente da Republica, ao elogiar publicamente os rapazes e a orientar que se fizessem as devidas cerimónias que indicam a gratidão do Estado pela conquista do troféu mundial.
Assim, os nossos campeões, foram recebidos e homenageados pela Assembleia Nacional, por governadores de algumas províncias e tratados como verdadeiros campeões. Só não sabemos quanto é que terão recebido em termos de dinheiro. Mas acredito que devem ter recebido uma boa “fagulha”.
O segundo momento do desporto angolano em 2018, “Em cima do lance” considera, que foi a conquista da 13ª taça continental de Andebol pela selecção nacional seniores femininos que mais uma vez confirmou a hegemonia de Angola em África. Num continente com mais de 50 países, ganhar 13 vezes ( a maior parte quase de forma consecutiva) o campeonato é sinónimo de muito trabalho.
Naturalmente todos os angolanos se reviram, nesta conquista. Não sei como foram gratificadas em termos monetários. Mas, acredito que as meninas foram bem “tratadas” e estão prontas a fazerem boa figura no próximo campeonato do Mundo, onde já conquistaram um honroso sétimo lugar.
O terceiro momento, “Em cima do lance” coloca a reconciliação entre a selecção nacional de futebol, os Palancas Negras e o público, que teve muita influência do 1º de Agosto, que ao longo da sua brilhante campanha nas Afrotaças, fez o público voltar a acreditar no nosso futebol.
Um dos momentos mais altos da campanha do 1º de Agosto nas Afrotaças de 2018, foi o jogo diante do Zesco United, da Zâmbia. Depois de estar a perder por uma bola a zero até aos 85 minutos, deu cambalhota no resultado, vencendo o jogo por duas bolas a uma com golos de Geraldo e Bobó.
Não nos vamos esquecer do célebre jogo dos militares diante do TP Mazembé, em Lubumbashi, quando impuseram um rigoroso empate aos penta-campeões de África, com Tony Cabaça, a ser o grande herói do jogo ao defender duas grandes penalidades, empurrando a sua equipa para as meias-finais onde acabou sendo eliminado pelo árbitro da partida.
Os Palancas Negras agora sob comando técnico do Sérvio Srdan Vasiljevic, têm estado a fazer uma excelente campanha para o apuramento ao CAN\' 2019, e só depende de si mesma para estar presente na fase final que provavelmente será disputada no Egipto
Outro momento que não podemos deixar passar e que o “Em cima do lance” coloca na posição numero quatro, foi a belíssima campanha dos representantes de Angola nos oitavos jogos da comunidade de desenvolvimento da África Austral (SADC).
Com uma delegação composta por atletas dos 16 aos 19 anos de idade, a selecção de Judo foi a que melhor representou o país com 17 medalhas sendo oito de ouro quatro de prata e cinco de bronze, o desporto adaptado com cinco de ouro e o boxe com duas de ouro e três de bronze foram as modalidades melhor posicionadas a seguir ao Judo.
Não nos esqueçamos da brilhante prestação da selecção nacional de Futsal em sub 19, que em minha opinião só não foi aos jogos Olímpicos da Juventude realizados na Argentina, porque “alguém” não quis. A nossa selecção só não se fez presente na Argentina porque não houve dinheiro para prepararem-se condignamente para o jogo da última eliminatória contra o Egipto.
Portanto, podemos dizer que em 2018, o desporto angolano esteve em alta e esperamos que continue a evoluir para o orgulho de todos os angolanos.
Augusto Fernandes


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