Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desporto de unio nos 44 anos da Nao

09 de Novembro, 2019
Hoje, como não podia deixar de ser, neste espaço escrito “A duas mãos”, acordamos em falarmos da trajectória do nosso desporto, ao longo dos 44 anos de Independência que o País tem. Como devem calcular, não se afigura um exercício fácil nem tão pouco apetecível, mas, convenhamos, acaba por ser algo apaixonante e honroso, ainda que corramos o risco de o fazer olvidando, sem quaisquer más intenções, uns e outros factos que marcam, pela positiva e ou pela negativa, esta vertente social ao longo deste período desde 11 de Novembro de 1975.
Claro que começamos pelos aspectos relevantes e estes obviamente que estão à vista de todos e, de certeza, presente de forma fresquinha na memória de todos os angolanos. Tratam-se dos feitos relevantes do nosso desporto.
Além dos títulos continentais acumulados nas modalidades de basquetebol masculino e feminino; no andebol feminino, na pesca desportiva, na vela, no xadrez, nas modalidades de luta, e em outras, nos vem à memória igualmente as organizações de provas de calibre africano, que tivemos “ousadia” de o fazer.
Em todas elas, naturalmente as que sobressaíram foram sem dúvidas, dentre outros, não menos importantes, os Segundos Jogos da África Central, em 1981; a participação da Selecção Nacional de Sub-20, no Mundial de Futebol, na Argentina, em 2002, a participação dos Palancas Negras no Campeonato do Mundo na Alemanha, em 2006, e a participação da Selecção principal nos Campeonatos Africanos das Nações (CAN). A organização exitosa do CAN de 2010 em futebol, o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, e distintas edições da Taça Africana de Andebol e Basquetebol, em que Angola teve posicionamento à altura, a julgar pelos níveis de organização, mudando em muitas delas paradigmas que hoje fizeram hábito.
Mas, os 44 anos de Independência do nosso país, naturalmente que não é só isso. Lembramos aqui, que, em primeira instância, quando o país nascido das cinzas, quase sem estruturas e sem quadros, ousou relançar-se nesta vertente social a boa maneira do “desenrasque”. Foi assim se arrastando com alguns resquícios da “antiga senhora”, procurando de viva voz apelar aos angolanos na diáspora, que regressassem em massa para a chamada “reconstrução nacional”.
A caravana “Havemos de voltar” trouxe de regresso ao País, vários angolanos que principalmente na chamada “metrópole” evoluíam.
No caso do futebol, por exemplo, regressavam, com interesse amplo de dar o seu contributo e com alto espírito patriótico, Joaquim Diniz, Laurindo, Domingos Inguila, Benje e outros, que eram ícones do futebol em Portugal.
Aqui em Angola, todos procuravam, pelo menos a nível do desporto, dar o seu litro, a sua contribuição patriótica, “por amor à camisola\".
Clubes como Vila Clotilde, CDUA, Atlético, Benfica de Luanda, FC Luanda, Sporting de Luanda, Sporting do Maxinde, Académica Social Escola do Zangado, Atlético Sport Aviação (ASA) e outros, mantiveram a matriz e procuraram dar uma cor a todo movimento de revitalização do desporto, nas mais variadas vertentes.
Os ventos sopravam favoravelmente a coberto de uma Secretaria de Estado para o Desporto, em que à cabeça tinha um ex-praticante de atletismo, o professor Rui Mingas. Este juntou um grupo de “carolas”, que assumiram a causa e, com os treinadores referenciados da época, conseguiram ir erguendo o desporto nacional que, só mais tarde, teve, de facto, pernas para andar.
Sardinha de Castro, Vitorino Cunha, Vlademiro Romero, Nicola Berardineli, Filipe Dikizeko, só para citar alguns, foram dos muitos precursores na época.
A prova foi sem dúvidas os Segundos Jogos da África Central, que, de forma “atrevida”, Angola se propôs acolher. Várias modalidades evoluíram em distintas províncias do País, muitas das quais ainda debaixo do som do troar de canhões, fruto da guerra atroz e fratricida, que continuava a consumir as entranhas do país.
Ainda assim, a resiliência daqueles que sempre se bateram pelo crescimento e desenvolvimento sustentável do desporto, provocou que, com alguma “teimosia”, prosseguissem vitoriosos.
Antes, o relançamento do futebol, fazendo jus à chegada da caravana “Havemos de Voltar”, tivemos os jogos amistosos Angola-Cuba em futebol. Foi uma manifestação de grande vulto, que juntou os angolanos e fez ver que, afinal, a modalidade rainha estava viva.
A irmandade de Angola à Cuba estendia-se assim ao desporto, reforçando ainda mais os laços que nos unem, iniciados já com o processo da luta de Libertação Nacional. Noutro diapasão, podemos referir o facto de nestes 44 anos de Independência de Angola, terem sido erguidas várias infraestruturas desportivas de alto padrão, que asseguraram a realização exitosa das competições que o nosso país teve a honra de albergar.
Na mesma esteira, vários foram os técnicos formados durante o período, embora a necessidade seja sempre elevada, devido a aposta que sempre se advogou nas camadas de formação. Tal como referimos, ficaria difícil abordarmos neste espaço, todos os aspectos que envolveram o nosso desporto nos 44 anos da Dipanda, mas julgo que focamos os essenciais focos. Viva Angola! Morais Canãmua

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