Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desporto nacional procura de paradeiro!

04 de Março, 2019
Patrick Ewing, antigo basquetebolista norte-americano que durante a carreira profissional jogou na posição de poste e fez furor na referida posição, por causa dos seus mais de dois metros de altura, (um autêntico armário), chegou a dizer, segundo \"mujimbos das barracas\", na \"cara\" de Magic Johnson, outra antiga glória do basquetebol norte-americano, aquando do primeiro jogo oficial entre Angola e o Dream Team Number One, dos EUA, de Michael Jordan e companhia, que decorreu nos jogos olímpicos de Barcelona (Espanha) 92, que nós éramos tão bons, mais do que aquilo que eles imaginavam!
O facto levou a que no final do referido jogo, a equipa de sonhos dos EUA, rendesse uma simbólica homenagem à selecção nacional de basquetebol, que antes do início do jogo foi motivo de chacota e troça, por parte de alguma imprensa estrangeira especializada.
Volvidos mais de 25 anos, certamente que não só Patrick Ewing, como o mundo desportivo, não conseguem sequer imaginar que hoje podíamos ser muito (e muitas vezes) melhores, depois de no referido torneio olímpico conquistarmos a inédita proeza de vencer a anfitriã Espanha!
É, que de lá para cá, o desporto nacional estagnou como as águas paradas da chuva. O que aconteceu, neste espaço de tempo, para que o desporto nacional, tal como um elevador chegar ao céu para alcançar todo o esplendor e num \"click\", descer à mesma velocidade, rumo ao inferno!
Embora se saiba que nem tudo ocorreu, naturalmente, num só dia e de uma só vez, a verdade é que se assistiu e ainda se assiste, de forma muitas vezes radicalizadas, à falta de ordem ou não seja o termo mais correcto, uma acentuada falta de autoridade moral, neste circo chamado desporto angolano que há muito clama por cara lavada, com um couro cabeludo protegido de todas as ameaças de parasitas, como \"caspas\" e \"piolhos\", e de uma higiene mental, que nos impedisse de recordar o \"quibuzo\" que ainda continua a intoxicar a atmosfera desportiva, que inevitavelmente ainda faz parte e partilha a nossa vivência quotidiana!
E, não falo isso, apenas, pela repercussão dos custos desportivos, sobretudo, pelo impacto dos custos morais, pelo desalento que se apodera da maioria dos angolanos, que em tempos idos fizeram da paixão desportiva uma verdadeira cultura colectiva e que nesta fase, bem complicada e arrojada das nossas vidas sociais e financeiras, em que muitos são obrigados a \"matar um leão por dia\" para ter o mínimo que comer, ainda nos é solicitado de maneira martirizada e por um pretenso amor à pátria, empurrar com a barriga os custos de imagem de um desporto cujo móbil é ir se descascando com o passar do tempo.
Mais ou menos, do que não está a ser bem explorado, ou que se esteja a dar passos errados, é o facto de se cometer desmandos aos olhos de todos e sucessivas arbitrariedades administrativas.
Isso, adicionados à fracassadas e paupérrimas exibições desportivas, quer em termos competitivos, como em termos de resultados, apesar dos últimos resultados desportivos alcançados fora de portas, por mais bonitos e bons que foram, serem usados como armas de arremesso para uma \"operação plástica\", quando assistimos a verdadeiras \"mbaias\", mais perigosas do as do motorista que pisca à direita, para em seguida virar à esquerda, com o intuito de encobrir a falta de seriedade, de profissionalismo, de improviso, perpetrada por determinadas figuras caricatas, que com acentuada arrogância e prepotência, tomam decisões como só elas soubessem fazer desporto. É que colocam à margem umas e quantas outras vezes de quarentena, os fazedores do desporto nacional, que muita falta fazem ao métier!
O desporto é um bem essencial, em qualquer país, afecta o presente e o futuro das novas gerações para o bem, e da sua qualidade de vida, porque sabemos todos que o desporto não só faz bem ao coração de quem o pratica, também, para adrenalina de quem assiste directa ou indirectamente.
Penso, que há muito tempo devia tocar a campainha, para reunir todos e dizer que já não há festa. Isso, devia começar, ironicamente, por onde não se devia fazer mais e muitas mudanças. Isto é, no órgão que institucionalmente dirige os destinos do desporto nacional.
Talvez, por uma outra pessoa que perceba da coisa, que tenha o interesse do desporto nacional acima dos interesses de cortesia, de formalidades e \"clientelistas\", que tenha como objectivo construir uma nova cultura desportiva nacional, a começar pela potencialização e capacitação da formação e do desporto jovem.
E, mais importante, é fazer o trabalho de casa, identificar e apostar nas nossas reais potencialidades, e de seguida elaborar e executar um trabalho no presente com os olhos no futuro. Zongo Bernardo dos Santos

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