Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desporto no programa de governo do MPLA(I)

14 de Agosto, 2017
Estamos todos cansados de saber, que Angola vive no mínimo uma situação paradoxal, na área do desporto, devido ao descompasso existente entre o investimento económico - financeiro feito nós últimos 15 anos, provenientes maioritariamente do O.G.E e de instituições públicas e a “miséria” de resultados alcançados e títulos conquistados, tanto em termos competitivos, como em termos de gestão desportiva.

Custa crer, mas já não dá vontade de olhar “para o retrovisor”, nem de perto, nem de longe!
No actual contexto menos bom para os angolanos, no que diz respeito a situação económica e social, é necessário dizer honestamente aos amantes do desporto, de uma forma geral, quais os modelos sustentáveis para sairmos da actual “miséria” desportiva, de “barriga cheia”.

Se levarmos em conta que estamos em período eleitoral e que o amante do desporto, também é um eleitor em potencial, porque não “espremermos” os programas e manifestos eleitorais, apresentados como princípios estruturantes de governação, pelos partidos políticos que concorrem ao referido pleito, no que o desporto nacional diz respeito?

O único que constatei até ao momento, e analisei de trás para frente e de frente para trás, é o do MPLA, também conhecido como “Melhorar o que está bem, Corrigir o que está mal”. (Pois o da UNITA inacreditavelmente nem sequer tem uma vírgula relacionada a propostas ligadas à política desportiva nacional, a CASA – CE faz para mais e para menos uma réplica do programa do partido maioritário, a FNLA, o PRS e a APN….nem sequer dá para …enfim).

No referido programa, podem ser encontrados 17 compromissos assumidos pelo MPLA, para reorientar a política desportiva nacional, nas quais destaco apenas três (3) - sendo que, um abordarei neste artigo e outros dois no próximo artigo, todos de forma sintetizada- por serem áreas do meu campo de estudo e actuação.

Olhemos portanto para o primeiro:
* Promover e assegurar a formação e a qualificação técnica e científica dos quadros e agentes desportivos. Creio que sem procurar, ser vendedor de sonhos, o MPLA procurará por factores endógenos e exogéneos, potencializar e elevar com profissionalismo, o sentido de responsabilidade e responsabilização dos actuais e futuros dirigentes e gestores desportivos, com ferramentas como o marketing, a comunicação, técnica para conquistar patrocinadores entre outros, para que sejam eles mesmos a olhar para o mar de dificuldades, que ainda vem por ai e dizer: este é o caminho, está aqui uma saída, está aqui uma solução.

Nem que seja desta vez precisamos de mudar para melhor, o actual ciclo vicioso------ caracterizado, e aqui parafraseando o conceituado treinador nacional de futebol, Mário Calado, que numa recente entrevista a este diário informativo, afirmou que “os (actuais) dirigentes são políticos, e não têm responsabilidade a nível do amor da própria instituição que dirigem, porque são simplesmente instituições votadas para a recepção de verbas do Orçamento Geral do Estado de uma forma directa ou indirecta, com excepção de um ou outro elemento e isso obriga as pessoas a não verem o futebol (e o desporto, de uma forma geral) de uma forma meramente profissional”--------- para um ciclo virtuoso.

Definitivamente, aqui vale também a promessa do candidato á Presidente da República do partido no poder, de colocar “ o sal na gasosa”, quando por hoje (quase) todas as pessoas ligadas ao desporto são ou pensam que são gestores desportivos, traçando políticas e tomando decisões de duvidosa eficácia, ganhando muito dinheiro para pouca qualidade de trabalho que produzem, arrastando ao descrédito aqueles que de facto, fizeram ou fazem das ciências ligadas a gestão desportiva profissional, sua área de estudo e de trabalho.

O compromisso acima referido, no caso o do MPLA, é tão sério, tão transversal e diga-se bastante ambicioso, no qual vale a pena ficar de “olho”, no que se refere a sua exequibilidade e impacto consentâneo e coerente, que poderá ter numa área muito nevrálgica, que em muito tem condicionado o desenvolvimento do desporto nacional, quando na nossa memória colectiva estão cada vez mais esquecidas, por um lado, e vão até se apagando, por outro lado as referências ligadas ao dirigismo desportivo nacional!
Até ao próximo artigo!
Nzongo Bernardo dos Santos
*GESTOR EXECUTIVO DO FÓRUM MARKETING DESPORTIVO

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