Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desporto no programa de governo do MPLA(II)

21 de Agosto, 2017
Em sequência ao artigo da semana passada, publicado com o mesmo título, analisarei desta feita as linhas gerais de dois (2) dos 17 compromissos assumidos pelo MPLA, para reorientar a política do desporto nacional, depois de no artigo anterior fazer uma síntese de apenas um compromisso.

Apresentado como “Melhorar o que está bem, Corrigir o que está mal”, o programa de governação do MPLA, para o quinquénio 2017-2022, no respeitante ao desporto, inclui os seguintes desígnios: * Melhorar a eficiência e a racionalidade dos recursos aplicados no desporto.

Neste ponto, o MPLA mostra ter consciência que o actual modelo de financiamento do desporto nacional, inteiramente dependente do Orçamento Geral do Estado, não só precisa de ser reestruturado, assim como equacionado para uma melhor gestão da coisa pública.
Tanto quanto sabemos, as Federações e clubes nacionais não se podem considerar uma “ilha”, (se é que exista alguma) pois, a maioria (senão todas) já receberam quantias avultadas de dinheiro canalizadas quer através do O.G.E bem como de empresas públicas, para um melhor desempenho do desporto nacional.

Só que esse dinheiro não serviu todo para o desporto nacional, porque não se divulgou, nem se publicou contas e suas respectivas demonstrações financeiras.

Sem tirar o mérito aos avultados e significativos investimentos feitos pelo governo angolano, em equipamentos e infra-estruturas, e salvo algumas e raras excepções, creio que o MPLA tem pleno e total conhecimento de que também chegou a vez dos dirigentes e agentes desportivos passarem a “matar a cobra e mostrar o pau”, definindo e colocando em acção um sistema coerente de financiamento para o desporto nacional.

E, creio mais do que tudo, que neste quesito o MPLA vai juntar a “fome com a vontade de comer”, proporcionando um “casamento perfeito” entre o desporto e o empresariado, a julgar pelo compromisso apresentado no programa de governação que analisarei a seguir.

* Incentivar a participação estruturante do patrocínio privado no desporto. Nesse quesito sente-se a profunda preocupação do MPLA pelo desporto nacional, como um dever público e por detectar um enorme vazio em termo de legislação desportiva actualizada, com os actuais padrões internacionais de envolvimento e relacionamento entre o desporto e o empresariado.

Se é que as empresas, quer seja nacionais ou internacionais privadas, estejam interessadas em apostar em patrocínios para o desporto nacional, e seu consequente retorno numa lógica de investimentos feitos. É natural que existam políticas atractivas em termos de ambiente de negócios e de responsabilização.

Afinal, já não é novidade para ninguém, que o patrocínio no desporto é a principal ferramenta de marketing no desporto, que implica diversas vantagens das quais destacamos o optimismo das mensagens ligadas ao desporto; a receptividade em massa do público; o crescente interesse da media por assuntos ligados ao desporto; a alargada e abrangente projecção de imagem das empresas que investem no desporto, junto da imprensa e do público em geral.

Para o efeito, é indispensável que se crie um ambiente para a produção de material legislativo e legal sobre o marketing desportivo, com LEIS que mexam, dinamizem, e dêem uma perspectiva e visão comercial para o desporto nacional, para que o empresariado privado nacional e estrangeiro opte com total confiança em investir e envolver-se no desporto nacional, não só a colocar o dinheiro, mas a transmitir experiência em organização e gestão, para que num período de curto prazo ajudem as agremiações desportivas a transformarem-se em sociedades desportivas economicamente independentes. Enfim, resta-nos aguardar para saber os efeitos políticos das promessas.

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