Jornal dos Desportos

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Opinio

Destruir a histria do basquetebol

21 de Outubro, 2019
Cada dia é pior do que outro, no basquetebol nacional. Depois de uma desastrosa prestação no Mundial, por culpa, inteiramente, do presidente da Federação Angolana de Basquetebol; que inventou o conceito de seleccionador não residente, agora o campeonato não arranca por falta de acordo com os árbitros. Ou seja, não se sabe onde nem como pagar os árbitros. Como pode uma modalidade, referência africana, ser mal tratada deste modo? E, pior, parece haver convivência das pessoas do basquetebol, que assobiam de lado, mantém-se caladas como se tivessem todas medo de criticar o presidente da Federação Angolana de Basquetebol. São elas que construíram a hegemonia que o basquetebol apresenta no continente, não são capazes de a defender. É como se estivessem todas hiponetizadas. A reacção à desastrosa prestação no Mundial foi tão ténue, tão silenciosa como se estivessem receio de perderem qualquer coisa. Aliás, o facto de consentirem que o presidente contratasse um seleccionador, que não acompanha a prova doméstica, não tem em conta o rendimento dos atletas, foi um sinal de que tudo agora é permitido. O presidente da Federação Angolana de Basquetebol está a insultar todo um esforço, de pessoas que dedicaram as respectivas vidas em prol do basquetebol. O basquetebol não começou com a sua chegada à direcção da Federação. Há uma história que ela carrega, construída por pessoas que ainda aí estão. Esta história precisa ser respeitada. Quem se propõe a colocar a sua pedra nesta história, precisa respeitar os valores encontrados. Ouvir muito os que a construíram. Infelizmente, não se sente isso do presidente da Federação Angolana de Basquetebol. Parece haver da parte dele a ideia de que está a fazer um favor, ao basquetebol e aos angolanos. No entanto, este momento pode ser uma boa ilação para os senhores que votam no basquetebol. Não basta apostar em quem tem dinheiro ou outro estatuto qualquer. O basquetebol precisa de pessoa comprometida, que sente na pele a modalidade e mais do que isso engajado a manter a sua história. Não é isso que se assiste hoje. Teixeira Cândido

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