Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Deus joga futebol...

25 de Maio, 2019
Deus é bom. Deus é fiel. Fiel a tal ponto de proporcionar a final, que temos hoje para a Taça de Angola entre o 1º de Agosto e o Clube Desportivo da Huíla (CDH). Não é em vão, que se diz que Deus escreve direito em linhas tortas. Ele é mesmo o soberano. Aliás, não pode ser encarado como em vão, o facto Dele (Deus) ter destinado que o final da Taça de Angola, para este dia 25 de Maio, fosse entre estas duas equipas.
Isso para dizer que, depois do jogo entre estas duas formações, a contar para a jornada 17 do Girabola 2018/2019, que se saldou num empate a três bolas e que, em consequências de suspeitas, provocou imensos alaridos, que fez com que o órgão reitor do futebol nacional constituísse uma comissão de inquérito, para averiguar os factos.
O máximo que se conseguiu (como meio termo) foi culpabilizar as duas equipas com a retirada de três pontos. Mesmo com o recurso do 1º de Agosto ao Conselho Jurisdicional da Federação Angolana de Futebol (CAF), este foi julgado improcedente e acabou perdendo a causa. Na verdade, o caso fez correr imensa tinta. Ou seja, provocou muitas abordagens, debates, análises em que alguns chegaram a aludir, que a verdade desportiva quase ficou arranhada. Quase, porque ninguém conseguiu provar se, de facto, ou “de jure”, houve combina, para que os huilanos não vencessem os militares do “Rio Seco”. Este foi praticamente o caso da prova.
Por incrível que pareça, o destino, curiosamente, proporcionou que, mais uma vez, estas duas equipas se pudessem cruzar caminho. Desta vez para a final da Taça de Angola, a ser disputada hoje no Estádio 11 de Novembro. Um jogo. Uma disputa. Um desafio. E isso, digo, graças à Deus!
Graças à Deus porque, perante todo alarido que se produziu no jogo anterior, o destino “força” um novo confronto, onde as competências dos dois contendores serão provadas. Avaliadas. Terão de ser provadas. Em campo. Assim ficarão igualmente nulas todas as suspeitas, que se tinham de duas equipas que se dizem “irmãs”, por alguma razão (!)
Por todos esses “condimentos”, solicitei ao Sérgio Vieira Dias, meu companheiro nestas abordagens à duas mãos, que mudássemos o tema anteriormente programado, para abordarmos, por este. Por ser mais interessante. Mais atractivo e talvez por contagiar melhor a audiência. 1º de Agosto e CDH jogam a final da Taça de Angola, porque Deus permite, que ambas talvez se possam redimir e provar à massa associativa respectiva, que cada uma delas é autónoma o suficiente, para ambicionar o que quer, de “per si”.
O destino é tão “incrível” (as aspas são propositadas), que proporciona essa oportunidade às duas equipas, como forma de mostrarem, que não houve nada de combinações nem intimidações no jogo do campeonato. O que há é apenas semelhança dos patrocinadores que, em situações pontuais, apoia igualmente o CDH, que sobrevive igualmente das “dádivas” de outros patrocinadores. Aliás, o único Clube Central das Forças Armadas Angolanas (FAA) é o 1º de Agosto.
O Clube Desportivo da Huíla tem hoje o “prémio” mais do que merecido, de disputar a final da Taça de Angola, depois de fazer um brilharete no campeonato, onde conseguiu o inédito terceiro lugar. Na sua trajectória, até chegar a final desta tarde, afastou adversários de peso como o Kabuscorp do Palanca, o Sagrada Esperança da Lunda-Norte e, nas meias-finais, o Interclube. Portanto, como se pode notar, a equipa de Mário Soares está capacitada e tem argumentos técnicos e tácticos, para tentar atrapalhar o favoritismo do seu adversário.
Por seu turno, a equipa do “Rio Seco” teve bons testes com o Progresso do Sambizanga e, na passada quarta-feira, com o seu “arqui-rival” o Petro de Luanda. Nas duas partidas venceu e convenceu os seus adversários. Aliás, o potencial demonstrado durante toda época futebolística, em que ninguém o conseguiu vencer, espelha bem o seu quilate e o estado de ânimo com que vai encarar o jogo da final. Pretende fazer a chamada “dobradinha”. Mas, para isso, terá que vencer o Desportivo da Huíla na final de hoje…
Tudo está em aberto. Quer o D’Agosto como os rapazes de Mário Soares estão já apurados para as Afrotaças. Jogarão pelo orgulho da camisola que vestem e honra do futebol que praticam. O 1º de Agosto quer demonstrar que é o maior e recuperou a hegemonia. O CDH quer provar que teve uma época de sonhos e, por isso, almeja regressar com a Taça de Angola, às terras altas da chela. Por isso, os dados estão lançados para um jogo bom, sério e competitivo, porque Deus proporcionou mais uma partida entre ambos, para que o país do futebol saiba, que a verdade desportiva entre nós impera e que Deus é fiel e bom, pois parece que também joga futebol… Morais Canãmua

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