Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Dever cumprido

07 de Julho, 2015
Um jogo de futebol é para mim, sempre, uma aposta de tripla. Nunca há favoritos e quem está pior até costuma vencer. Este cliché, tantas vezes repetido, acaba quase por passar como uma verdade absoluta. Contudo, a realidade é muito diferente e ganha mais vezes, quem está realmente melhor. Aliás, basta ver o passado recente para o comprovar. Não só em relação às equipas nacionais como também no estrangeiro.

Por isso, embora tivesse sempre o devido respeito pela selecção da Suazilândia, os Palancas Negras estavam de longe obrigados a vencer. No futebol, tudo pode acontecer, é certo, mas perder para a Suazilândia em casa era um rude golpe para a Selecção Nacional, que os adeptos iam ter dificuldades de perdoar.

No futebol, como em tudo, a inteligência das acções define parte do sucesso das mesmas. Saber o que escrever é tão importante como saber escrever. Saber fintar é tão importante como saber quando fintar. Ao treinador, cabe a responsabilidade de ensinar aos jogadores como fintar (se eles ainda não sabem, tal como nas camadas jovens) e quando fintar (a criar situações onde o contexto pede para fintar ou não fintar, ajuda o jogador a decidir qual a opção a seguir).

A vitória, sábado, no 11 de Novembro, veio confirmar o favoritismo dos Palancas Negras, que nos primeiros 90 minutos regressaram com um empate com sabor a vitória. Contudo, apesar da vitória no somatório dos dois jogos (4-2), foi visível que temos ainda muito trabalho pela frente.

Uma realidade que deve servir de alerta ao combinado nacional, não no contexto de comparação com o valor de ambos os conjuntos, mas na perspectiva de encarar o próximo adversário, no caso a África do Sul, com uma determinação diferente daquela exibida em Mbambane e mesmo em Luanda.
Outro factor essencial, para este conjunto de sucessos, foi o contributo da nova coqueluche do futebol nacional: Gelson. A actuar, por regra, numa zona mais adiantada do terreno, o “camisola 8” abriu e fechou esta série com dois golos. Um dos poucos que não oscilaram.Digo isto, porque apesar de deixarmos pelo caminho a Suazilândia, a exibição não foi das melhores. Tivemos altos e baixos.Temos de reconhecer. E não sou o único a dizê-lo. Mais do que a exibição, valeu o resultado, que nos coloca na última eliminatória.

Depois dos 40 dias de trabalho, sempre pensei que a selecção fosse capaz de mais. Que demonstrasse um melhor entrosamento e não cometesse muitos erros, principalmente, no eixo da defesa. Em meu entender, aqui é que reside o grande handicap dos Palancas Negras.O próximo adversário, chama-se África do Sul, que no histórico entre as duas selecções leva vantagem. Nos oito jogos realizados entre si, os sul-africanos venceram cinco e perderam três, o último dos quais no amigável disputado na cidade do Cabo, no passado dia 16 de Junho.

Contudo, o histórico não é sinónimo de vitorias ou de derrotas antecipadas. É só para dizer que se trabalharmos bem, vamos também deixar pelo caminho a África do Sul. Caso contrário, podemos ser nós a ficar pelo caminho. Romeu Filemon mostrou nos jogos realizados sob seu comando, que é um treinador capaz de organizar uma equipa competitiva. Com o tempo, esse trabalho tende a melhorar. Embora com poucos jogos, já se percebe uma boa evolução em relação ao passado de insucesso.

Se é verdade que Filemon tem a experiência e qualidade técnica para se afirmar no comando técnico dos Palancas Negras, também é um facto que o técnico não faz milagres, e a fase final do CAN e do CHAN são os grandes objectivos da Federação Angolana de Futebol, tudo vai depender do estado de graça do técnico, do seu staff e dos jogadores. Por outras palavras, o órgão reitor do futebol nacional tem de cumprir com as obrigações. Isto é, ter os salários em dia.

Vencer a África do Sul, na primeira mão, fora de casa é fundamental para que as portas, uma vez mais, numa fase final do CHAN se abram para os Palancas Negras, mas igualmente determinante para dar sequência aos ligeiros sinais de retoma exibidos nos últimos jogos.Disse alguma coisa errada? Penso que não. Mas se assim o entenderem, peço as minhas sinceras desculpas. É a minha opinião. Espero que respeitem. Até terça-feira.
Policarpo da Rosa

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