Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Devia servir apenas para treinos das equipas

26 de Julho, 2016
Entre o princípio da década de setenta vi também os alicerces da Cidadela Desportiva a serem erguidos bloco a bolo, argamassa, betão e ferro. Depois do seu confisco pelo Estado angolano sonhei com uma impotente infra-estrutura desportiva. Na verdade até é, porque tem capacidade para 65 mil lugares. Só não gostei dos dias em que quer a Confederação Africana de Futebol quer a Federação Internacional de Futebol Associado interditaram a sua utilização por falta de condições em muitas das suas áreas.

É o segundo anel que apresenta sinais de fissura. São os balneários em maus estado, são ainda a inexistência de outras condições de segurança. Digamos que, sem subestimação, temos aí uma espécie de gigante com pés de barro. E , eventualmente, um dia alguma outra tragédia vir a acontecer lá a culpa, a responsabilidade têm de ser apenas imputadas não só à entidade que tem, a sua gestão, mas também ao Ministério da Juventude e Desportos.

Digo se vir a acontecer porque o mesmo está a ser utilizado também para os espectadores. E se assim acontece é porque houve a aprovação técnica e administrativa.
Há quem diga que dada às alterações que já sofreu desde que em 1976 o Estado confiscou-o da Sical, o estádio devia apenas servir para treinos das equipas que o alugassem.

Neste particular penso que quem tem a gestão do complexo persegue, em termos de rentabilidade, ganhos financeiros, cobrando valores aos olhos da cara às equipas. À boca pequena diz-se que chega a custar Akz 189.750.00 (cento e oitenta e nove mil).

Em 2013 houve lá aquela tragédia com um monte de mortes na noite de vigília organizada Igreja Universal do Reino de Deus. Estavam na altura perto de 250 mil fiéis - mais do que o triplo da capacidade do estádio uma"maka" que meteu investigação e tribunais pelo meio, mas, enfim, em voltou a abrir as portas para jogos oficiais do Girabola.

E é por esta razão que disse atrás o seguinte: se eventualmente, um dia, alguma outra tragédia acontecer a culpa, a responsabilidade têm de ser apenas imputadas não só à entidade que tem a sua gestão, mas, também, ao Ministério da Juventude e Desportos que tem a tutela do local.

Desde aquela data é a casa dos jogos oficiais do Progresso do Sambizanga e do Atlético Sport Aviação. O Petro de Luanda actuava igualmente lá, mas, já preferiu, em bem, o estádio 11 de Novembro. Sei que em tempos a gestão daquele sitio pretendia alugar para jogos nocturnos. Só não aconteceu porque faltou ou falta geradores potentes para fornecer energia, isto é que suporte o arranque das torres de iluminação.

Fez bem o Conselho Técnico da Federação Angolana de Futebol não forçar a barra neste sentido. Bom seria mesmo não voltar em 2015 dar luz verde para que só fosse para jogos com 25 mil lugares. Mas no segundo anel que está acima da tribuna ficam perigosamente 80 assistentes da categoria vip e nos camarores 40.

Há quem defenda hoje que o estádio deve ser demolido na totalidade, dando-lhe outro destino. Se esta for a sugestão ideal, eu penso que o Governo tem que actuar de forma serena e também séria, porque todos sabemos que nestas ocasiões há muitos interesses em jogo.

Essa entidade que não se deixe contornar por interesses que podem movimentar-se no senitodo de determinadas pessoas se apegarem a um eventaul projecto avaliado em demolição de milhões e milhões de dólares, aproveitando ganhar dinheiro com ele.

E se um dia a solução - já com tudo abaixo - for para a edificação de um outro estádio, então que seja menos oenroso que os do CAN de 2010.
Não se poderá entregar a responsabilidade de realizar obras a quem não tenha experiência e muito menos vocação.

António Félix

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