Jornal dos Desportos

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Opinio

Devolver o basquetebol aos seus

14 de Outubro, 2019
Ver um clássico do basquetebol nacional hoje as vezes dói. Continua a ter alguns bons executantes é verdade. Carlos Morais,Valdelicio, Armando Costa e uns poucos são ainda os tais que nos mantém nos sofás. No entanto, vivemos uma crise aguda de talentos. Encontrar um triplista hoje com uma média próxima as de Victor de Carvalho, Herlander Coimbra, Aníbal Moreira ou Lutonda parece um milagre. Terão sido os últimos? A prestação do \"Cinco Nacional\" no último mundial merecia grandes reflexões, discussões alargadas e prolongadas, mas ao que parece os senhores do basquetebol encaixaram como um resultado normal e do qual já andavam à espera. Só assim se compreende o silêncio. A naturalidade como reagiram ao resultado que a nossa memória recusa registar. O basquetebol precisa de reiniciar. Recuar para as fórmulas que resultaram até aqui. Sendo mais directo: os frutos da formação não estão a ser sentidos nas principais equipas. Os dois grandes continuam ébrios com as contratações, com a cabeça virada para os americanos, que acabam depois por não ajudar a nossa selecção. É precisamente este o pretexto da nossa opinião. É muito bom que Jean Jacques tenha sido contratado pelo 1° de Agosto para trabalhar com os postes, jovens em particular. É uma iniciativa que devia ser replicada. Miquel Lutonda e outros grandes ex-atletas podiam trabalhar especificamente atletas nas posições em que se destacaram. Se a aposta for séria e rigorosa, dentro de alguns anos voltamos a nos impor no basquetebol africano. Por agora temos de nos contentar, que já não temos a voz de comando que possuíamos, mais ainda com a actual direcção da Federação, que não quer nem gosta de ouvir as pessoas. Tem no seu seio pessoas experimentadas, que contribuíram em várias frentes para o historial de resultados que o \"Cinco Nacional\" reuni. Conhecem qual é a formula. Precisam apenas ser ouvidos e levados em conta. De outro modo, os melhores do basquetebol nacional serão sempre os estrangeiros. O 1° de Agosto ressentiu a ausência de Quezada. Quem diria? Este é reflexo da qualidade do basquetebol angolano hoje. Apesar de possuir três ou quatro atletas a militarem no estrangeiro, não acredito que possam fazer muito. Porque a nossa vantagem foi sempre termos um leque de atletas a actuar no campeonato doméstico. O basquetebol precisa ser devolvido aos seus. Os vice-presidentes dos grandes clubes precisam sossegar, esquecer por enquanto as contratações. Ir buscar os melhores treinadores para os escalões de formação. Foi isso que nos permitiu construir a presente hegemonia. Está tudo inventado. Basta imitar e adaptar ao contexto.
Teixeira Cândido

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