Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Teixeira Cndido

Devolver sossego aos Palancas Negras

09 de Dezembro, 2017
É de vez? Essa é a pergunta que se coloca depois da Federação Angolana de Futebol (FAF) ter apresentado ontem a nova equipa técnica das selecções nacionais, liderado por Srdjan Vasilejeviç. As saídas e entradas de treinadores desde Hervé Renard legitima a dúvida.
Hervé Renard bateu com a porta faz seis anos, e desde essa altura os Palancas Negras conheceram cinco treinadores, razão de um por ano. É insustentável para qualquer selecção que se quer equipa, e com bons resultados desportivos.
As razões que explicam esse carrossel de treinadores são incontáveis, porém duas estão no topo: dificuldades financeiras e organizativas. É por aqui que a direcção de Artur Almeida deve começar a trabalhar, se quiser devolver o sossego aos Palancas Negras.
Quanto aos treinadores, não se conhecendo com profundidade o seu trabalho, resta-nos fazer considerações tendo em conta a origem dessa equipa técnica. A metodologia dos treinadores sérvios tem sido bem recebido no futebol nacional, quer no âmbito das equipas como das selecções nacionais. Aliás, Dusan Kondic é co-responsável da maior conquista do futebol nacional, CAN-20.
Outro exemplo prende-se com o trabalho (efémero) desenvolvido por Maksimovic no Petro de Luanda. Foi por sua conta que o central Bastos não viu a carreira comprometida. Contra todas as previsões, Maksimovic assegurou o jogador naquele clube, quando já estava praticamente dispensado.
Muitos não conseguiram ver nele talento, mas o treinador sérvio garantiu que havia em Bastos talento para dar e vender. Regressou por isso a equipa principal do Petro, brilhou e se transferiu para o campeonato russo. Não cabendo no futebol daquele país, Bastos é hoje titular da Lázio, num dos grandes campeonatos da Europa. É contudo o trabalho desenvolvido na equipa do Petro de Luanda, valorizando jogadores da formação e a qualidade do futebol praticado por esses miúdos que se ressalta na primeira passagem do treinador Maksimovic.
Por conhecer parte dos jogadores que constituem hoje a base dos Palancas Negras, Maksimovic pode ser por isso um bom cicerone para Vasilejeviç. Espera-se igualmente que os jogadores de formação das mais diversas equipas tenham com a presença dele na Selecção uma janela de oportunidade.
Não podia haver melhor escolha em face das dificuldades financeiras e de um trabalho estruturante. A reticência pode estar no tempo de duração do contrato (dois anos), olhando para o volume de trabalho que há nas selecções nacionais. É no entanto uma questão acessória, que não merece nos consumir calorias.
O importante mesmo é ter-se conseguido uma equipa técnica com largas possibilidades de fazer um bom trabalho à frente da equipa nacional nos futuros compromissos internacionais.

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