Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Dia de descanso

29 de Junho, 2018
Observa-se hoje o primeiro dia de descanso no Campeonato do Mundo de futebol. Trata-se de uma pausa da praxe, no desfecho de uma fase do torneio e começo de outra. Em bom rigor, poder-se-á dizer que a prova cumpriu metade do seu percurso. Ao menos das 32 selecções que, a 14 do presente mês, estiveram na grelha de partida, metade regressa a casa e outra continua em competição.
Para trás ficaram aquelas que se revelaram permeáveis ou, se calhar, menos sortudas, se tivermos que fazer uma leitura séria, honesta e desapaixonada. Há equipas eliminadas que pelo futebol e pela exibição apresentada não mereciam a desdita que tiveram. Mas, as coisas já aconteceram e sequer estamos aqui para nos colocarmos na pele de advogado do Diabo.
A pausa de hoje tem, igualmente, a particularidade de remeter as equipas, que continuam em prova,numa avaliação séria daquilo que fizeram até aqui, e, na sequência das ilações que possam, eventualmente, tirar, poderem melhor equacionar não só os oitavos-de-final mas o resto da prova, sendo um dado adquirido que, quem tem ambição de conquista no que faz, pensa mais para lá.
Realmente, quem chegou aos oitavos-de-final, deve se vangloriar por ter passado por um verdadeiro teste de fogo. A primeira fase não foi \"papa feita\" para a maioria das equipas. Com algumas excepções, todas jogaram de calculadora à mão até à última jornada, em face da entrega e da determinação evidenciadas pelas equipas em diferentes agrupamentos.
Daí que, quem tenha logrado atingir a fase que amanhã começa, pode estar na razão de pensar mais para lá, de acreditar inclusive no título, embora verdade seja dita, algumas conseguiram a qualificação não tanto por mérito, mas levados às costas, numa clara incongruência que, infelizmente, o futebol ainda continua a proporcionar.
Com o árbitro em campo e o VAR, ora entendidos ora desentendidos, algo vai dizendo que, neste campeonato, ainda assistir-se-á a muito \"teatro\" até chegarmos à final do dia 15 de Julho. Ocorrem muitas situações rocambolescas, que chamam a atenção de todos, mas ajuizadas de forma diferente, sendo que jamais o discurso há-de ser consensual entre o beneficiado e o prejudicado.
Os oitavos-de-final, que não conferem margem mínima de erro a nenhuma equipa, exigem da arbitragem maior sentido de responsabilidade e espírito de ajuizamento imparcial. Esperamos bem que o dia de hoje, sirva também para a Comissão de Arbitragem da FIFA analisar melhor o que foi o desempenho dos seus filiados durante a primeira fase. Também ficamos por saber os critérios para o recurso ao VAR.
De resto, vimos situações em que o árbitro em campo pura e simplesmente ignorou o VAR. Aconteceu, por exemplo no primeiro jogo do Brasil, em que foi validado o golo da Suíça num acto, que pareceu a todos, claramente faltoso. O autor do golo só chega ao êxito, empurrando pelas costas um defesa brasileiro(Miranda). Quando é que o recurso a este novo \"parente\" do futebol se impõe e quando é que não.
Vamos então preparar os corações para esta fase dolorosa do campeonato que se avizinha, que deve ser, desde já, tomada como imprópria para cardíacos. Se o primeiro turno fez a razia que fez, com base nos dados disponíveis, estamos longe de prever o que poderá acontecer a partir de agora.
Como \"caixa-alta\", a prova chega aqui com o campeão fora do circuito. A Alemanha revelou-se impotente e ficou pelo caminho. Não é, em toda linha, algo que espante, tendo em conta que a Itália, em 2010, ficou na primeira fase, sucedendo o mesmo com a Espanha, em 2014. Pode ser sina dos campeões. Hoje não há futebol. Aproveitamos também nós, que cá fora rejubilamos com a exibição dos \"artistas da bola\" na arena , cuidar das nossas vozes sofríveis. Bom descanso a todos.
Matias Adriano

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