Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Dias difceis no ASA

27 de Maio, 2016
Os sócios, adeptos, simpatizantes, amigos e pessoas de boa vontade, devem arranjar formas no sentido de contrapor os indicativos que dão conta que o desporto no Atlético Sport Aviação (ASA), com principal incidência para o futebol, poderá conhecer dias bastante difíceis, em função das medidas de contenção de gastos, que o Conselho de Administração da TAAG, a principal patrocinadora do clube, decidiu implementar em todos os seus sectores.

Não constitui um dado novo que o ASA, tem-se debatido com problemas de âmbito financeiro, agravados desde que a companhia de bandeira nacional (TAAG), iniciou uma parceria com a sua homóloga dos Emirados Árabes Unidos, que encetou uma nova política económica na empresa.

O ASA, um dos clubes mais tradicionais de Angola, cuja história se confunde com o nível de evolução e desenvolvimento do desporto angolano, e que num período não muito longínquo, atingiu o pódio do futebol nacional, com a conquista de três títulos no Girabola e algumas taças de Angola e super - taças, pelo que tem produzido, em função das dificuldades financeiras, constituiu-se em motivo de preocupação dos seus sócios e adeptos, assim como outros agentes desportivos, que temem pelo pior. O ASA, é um clube, cuja história remonta aos anos sessenta, onde sob os auspícios da DTA, ex Direcção dos Transportes Aéreos de Angola, na modalidade de futebol, sagrou-se tri-campeão do então “provincial” de Angola.

Ao tempo, no ASA, cuja empresa de tutela, materializando uma das suas acções de carácter social, para além dos prémios de jogo e outros benefícios decorrentes da actividade futebolística, oferecia aos atletas, formação profissional e emprego na DTA. Joaquim Dinis “Brinca n’Areia”, que brilhou no Sporting e na Selecção de Portugal, Justino Fernandes, José Luís “Comandante” Prata, Domingos Inguila, Cerqueira, Armandinho, Prado, entre outros, eram os atletas que faziam as delícias dos amantes da modalidade.

No período pós – Independência Nacional, o clube do aeroporto, no basquetebol masculino e no andebol feminino, embora de forma efémera, também inscreveu o seu nome na história do desporto nacional. Hilário de Sousa, Didi e “Nacibe”, na bola ao cesto, Palmira Barbosa, várias vezes melhor atleta africana e Nair de Almeida, no andebol, destacaram-se naquelas modalidades.
As pessoas de vontade, tendo em linha de conta que uma quantidade assinalável de sócios do ASA, possui mais do que sessenta anos de idade, por terem abraçado o clube na época colonial, devem unir-se para que o desporto, principalmente o futebol, cujos alguns atletas oriundos das suas escolas de formação, nos anos oitenta, orientados pelo carismático Carlos Romão, trouxeram para o país, o maior feito além-fronteiras, quer nas competições africanas a nível de clubes e de selecções nacionais. A selecção de sub-20, que em 2001, na Etiópia se sagrou campeã africana e no mesmo ano tomou parte no Mundial, na Argentina, passaram pela mão de Carlos Romão, à época responsável pelos escalões etários da agremiação. Pelo ASA, que devido a sua localização geográfica, teve uma influência positiva no domínio sócio-cultural no seio das populações, ao angariar crianças e jovens, das áreas do “Mártires de Kifangondo”, Calemba, Cassequel, Prenda, Catambor e Cassenda, para a prática desportiva, no período a seguir ao 11 de Novembro de 1975, sob o comando técnico do “feiticeiro negro” ou “velho do Cachimbo”, como era conhecido o “mágico” treinador” Chico Ventura, destilatarm o aroma do perfume de bem tratar a bola, nomes como Geovety, Eduardo Machado, Matias, Rosinha, irmãos Catarino e irmãos N’Disso, Maló, Chinguito, Coreano, Tó-Zé “Kafuringa”, Juca, Rui Gomes, Lutandila, Zola, Jújú e Sabino.

Dizem os mais velhos que fizeram época naquele tempo, que até nos dias que correm, no futebol angolano, contam-se pelos dedos de uma mão, os dianteiros que como “Kafuringa”, colocam os defesas em “palpos de ranha”, a jogar no limite de fora-de- jogo, do extremo (agora designado por ala) da estripe de Lutandila, dos mais difíceis a ser desarmado com a bola junto a linha, ou dos médios da estatura de Juca, Eduardo Machado e Geovety, cujos passes em profundidade de 30/40 metros constituíam problemas para as defesas contrárias, e Sabino, cujas faltas cobradas por si, à entrada da área adversária, era meio golo. E que dizer de Rui Gomes, o defesa “carrula”?

Os adeptos, sócios e amigos do ASA, nos quais, se incluem alguns elementos da nomenclatura nacional, ao que se sabe, constituída maioritariamente por gente dinâmica e capaz, têm uma palavra a dizer. Os “cidadãos do ASA”, como fazem questão de se assumir, não devem ficar impávidos e serenos a ver a banda a passar.
Leonel Libório

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