Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Digam que marketing desportivo queremos?

24 de Junho, 2019
Apesar de ter sido dos assuntos mais badalados da época desportiva transacta, certamente vai continuar a fazer correr muita água por debaixo da ponte (que no caso é o Girabola -Zap), na época desportiva que se avizinha, a verdade é que se olhou e continua a olhar para questão dos dinheiros provenientes dos direitos de transmissão televisivos dos jogos do Girabola-Zap, como um problema cuja solução tem duas maneiras de ver e resolver, uma é de baixo para cima, outra que passa pelo sentido inverso, isto é, de cima para baixo.
Em minha opinião, a questão dos direitos de transmissão televisivos dos jogos, por mais que se faça uma romaria até a rádio 5, com comentários a defender um, ou outro ponto de vista, serão só e apenas uma etapa para que de uma vez por todas, ocorram as mudanças aguardadas, na maneira de gerir e administrar, o maior campeonato que o desporto nacional, até ao momento conhece.
Falta, aos clubes hoje, sejam eles os gloriosos, os maiores ou os mais pequenos, uma abordagem profissionalizada de suas marcas e do futebol angolano como um todo, com um projecto mais amplo do que façam parte a Federação Angolana de Futebol e a Zap, como detentora dos direitos de transmissão dos jogos. É preciso, e é necessário, que definitivamente se mude, primeiro de foco.
Antes de reclamar os dinheiros, que por direito devem ir parar aos cofres, por causa das transmissões televisivas, a maioria dos clubes em Angola, senão todos, devem investir na própria marca, para o efeito devem fazer um bom trabalho de (re)branding, para chamar a atenção do mercado, quer seja o empresarial, bem como o corporativo.
Principalmente, nesta fase em que mercado angolano foi apanhado em cheio pela retracção económica, os clubes nacionais precisam de ser mais criativos, em vez de serem mais exigentes para com os Governos províncias, de uma maneira particular e com o Estado de maneira geral.
Por um lado, todos sabemos que o país atravessa um ambiente macroeconómico muito sensível.
Ninguém consegue, pelo menos sussurrar, para no mínimo não dizer soletrar, quanto o desporto nacional contribui para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Por outro lado, o mercado publicitário, as agências e os próprios anunciantes, estão à deriva, porque não conseguem perceber o retorno de um eventual investimento feito no futebol nacional, principalmente, o vulgo de primeira água, como é considerado por muitos, o Girabola.
Avançar, neste momento, para um projecto que é a liga profissional de futebol, envolve riscos bem calculados.
O curioso é que, sendo esta uma realidade muito óbvia, poucas pessoas tem consciência dela. Aliás, faz-me espécie avançar para uma liga, se não existe união entre os clubes em Angola! Os clubes em Angola estão todos misturados, mas não estão todos juntos! Só isso, torna todo o processo mais difícil.
Não é por mero acaso nem tampouco por pura semelhança com a coincidência, que estamos a perder o espaço para a liga sul-africana, zambiana, nigeriana, queniana, ugandesa, tanzaniana que tem suporte financeiro da SuperSport e os seus jogos são transmitidos, um pouco por todo o continente africano.
Sem uma abordagem profissional, no contexto de um projecto bem montado, que envolva temas como marketing, comunicação, calendários, recintos de jogos adequados, entre outros condimentos, as equipas angolanas vão continuar a serem pequenas demais, em relação aos “papões” e clubes emergentes do nosso continente.
Outro aspecto, que deixa em mim e a tantos outros amantes do desporto-rei cépticos, em relação à introdução, para já, da liga de futebol profissional, é a falta de visão e de criatividade que veio para “morar” no futebol nacional e esta não perdoa. E, lá na frente, nos hão de cobrar pelo “aluguer” de valores muito caros e altos!
Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo
Zongo Fernando dos Santos

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