Jornal dos Desportos

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Opinio

Dinheiro para a FAF e documentos falsos

29 de Setembro, 2017
Nesta semana gostei de ter anotado dois factos que têm que ver com o nosso futebol. Em primeiro lugar foi a posição assumida há dias pelo presidente da Federção Angolana de Futebol, Artur Almeida, descartando a hipótese aventadas de o nosso País chamar a si a organização da fase final do CHAN de 2018 e que a aposta é a formação de novos jogadores e, em segundo lugar, ter ouvido um ex-dirigente do Progresso da Lunda Sul a sugerir que a federação comparasse a autenticidade da assinatura que o atleta Hervé tem aposta no contrato... e na sua licença.
Bom, quando ao primeiro assunto, o presidente da federção também sublinhou que os planos dos Palancas Negras no referido CHAN são inalteráveis, nomeadamente, obter uma boa classificação. A minha questão é esta: há garantias seguras de haver dinheiro para óptimas condições de preparação no País e estágios no exterior?
É que, até onde sei, a Federação Angolana de Futebol (FAF) está a enfrentar dificuldades para conseguir dinheiro suficiente para os Palancas Negras que, bem vista as coisas, estarão envolvidos não apenas nesta frente competitiva que se chama CHAN, mas também na do CAN de 2019 nos Camarões..
A verdade é que, neste momento a FAF e o Ministério da Juventude e Desportos ainda não confirmaram, pelo menos publicamente, nem milhões de dólares nem em moeda nacional para tais fins e, justamente por esta razão que, do sucesso da equipa de todos nós, não se poderá projectar antecipadamente excelentes condições de preparação.
Há, por assim dizer, mais ideias no papel do que propriamente garantias para o seleccionador nacional Beto Bianchi ficar sem termer dificuldades na \"hora\" do arranque da preparação.
Estas dificuldades financeiras, não sendo primeiras, têm se reflectido , por exemplo também, no atraso do pagamento de ordenados dos próprio técnico dos Palancas Negras. Já agora, Beto Bianchi e os seus auxiliares têm todos os meses de salários pagos?
O Ministério da Juventude e Desportos que é a ponte pela qual passam as verbas, para chegarem ao destino que é a FAF tem tudo em dia?...
Quanto à questão da documentação de Hervé ( um exemplo apenas, porque poderá haver muitos casos por aí), deixem-me unicamente dizer que, definitivamente, tem de chegar \"hora\" em que a direcção da Federação Angolana de Futebol encaminhe mesmo para as instâncias policiais e judiciais os casos de falsificação de documentos, penalizando os jogadores, treinadores ou digigentes que assim procedam.
É que os poucos passos dados nesta senda, não bastam! Um treinador ou um dirigente que falsifica a assinatura do contrato de um jogador e manda-o à FAF não é grave?
Julgo que se a federação rigorosamente proceder a uma vreificação de assinaturas terá ainda nesta época...por onde segurar o boi pelos cornos.
Eu recordo-me que os clubes da primeira e segunda divisão há poucos anos tomaram três decisões em conjunto que confeririam qualidade às competições de vulto no Girabola, Taça de Angola e Segunda Divisão. A primeira teria a ver com um novo modelo de inscrição de jogadores, num sistema que foi orientado pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), denominado TMS/FIFA.
Será que não está a permitir maior segurança no registo e inscrição de jogadores, evitando adulteração de dados, como nomes, idades e nacionalidade?
Sei que os clubes da primeira e segunda divisão foram informados disso e não podem jamais proceder de forma diferente quando abrissem as épocas futebolísticas. Só que, até hoje, o caso mais flagrante detectado pelo Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF) foi do jogador Saki Ndaka Amisi, então ao serviço do Progresso do Sambizanga, que chegou a estar suspenso por um período de dois anos de toda actividade desportiva, por falsificação de documentos.
Não pode, só ele, ser impedido de se inscrever na secretaria da FAF como cidadão angolano, por ter adquirido de forma fraudulenta o Bilhete de Identidade. Um jogador só podia inscrever-se na FAF com a sua nacionalidade originária ou adquirida, nos termos da legislação em vigor na República de Angola. O resto, é falsificação, é crime.
ANTÓNIO FÉLIX

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