Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Dirigismo desportivo cosido no forro do casaco!

07 de Outubro, 2019
Existe ou não um sentimento cada mais vez crescente e ascendente de (in)gratidão no dirigismo desportivo nacional? É impossível não existir. Porque de alguns anos para cá o desporto em Angola é entendido por muita gente como um meio para destaque e diferenciação social, para não falar económica ou financeiramente.
Mas engane-se se pensar que a (in)gratidão é observada apenas no desporto nacional.
Todos sabemos que ela já se tornou um modo de vida noutros tipos de actividade e relações humanas. Só que o curioso e caricato é que no dirigismo desportivo nacional a (in)gratidão é tão transparente como a própria transparência , porque o seu exercício e o domínio da sua prática fazem dela ao mesmo tempo uma falsa força e uma verdadeira fraqueza! Não é por acaso que muita boa gente, misturada com pouca má gente deseja que dirigentes como Artur Almeida e Silva e Hélder Cruz “Maneda” peguem nos seus patins, e com os seus próprios pés deslizem para fora das instituições desportivas que actualmente dirigem. Mas estes não são casos únicos e exclusivos.
Há uma praga deles por esse país fora, e o prezado leitor deve conhecer muito mais do que eu! Embora haja casos e casos, a verdade é que por estas bandas tem soprado de forma muito forte, ventos que tem servido para rotular quase todo o mal ou desgraça que tem dominado o metier do dirigismo desportivo nacional.
Desde “brincadeira de mal gosto”, “merecem ir parar a Procuradoria Geral da República (PGR)” “dirigentes da matuta”, são poucos dos muitos que se vão ouvindo pelos quatros cantos desse país, que se os descrevesse em pormenor e detalhe o artigo terminaria por ali mesmo. E este não é o real objectivo do artigo de hoje.
Porque o objectivo não é falar sobre os efeitos, mas as causas dessa “tsunami” de (in)gratidão que tem varrido o dirigismo desportivo nacional. Normalmente, muitos dos dirigentes desportivos visados como os mais ingratos, são aqueles que mais usam e praticam a ingratidão com o próprio desporto, porque são os menos dados a grandes ‘feitos’, sobretudo em relação aos projectos, às propostas e relações pessoais estáveis. Normalmente, o seu alimento e suporte são discursos retirado de uma fabulosa caixa de ressonância, assente na falsidade de uma pertença nova moralidade e nova ética desportiva. Olhe que alguns deles convivem bem com as suas próprias contradições em relação a isso. Para não referir outras coisas bem mais feias que são o pacto que estabeleceram com jornalistas e comentaristas de muita e fácil lábia, que são reveladoras da sua incoerência no exercício das suas actividades relativamente às suas qualificações muito gelatinosas em relação à ética e à moral na gestão dos dinheiros públicos a si atribuídos.
Alguns deles nem merecem que se perca tempo a explicar-lhes várias noções elementares, de pura e crua gestão desportiva profissional porque ou é perda de tempo - porque não têm condições para entender e valorizar tudo o que envolve a ciência e a arte de gerir -, ou porque, estando tanto de má-fé, há muito tempo que deitariam tudo o que lhe foi ensinado para o caixote do lixo.
Zongo Fernando dos Santos

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