Jornal dos Desportos

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Opinio

Do campeo sem coroa ao sonho no Mundial FIBA

25 de Outubro, 2018
De repente o país gelou. Depois rebentou uma onda pior que a calema do mar. Aquilo só visto porque contado ninguém acreditaria. No minuto 81’ houve um VAR sem haver tal equipamento no estádio.
A CAF é foco de atenção à arbitragem, mas aquilo caiu internacionalmente mal através da Tv que o mundo viu. E por isso nos sentimos finalistas despojados.
Éramos todos d’Agosto e desde antes de ontem que não conseguimos engolir aquilo. É monstruoso para os cofres de qualquer clube angolano na actualidade consentir o esforço que o clube Primeiro de Agosto fez em duas épocas para chegar onde chegou, valendo-lhe que felizmente há-de receberá alguma recompensa pecuniária da CAF, entenda-se prémio de participação, cabível aos semi-finalistas da Liga dos Campeões Africanos.
O futebol provou que une o país e uniu os angolanos na noite da passada terça-feira, deixando uma mensagem patriótica de tamanho invejável e demonstrativa de quanto o futebol angolano pode ascender se lhe for continuada a dar a oportunidade de estar presente.
Num momento em que parece haver um clima inspirador de entrega ao trabalho desportivo de alto rendimento, notório no andebol e aspirante no basquetebol e futebol, em uma primeira instância das julgadas prioridades de Angola no desporto actual e na arena da competição internacional, é de reflectirmos sobre o quanto este momento e experiência devem capitalizar para o país.
Enquanto se conseguir reviver as mais recentes alegrias trazidas pelos Palancas Negras e pelo Primeiro de Agosto, é possível alimentar o sonho de que estamos a atingir aquele ponto de retorno que o nosso futebol viveu entre 2000 e 2006, que culminou connosco Campeões Africanos de Sub-21 e Mundialistas da categoria, e depois finalistas da Copa do Mundo FIFA de 2006.
Pelos últimos resultados parece que o futebol angolano tem estado a acertar bem o passo. É de realçar que no caso do nosso campeão foi um sinal de força espetar 3 golos ao Espérance no campo dele, o que não é para qualquer um. O golo anulado não desfaz a conta certa depois que todos pudemos rever/iremos ter a oportunidade de rever o fatídico minuto 81’ da segunda mão da final da Liga.
Graças a isso, o Primeiro de Agosto sai em ombros da disputa da Liga dos Campeões da CAF de 2018, momento em que entra para a história como uma das quatro maiores revelações dos últimos tempos entre clubes africanos, depois do Enymba da Nigéria, TP Mazembe da RDC e Mamelodi Sundowns da África do Sul. Entrámos no Panteão!
Agora, vamos manter connosco a febre chamada futebol, cujos rendimentos estão a criar a maior indústria pacífica e lucrativa do mundo? Para nós, um país à procura da criação de empregos, o futebol já é parte da nossa sociedade e da nossa cultura, é inspiração para muitas artes e sustento de boa parte do jornalismo, negócio de bilhética, e até uma vida de claque para os mais inveterados fãs.
Os técnicos desportivos entendem perfeitamente do que estou a falar e que se exprime pela necessidade de o país assegurar a participação internacional das suas principais selecções, independentemente das modalidades, e assim dito para não descartar o bom momento que atravessa a selecção nacional de hóquei-em-patins, ou os jovens de ambos os sexos que estão a dar cartaz no xadrez africano e internacional.
Eis-nos, entretanto, de olhos postos agora na realização ou não de outro sonho, que seria levar o Cinco nacional angolano – de basquetebol ou de hóquei? Vamos diferenciar dizendo ‘Cinco nacional de basquetebol’ e ‘Cinco nacional de patinagem’ – ao próximo Mundial FIBA sénior masculino, donde o melhor Africano também sairá apurado para os Jogos Olímpicos, em 2020.
Desde 19 de Outubro, as cartas estão na mesa da Federação angolana de basquetebol (FAB) para Angola poder organizar em finais de Novembro, a Quinta Janela FIBA para o mundial sénior masculino. Assim, temos pela frente outro desafio: organizamos ou não a próxima Janela FIBA de apuramento ao Mundial sénior masculino?
A organização da competição é um instrumento que concorre para o apuramento do país organizador em virtude das vantagens de jogar em casa com todo o seu público. Iremos nós lograr repetir a façanha de poder ter em mãos a oportunidade de discutir em Luanda os últimos passes ao Mundial de basquetebol sénior masculino?
Em minha opinião tudo devia começar pelo próprio empenho do Estado para com determinadas metas desportivas que causam grande impacto social, por sua vez político e ainda comercial, particularmente para os sectores da hotelaria e turismo, transportes e comunicações. Agora cabe aos agentes económicos criar um ‘trust’ em parceria com a FAB, que detém os direitos internos da competição.“Devia ser um assunto de Estado, mas vamos bater portas”, assegura o Presidente da Federação Angolana de Basquetebol.
Entretanto, o Ministério da juventude e desportos (MINJUD) já deixou a FAB de pré-aviso sobre reservas líquidas disponíveis; “serão o que restar do orçamento do basquetebol nos cofres de apoio do Ministério”, diz-me o Presidente da FAB, Hélder Cruz ‘Maneda’.
Então, isso não irá comprometer os custos restantes da modalidade neste último trimestre do ano?
“Os salários é outra conversa”, vai garantindo Hélder Cruz, que conclui dizendo que “os salários, como sempre, serão pagos com ginástica. “O MINJUD tem-nos subsidiado, embora quando recebamos as dotações não saibamos exactamente se provêm da rubrica de fomento do desporto, ou de apoio às selecções. Recebemos simplesmente\".
“Os salários da Federação têm de sair dos mesmos 250 mil dólares anos equivalentes em kwanzas ao câmbio do dia, donde saiu só este ano o subsídio a cinco selecções: duas de Sub-18 que competiram em África, uma de Sub-17 que foi ao Mundial feminino, mais as duas janelas FIBA da selecção sénior masculina, em junho e setembro ”, esclarece o Presidente da FAB. “A preparação e participação de uma selecção não fica em menos de 100 mil dólares, então como tem sido possível?”, interroga-me o presidente da FAB.
“Tenho feito a ginástica de obter alguns recursos do campeonato nacional masculino, Unitel-Basket, para aliviar a questão dos salários”, explica o homem que acredita que se a V Janela FIBA for vista como deve ser, será sentido e percebido que isso é uma questão mesmo de Estado. “E não valeria a pena investir 250 mil dólares para ter a Janela em casa e chegarmos ao Mundial?”, interroga-se ‘Maneda’.
Para Hélder Cruz este momento não é menos encruzilhado que o do futebol. “Para Angola a importância de ir a esse Mundial FIBA seria primeiramente completar em competição a renovação da selecção nacional sénior masculina.
“Se organizarmos em casa poderemos ganhar e chegar ao Mundial, e se entrarmos ali, os lucros serão exponenciais”, garante ‘Maneda’. Até chegarmos ao Mundial teremos passado por jogos remunerados, assim como estaremos em melhor posição de renegociar contrato com a Nike, presentemente de apenas 96 mil dólares/ano, visto ser um contrato por objectivos.
“Se chegarmos ao Mundial, os nossos objectivos serão ainda maiores, pois, pretendemos discutir com a Nike a subida da fasquia do nosso contrato por objectivos, e se assim não for, já temos à perna a marca chinesa Pick, que veste entre outras a Nigéria e anda a querer maior mercado em África, e quer muito o mercado angolano. Caso a Nike não aceite renegociar e subir a fasquia, estamos a pensar na Pick”, explica-nos o presidente.
“Estamos a definir presentemente esta estratégia para Angola e isso não é um problema do Hélder, é da Nação!”, sustenta o Presidente do basquetebol. “Aliás, diz ele, o actual momento político do país merece mais celebração desportiva de qualidade. “E vamos perder esta oportunidade por 250 mil dólares?”, exclama o dirigente.
Ao contrário das janelas anteriores, a selecção não precisa tanto da preparação, visto os atletas já estarem em competição. Os custos da competição referem-se sobretudo ao alojamento, transportação das equipas, asseguramento das instalações hoteleiras e desportivas, tanto em treino como para competição.
Quem viria a Angola? Egito, Marrocos, que eram do nosso grupo, e Tunísia, Camarões e Chade, que eram do outro grupo. E os nossos jogos seriam: Angola x Tunísia, Angola x Camarões e Angola x Chade.
A rede hoteleira para o evento está já identificada e o facto de cada equipa trazer 18 elementos e passar 4 a 5 noites em Luanda, feitos os cálculos com a diária de $60 dólares que paga cada um, perfará uma facturação hoteleira entre 26 mil e 30 mil dólares.
Agora e sem dinheiro, ‘Maneda’ corre a bater portas, mas quem as há-de abrir? Arlindo Macedo

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