Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Do futebol para a rua

02 de Junho, 2017
Isaac foi avançado simplesmente do 1 de Agosto, e tem o seu registo na lista dos melhores marcadores da prova maior do futebol nacional, Girabola.

Lebo Lebo faz parte da geração de jogadores que conquistou o único título do Sagrada Esperança, foi jogador do Petro de Luanda. Por detras desses jogadores há uma procissão deles que vivem nas mesmas circunstâncias. Esses são os corajosos, aqueles que despiram o passado e tentam fazer a vida como podem.

Para muitos leitores, os jogadores não foram capazes de gerir o que ganharam no exercício da sua actividade. Essa ideia pode ser respondida com uma chuva de perguntas. Será que ganharam o suficiente para viver enquanto jogadores com alguma dignidade e ao mesmo tempo fazer poupança? Considero que as atenções dessa abordagem deve ter outro sentido. Os jogadores trabalham por conta de outrém, logo as direccões dos clubes são obrigados a descontar para a segurança social. E a questão que se coloca é se o fizeram. Se não, porque razão ignoraram a possibilidade dos jogadores puderem um dia vir a precisar de uma fonte para se manterem em vida. Não alimento por isso a ideia de que esses jogadores geriram mal. O que ganhavam na altura era chapa ganha, chapa gasta como acontece hoje com milhões de nós. Muito pouco puderam o fazer. A maioroa ganhou apenas para comprar quanto muito uma casa nos nossos musseques ou bairros periféricos e comprar um “rabo de pato” ou “olho de gato”. Muitos poucos tiveram ao longo da carreira tudo somado a cifra de quatrocentos mil dolares. Por outro lado, nós somos africanos, apenas nos realizamos na família(no sentido mais amplo) e por isso trabalhamos para a restrita mas também a ampla. Ainda assim o certo é ganharam quase nada. Mesmo os mais cautelosos nao conseguiram o quanto baste para viverem desassossegado. Uns poucos tiveram alguma lucidez e investiram em projectos imboliários, que valiam até entao alguma coisa. Porém, nem todos tiveram a sorte de conseguir bons contratos. Reitero que a responsabilidade deve ser atribuída aos clubes, são esses a quem competia descontar para a segurança social, que teria resolvido a situação que muitos jogadores enfrentam.

Por outro lado, os clubes não podem achar que a responsabilidade com/perante os jogadores esgota-se apenas no vínculo de jogador-clube. Há que incluir no tal vínculo formação integral, ou que se estenda para além do relvado. Não tendo muitos deles especialistas para gerir as respectivas carreiras, impõe-se assim uma assitência dos clubes. Essa assistência podia ser em forma de palestras, sobre os mais variados ângulos, em particular matérias que possam influenciar o comportamento do jogador extra-campo, que possam orientar o jogador a encontrar outros mecanismos para acudir situações como esta. Por outro lado, é urgente que a prova nacional se converta numa liga, pois com essa natureza os jogadores podem sempre criar associacoes que defenda os seus interessses. Havendo uma liga há mais rendimentos, para os clubes e também para os jogadores. Contudo para os que se encontram hoje na rua necessário procurar uma forma de os enquadrar no sector, proporcionado formação para os que quiserem ser formadores ou treinadores ou outra que lhes permita cumprir o resto da sua vida com alguma dignidade, pois um dia já nos prestaram servićo relvante.

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