Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Do Tribunal de Paris sorte dos Palancas

06 de Junho, 2017
De Paris, a celebre cidade das luzes e da alta costura - porque dizem que os melhores alfaiates andam por lá - nós angolanos, nesta terça-feira, para lá voltaremos parte das nossas atenções, no sentido de “ouvirmos” a sentença do processo em que é réu aquele cidadão francês de origem angolana, que dá pelo nome de André Rodrigues Mingas, porque foi ele que no dia 9 de Janeiro de 2010 reivindicou, sem coação alguma, ser o macabro e draconiano mandante do acto terrorista contra a selecção do Togo que estava a caminho naquele nosso CAN exemplar. Lembram-se?

Eu sei que ninguém olvidou ainda aquele dia cinzento. Por isso mesmo hoje aqui não tenho como só falar do jogo de sábado dos Palancas Negras, em Ouagadogou , com os Cavalos do Burkina Faso, deixando em branco este”dia D”... da sentença”. A justiça às vezes tarda, mas ela chega sempre!

Eu confio na Justiça francesa e na suas instituições, não fosse aliás a França o “País das Ideias”... onde hoje o competente Tribunal de Grande Instância, através da sua 16ª Câmara Correccional, ditará então o Acordão de que pode resultar o mandado de condução à cadeia, para lá André Rodrigues Mingas ver o “sol aos quadradinhos”, se provas houver para a sua condenação como auto-intitulado Chefe do Estado Maior da Flec-PM , este mando armado que chocou Angola, a África e o Mundo.

Eu acredito na Justiça francesa porque permite um julgamento que, de sessão em sessão, é seguido pela pessoa do vice-Procurador Geral da República de Angola, Domingos André Baze, e pelo embaixador angolano plenipotenciário naquele país europeu, Miguel Costa.Eu acredito na Justiça francesa porque na altura do terror sentiu o porta-voz francês do Ministério de Assuntos Exteriores, Bernard Valero, em entrevista à emissora France Info, dizendo que “ são acções inaceitáveis e nós condenamo-las com firmeza”.

Eu acredito, por isso, na exemplar Justiça francesa que, só para comparar, quando a 13 de Novembro de 2013 uma bomba explodiu do lado de fora do Stade de France durante o jogo França e Alemanha... rogou Justiça. Ou quando também, a 12 de Abril de 2017, três engenhos explosivos atingiram o veículo da equipa do Borussia de Dortmund e voltou a pedir Justiça.

E sempre foi assim.Tenho de acreditar no exemplo da a Justiça francesa porque, mesmo anos antes, não teve contemplações no julgamento do venezuelano Ilich Ramírez Sánchez “O Chacal”,às mãos de um tribunal criminal especial (formado exclusivamente por magistrados profissionais), devido a actos de terrorismo a 15 de Setembro de 1974, em que duas pessoas morreram e 34 ficaram feridas na explosão de uma granada por ele lançada no interior da loja Drugstore Publicis, no centro de Paris...

Eu acredito na Justiça francesa porque entre 2011 e 2012 deteve preventivamente este Rodrigues Mingas em França cerca de um ano à conta da investigação da sua acção rebelde que, inclusive levou, em Fevereiro de 2010, a Cimeira Ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana condenar por aclamação dos seus 53 Estados o acto terrorista. E também as Nações Unidas, na voz do conselheiro especial para o Desporto.

Hoje os Palancas estão em Portugal, ali ao pé de França. De lá irão em breve ao encontro dos Cavalos do Burkina Faso para o jogo das eliminatórias ao CAN dos Camarões em 2019. Eu estou sinceramente entre o optimismo e o pessimismo.Porque acho que uma selecção para ser bem sucedida na sua prestação precisa de condições. E quem fala disso está a falar de finanças, de condições materiais...

A verdade é que o próprio o presidente do Conselho Jurisdicional da FAF, Sérgio Raimundo, disse sem evasivas, para toda Angola ouvir e saber, que “a selecção está a preparar este jogo em condições nada favoráveis e é preciso que se apoie muito mais este grupo”.E depois o ministro da Juventude e Desportos explicou publicamente que o Governo, o Estado, apenas apoiarão financeiramente no que estiver ao alcance. Senti que atirou a “bola “à federação, particularmente, ao presidente de direcção, Artur Almeida, para arranjar dinheiro para a selecção.

Pergunta que também não se quer calar é esta: então diante deste “jogo de empurra” não fica difícildizer aqui que os Palancas Negras vencerão o jogo de sábado com os Cavalos do Burkina Faso? Temos de é de estar cientes de que os Palancas tanto podem chegar ao objectivo primordial, a qualificação, como podem continuar a “jejuar” . Mas o Burkina Faso é só é o primeiro adversário. António Félix

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