Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Dois regressos e uma estreia

22 de Setembro, 2018
Quando, no próximo dia 27 de Outubro, se dar o pontapé da saída da 41ª edição do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, vamos ter, seguramente, duas equipas com regressos confirmados à fina-flor da modalidade, por um lado, e uma estreante,por outro. Porém, depois da disputa de uma época a “contra-relógio” este ano, a próxima, que vai se ajustar à dos demais campeonatos africanos, entende-se até 12 de Maio de 2019.
Atlético Sport Aviação (ASA), que logrou a conquista do título do campeonato nacional da segunda divisão, Bikuku FC da Lunda-Sul, finalista vencido, assim como o Santa Rita de Cássia do Uíge, são as equipas que ascedem ao Girabola Zap do próximo ano.
Os aviadores, que até à histórica descida de divisão em 2017, conservavam, a par do 1º de Agosto, o rótulo de totalista da maior prova do nosso futebol, confirmam o regresso esta temporada, tal como os católicos uijenses, que haviam baixado ao escalão secundário em 2015.
E, ao que parece, quer o ASA, quer o Santa Rita, pretendem um regresso “em grande” na alta-roda do futebol nacional. Já a estreante equipa do Bikuku, com os “santos” rogados do seu patrão, vai procurar não defraudar no baptismo, embora, como se atreveu dizer o Morais Canâmua, tenha sido “refundado” do desqualificado Progresso da Lunda-Sul.
A equipa do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro é, para já, a primeira – entre as três que ascendem de divisão esta época – a dar mostras claras de que subiu para não vacilar e tentar ombrear com as demais, que vão desfilar neste carrossel do Girabola.
A justificar isso, está o facto de ser a primeira equipa a abrir as “oficinas” para época 2018/2019, já na segunda-feira, dia 24, com a realização dos habituais exames médicos.
Ao que se propala pelos quatro ventos, depois do passeio dado à Segundona, designação por que é conhecida o campeonato nacional da segunda divisão, neste regresso à maior prova do futebol nacional, os aviadores pretendem reaparecer ao mais alto nível.
Para já, a manutenção da equipa na I Divisão assume-se como prioridade das prioridades e, fruto disso, o técnico português José Dinis, que conduziu o conjunto à ascensão, já apresentou à direcção clube a lista dos reforços pretendidos.
Em função das limitações que o clube tem e isto na sequência da actual conjuntura da crise financeira que o país enfrenta, derivada, sobretudo, pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional, o técnico José Dinis não vai refazer na totalidade o plantel.
Pelo contrário, o conjunto vai apostar em grande parte dos jogadores que disputaram esta época a Segundona e lograram o regresso ao Girabola. Por isso mesmo, a equipa tem tudo alinhavado para “atacar” a próxima época. E mais ainda: José Kilamba, director técnico da formação do clube aviador, aponta o “segredo” como “alma do negócio”.
É ponto assente, ainda, que além do Girabola Zap, que na temporada finda se disputou num curto período de pouco mais de seis meses, com uma maratona de jogos a meio e em fins-de-semana, o ASA vai também apostar na Taça de Angola.
Esta segunda maior prova do futebol no país, que não se disputou este ano em função do reajuste do calendário do Girabola, deve também merecer a atenção dos aviadores, que já arrebataram em três ocasiões o referido troféu.
Contudo, a semelhança do ASA, que soma três títulos do Girabola, o Santa Rita do Cássia do Uíge e o Bikuku FC vão também apostar numa boa campanha. A manutenção assume-se aqui, obviamente, como a meta prioritária. A equipa católica teve já uma passagem pelo Girabola em 2015 e, fruto disso, a sua direcção sabe com que linhas coser nesta empreitada, para evitar o “sobe-desce”.
A gestão dos recursos em termos de honorários é também uma tarefa crucial, para quem assume o desafio de enfrentar uma prova com a especificidade do Girabola, onde as despesas com viagens, prémios de jogos e salários de atletas são, para já, bastante desafiadoras. Aliás, que o diga a Académica do Lobito, que apesar de a época 2018/2019 não ter ainda iniciado, já ventila uma possível desistência.
E aqui abro um parêntesis, para questionar até que ponto as equipas que ascendem ao próximo Girabola Zap têm, efectivamente, condições criadas para o efeito, para depois as suas direcções não virem dar o tiro na própria perna, alegando incapacidade financeira, como, de resto, aconteceu à época finda com o JGM do Huambo.
A desistência da equipa do Planalto Central a meio da época passada, feriu a verdade desportiva, diga-se de passagem. Agora resta saber o que acontecerá na próxima época, em que, além deste três conjuntos, estão também confirmadas as presenças do 1º de Agosto, nas vestes de campeão, Petro de Luanda, Interclube, Sagrada Esperança, Desportivo da Huíla, Progresso do Sambizanga, Bravos do Maquis, Académica do Lobito, Recreativo da Caála, Sporting de Cabinda e Cuando Cubango FC. Sérgio V.Dias

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