Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Dragan e Bianchi no centro das tenes

16 de Novembro, 2017
No espaço de uma semana (de 5 a 12), o futebol nacional viveu momentos de alegria, e de tristeza. A conquista do bicampeonato por parte do 1º de Agosto. O término do vínculo contratual de Dragan Jovic, devido à sua saúde, a conquista da Taça de Angola pelo Petro de Luanda, e a possível saída de Beto Bianchi do comando técnico dos Palancas Negras, foram os assuntos que marcaram a semana desportiva.
Em relação ao título conquistado pelo conjunto do rio seco, o segundo consecutivo, já aqui fiz referência. Vou ater-me por isso, ao abandono prematuro de Dragan Jovic, técnico do 1º de Agosto, devido aos problemas de saúde. Quando foi repescado para render Daúto Faquirá, o técnico estava muito longe de imaginar a sorte que estava destinada. Catapultado para a ribalta, Dragan levou os militares à segunda posição, em 2005, com os mesmos pontos do campeão, o Recreativo do Libolo, que dada à conjuntura, pode considerar-se…razoável.
O prestígio que a sua “comissão de serviço”, como técnico principal lhe trouxe, serviu como verdadeiro passaporte para funções, nos anos seguintes. Em 2016 e 2017, Dragan Jovic viveu épocas verdadeiramente inesquecíveis.
Além de sagrar-se bicampeão nacional e conquistado uma Supertaça, o técnico bósnio teve ânimo bastante para não abdicar, profissionalmente, perante uma grave doença, deu um exemplo de grande força interior.
Mesmo quando perdesse, não justificava as suas derrotas, agia em silêncio e demonstrava resultados. É bem verdade, que numa carreira vitoriosa como a de Dragan Jovic, os momentos adversos não são muito frequentes, mas ainda assim soube lidar como poucos, com essas situações.
Ao longo das partidas, jamais demonstrou abatimento de qualquer espécie, e sempre acreditou na possibilidade de reverter os momentos menos bons. Algo, que fez com alguma mestria. O facto de jogar quando a selecção nacional disputou a Taça COSAFA, e depois optou por realizar um estágio na Àfrica do Sul, é prova disso mesmo.
O nível de concentração de Dragan Jovic foi um dos destaques, na forma como lidou com as vitórias e com as derrotas. Sempre sereno, olhar firme e focado na movimentação dos seus jogadores e dos adversários. Dificilmente, se abalava. Procurou sempre manter uma postura e semblante de que “está tudo sob controle”. O técnico dificilmente se distraía, com factores externos.
O término do vínculo contratual deixa saudades, não só no seio da família do 1º de Agosto, dirigentes, treinadores, jogadores e adeptos, também ao nível do futebol nacional, pelo estatuto que ganhou ao longo do tempo que esteve ao serviço da equipa do rio seco.
As qualidades de Dragan Jovic não podem ser descritas em poucas linhas, apenas quis ressaltar alguns pontos que mais chamaram à minha atenção. Desejo que consiga superar o trauma que o afecta, e um dia possa regressar ao comando do clube do rio seco.
Outro assunto badalado, com a ressalva da conquista da Taça de Angola por parte do Petro de Luanda, é o possível abandono de Beto Bianchi do comando técnico dos Palancas Negras.
“O futuro do técnico Beto Bianchi não passa pela Selecção Nacional”, disse de forma lacónica o presidente do clube do eixo viário, Tomás Faria, que depois da conquista da Taça de Angola, aponta como prioridade do clube à conquista de África.
“Internamente, já temos várias conquistas, agora, pretendemos conquistar África”, disse ainda Tomás Faria.
Quer queiram quer não, é um assunto delicado para o órgão reitor do futebol nacional, face ao pouco tempo (aproximadamente 60 dias) que resta do pontapé de saída da fase final do Campeonato das Nações Africanas (CHAN).
Embora o presidente da FAF, Artur de Almeida, dissesse que está atento à situação e que o seu organismo trabalha no sentido de encontrar uma saída, a verdade é que não se afigura fácil ultrapassar esta questão, que considero delicada.
Por outro lado, Tomás Faria está com a razão do seu lado, porque caso o técnico continue com a dupla função, o mais prejudicado pode vir a ser a sua equipa, já que ia ter pouco tempo para prepará-la, para disputar as preliminares da Taça da Confederação, cujo início acontece semanas depois do termino do CHAN.
“A Federação continua a trabalhar, apesar das limitações financeiras. Há aspectos que têm de ser vistos, vamos dialogar com a direcção do Petro, mas o mais importante é encontrar soluções que sejam consentâneas com o momento actual”, disse Artur de Almeida.Vamos aguardar, porque o assunto é muito delicado. Policarpo da Rosa

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