Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Drbi no centro das atenes

12 de Abril, 2018
As atenções dos amantes do futebol voltam, este fim-de-semana, a centralizarem-se no maior dérbi do desporto - rei nacional. O apetecível 1º de Agosto - Petro de Luanda, respectivamente, campeão e vice campeão em título. Duas equipas que quando se encontram nas mais distintas modalidades, o ambiente toma proporções alarmantes. E, no sábado não vai ser diferente.
Tanto o 1º de Agosto, como o Petro de Luanda, são candidatos ao título e estão separados por 5 pontos (8-13), embora, a equipa do rio seco tenha só disputado cinco jogos (falta jogar com o 1º de Maio, Bravos do Maquis, Sporting de Cabinda e JGM do Huambo) contra sete dos petrolíferos ( falta defrontar o Kabuscorp e o Sporting de Cabinda), devido à presença das duas formações nas competições continentais.
O 1º de Agosto perdeu sete pontos (1 derrota e 2 empates), enquanto os petrolíferos já desperdiçaram oito, em quatro empates. É a única equipa, que ainda não conheceu o sabor amargo da derrota. Era expectável que as duas equipas, candidatas ao título, desperdiçassem tantos pontos? Penso que não. E, os feitos foram realizados por adversários de menor calibre competitivo. Vou citar uma. O 1º de Maio venceu no Estádio do Buraco o 1º de Agosto e empatou no Estádio 11 de Novembro com os petrolíferos.
Enquanto candidatos assumidos ao título, os pontos perdidos tornam as duas equipas mais instáveis, em função dos pontos conquistados pelo líder do campeonato, no caso, o Interclube.
A título pessoal, penso ser a perspectiva mais generalizada entre rivais e seus respectivos adeptos, e também das equipas técnicas. Juízo precipitado? Talvez sim: a matemática ordena prudência, o imprevisto é um olhar voyeurista sobre a lógica do provável e a produtividade de um ser humano depende de intermináveis factores.
Portanto, as performances das duas equipas estão longe do determinismo que todos os seus adeptos esperavam, mesmo em função das presenças nas provas africanas, onde apenas o 1º de Agosto, se mantém.
A verdade, e agora em defesa do meu julgamento, é que delineava no arranque da actual temporada uma visão mais realista para as duas equipas, não apoiada no jogo de probabilidades da matemática, mas suportada pelo carisma dos dois conjuntos.
O 1º de Agosto, por ser o actual campeão nacional, por um lado, e, por outro, seguindo as palavras do presidente do Petro, que disse ser este o ano do título do clube que preside.
Falando concretamente no jogo de sábado, no Estádio 11 de Novembro, é meu parecer que quando a disputa se resume a candidatos equilibrados, a configuração psíquica é o factor que mais desempata a contenda, em qualquer fragmento temporal.
Em jogo, está o presente, não o passado. E, este encontro é de maior previsibilidade do que qualquer outro, porque nos dérbis entre militares e petrolíferos – como o de sábado - ganha muitas vezes a equipa que está pior na classificação. Não é uma regra, mas acontece com frequência. E, neste caso concreto, o 1º de Agosto está pior (14º) que o Petro (6º), embora, com diferença de jogos realizados.
Não é um mito, que num dérbi, muitas vezes ganha quem está pior, mesmo que a realidade demonstrasse que quem estava melhor venceu em número maior de ocasiões. No fundo, a classificação e os resultados até ao dia do dérbi, pouco influenciam o resultado final.
Pessoalmente, não acredito muito nessas análises (de que ganha quem está pior), mas também não acredito que neste caso, uma das equipas esteja melhor do que a outra. Neste momento, há uma diferença de cinco pontos e o resultado não é decisivo para o campeonato.
Para mim, um dérbi é sempre um jogo de resultado imprevisível, que é vivido com um estado de espírito diferente. Neste caso concreto, tanto o 1º de Agosto como o Petro sabem que não podem perder mais pontos, de modos a não verem o Interclube disparar ainda mais na liderança. Contudo, a verdade é esta: só uma equipa pode sair do relvado com os três pontos.
Não pode haver sobranceria de quem parte como favorito, nem descontracção de quem entra mais mal classificado, e por vezes sem tanta pressão nos ombros, que justifiquem directamente tantos triunfos de quem chega pior ao dérbi.
Estes, são jogos especiais, que ninguém gosta de perder. Ganha quem lida melhor com as emoções. E, seja qual for a posição da equipa, há sempre a gosto de vencer ao rival.
E, no sábado não será diferente!
Policarpoda Rosa

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