Jornal dos Desportos

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Opinio

Duelo de estrelas

18 de Junho, 2018
A meio da fanfarra que marca a disputa do Campeonato do Mundo de futebol, ainda na primeira fase, muitos concentram uma atenção particular naquilo que caracteriza a evolução individual de algumas estrelas, que, estando no centro dos holofotes, em face da sua projecção internacional, levaram o perfume da sua classe para os palcos russos.
O mote para aquilo que vem sendo uma tertúlia apaixonante, foi o hak-trick de Cristiano Ronaldo na estreita de Portugal diante da Espanha. O português entrou para o campeonato em grande, talvez achando-se no dever, se não obrigação, de valorizar o estatuto de Melhor do Mundo. O astro do Real Madrid salvou Portugal daquilo que parecia já uma derrota escrita.
No dia seguinte, mais do que valorizar o empate da selecção na estreia, a imprensa lusa deu maior ênfase à prestação de Cristiano Ronaldo, e a forma determinada e responsável como encarou o jogo, com a infusão de confiança aos colegas em campo e aos portugueses, e não só, que pelos quatro cantos do mundo assistiram ao jogo.
\"Não pode haver dúvida, é o melhor do mundo\", trataram de aludir alguns, no quadro da sua independência opinativa. E como se sabe, este elogio agrada a uns e desagrada a outros. Regra comum, divide os madrilenos e os catalães. \"Messi pode fazer melhor com a Islândia\", diziam os do outro lado da barricada.
Falando-se de desporto, onde o fair play fala mais alto, é, na verdade, uma discussão que acrescenta outro suspense ao torneio, não fossem afinal estes dois, os senhores do futebol mundial nos últimos dez anos, revezando-se de forma salutar na disputa de quase todos os troféus. Deles, realmente, muito se espera. Não é difícil imaginar como sairia a prova a perder, se, por algum motivo, não pudessem estar presentes.
Ainda assim, não será muito simpático partirmos para esta avaliação paternalista, de quem é melhor entre um e outro. O campeonato está apenas no começo, com incidências ainda incapazes de conferir a qualquer observador, uma noção mais exacta sobre o que pode vir a ocorrer lá mais para a frente. CR7 fez a sua parte, e é de aplaudir. Messi desperdiçou até penalti, mas não é motivo bastante para reprová-lo.
Já o havíamos dito, num escrito anterior, que CR7 e Messi iriam travar um duelo a dois, e este ainda só está no início, podendo vir a conhecer, na sequência da prova contornos mais interessantes. E mais: os dois monstros da actualidade podem estar a fazer o último campeonato do mundo, factor que os coloca na contingência de fazer aquilo que ainda não lograram ao longo da carreira.
Mas este olhar para a constelação, sugere outros nomes, entre uns já conhecidos e outros que a prova pode vir a consagrar. Neymar, Diego Costa, Mohammed Salah, Suarez, não podem ser riscados da lista de candidatos a troféus individuais, sendo o de melhor goleador o que atiça maior cobiça. Cristiano Ronaldo já vai a rir. O resto é ir gerindo a vantagem. Messi, por sua vez, apesar de sair em branco da primeira jornada, nada tem perdido. Líder, astuto e fenomenal, pode fazer das suas nos próximos jogos, e equilibrar as coisas. A ser assim, mais animado ficará o duelo de estrelas para o seu firmamento.
Matias Adriano

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