Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

E agora?

29 de Janeiro, 2016
Depois de mais um descalabro da Selecção Nacional de Angola de futebol, desta no Campeonato Africano para atletas que actuam no continente (CHAN), que decore no Rwanda, eis-nos a efectuar mais um exercício de reflexão, facto que já se está a converter em lugar-comum, sempre que a equipa nacional tem um desempenho negativo, o que nos últimos tempos tem acontecido com alguma frequência.

Não sendo a primeira vez que tal acontece, pelas recorrentes falhas relacionadas com a deficiente organização estrutural administrativa e técnica que provem de ha muito tempo, o que sucedeu com a preparação e participação na competição que ainda decorre no Rwanda, deve servir de exemplo (mais uma vez), para que a “família do futebol”, coloque os pés bem assentes no chão, e trace políticas para que a modalidade volte ao seu lugar no contexto das nações africanas e resgate o respeito, que em tempos não muito distantes, era alvo.

Em ano de eleições para os corpos sociais das federações e associações desportivas, pelo facto de se concluir o ciclo olímpico de quatro anos, deve-se o quanto antes, arranjar formas para tirar o futebol da situação incómoda em que se encontra.

Na verdade, ao contrário do que é opinião de muita gente, o que aconteceu com a “operação Rwanda”, surgiu como consequência dos sucessivos êrros de gestão e de modelo de organização. As falhas, é justo que se reconheça, não estão nos homens que dirigem o futebol nacional, mas, como frisámos, na forma como o mesmo é organizado e gerido.

É assim que a guisa de opinião, e longe de pretendermos colocar a “foice em seara” alheia, como primeira a acção a ser desenvolvida, além da sua organização interna, sejam quais forem as pessoas que forem eleitas para a direcção da Federação Angola de Futebol (FAF), deve-se primar pela organização estrutural do futebol nacional, que tem passar necessariamente pelas associações provinciais, que são as mandatárias dos clubes. Em função da evolução universal que o futebol tem conhecido, a acção dos dirigentes da modalidade e de todos quantos a ela estão ligados, devem incidir igualmente no perfil e na qualidade dos treinadores nacionais e estrangeiros que trabalham em Angola, a partir dos escalões etários.

Os escalões de formação nos clubes, principalmente nos chamados de “primeira grandeza” , assim como nas escolas vocacionadas para o efeito, academias e núcleos, como viveiros do futebol nacional, que não obstante a sua acção ainda se fazer sentir diminuta, tendo em conta a dimensão territorial de Angola e a sua densidade populacional, mas que começa a deixar de lado a imprevisibilidade e a carolice de alguns dos seus percursores, deve merecer mais apoio de quem de direito e ser alvo de fiscalização mais credível e acentuada. É preciso que as pessoas tenham em consideração que a acção do trabalho que é desenvolvido nos escalões de formação, tem reflexo na qualidade do futebol que se pratica nos séniores, fundamentalmente, nas selecções nacionais principal e olímpica.

Ao se ter em conta que a função social que o deporto, no caso o futebol, desempenha no seio das comunidades, sobretudo dos jovens, como forma de amenizar os espíritos e promover a convivência pacífica na diversidade de ideias, noves fora a organização estrutural e técnica que se pretende, é imperioso que se aposte de forma mais incisiva na formação e actualização de treinadores, facto que deve ser extensivo aos dirigentes dos clubes, federativos e das associações provinciais. Isso, terá resultados positivos na reformulação que deve obedecer a ciclos temporais. Os problemas que assolam o futebol angolano, estão identificados, faz tempo. O preciso é que as conclusões e recomendações, saídas dos encontros nacionais, seminários e outras acções que visem a melhoria da qualidade do futebol nacional, sejam materializadas.

Outrossim, a eliminatória entre as selecções de Angola e do Congo Democrático, no próximo mês, para a fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN) -2017, deve começar a ser preparada ao detalhe. O dinheiro para a mesma, que não depende da FAF, deve ser acautelado em tempo útil. Para se evitarem rumores e comentários despropositados, é preciso que quem direito informe a “nação do futebol”, quais serão os integrantes da equipa técnica. Se Romeu Filemon, que tem contrato com a FAF, até ao dia 31 do corrente, reassumirá o cargo de seleccionador nacional. Se há condições psíquicas e emocionais para José Kilamba e André Macanga, continuarem a frente do comando técnico dos Palancas Negras e qual a proporção dos atletas que actuam em Angola e no estrangeiro, que deverão ser chamados.
Leonel Libório

Últimas Opinies

  • 19 de Agosto, 2019

    Como causar impacto atravs do marketing?

    De facto, para que se crie um impacto forte e eficaz através do marketing desportivo, é indispensável que os clubes e federações deem atenção ao formato comunicativo a ser utilizado.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    Petro escorregou Vasiljevic j era

    O grande Petro já  atemoriza os seus adeptos em poder continuar a fazer travessia no deserto neste seu “hibernar” sem título desde 2009: empatou mesmo depois de o presidente.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    Cartas dos Leitores

    Penso, que não há  muitas alterações  em relação aos candidatos, o 1º de Agosto procura o Penta e o Petro luta para quebrar o jejum de 10 anos, sem conquistar o campeonato.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    Girabola de todos

    Soltaram-se assobios, no último fim-de-semana. Voltou aos palcos nacionais, o futebol de primeira grandeza. Ou seja, o campeonato nacional da primeira divisão, o nosso Girabola.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    O segundo pecado da FAF

    A direcção de Artur Almeida e Silva acaba de cometer o segundo pecado, na gestão dos destinos da Federação Angolana de Futebol(FAF). O primeiro, assenta na desorganização que já a caracteriza.

    Ler mais »

Ver todas »