Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Augusto Fernandes

Efeito da crise financeira (I)

24 de Maio, 2018
Ao olharmos atentamente, sobre a forma como anda o nosso desporto nos últimos tempos, não teremos dúvidas de que a verdade desportiva está a ser claramente beliscada por causa da crise financeira.
Por exemplo, no BIC -Basket, dificilmente tinhamos os resultados que observamos até à disputa das meias-finais. Aliás, o facto do Libolo se transformar em Sport Libolo e Benfica, resultado da fusão do clube libolense com o Benfica de Luanda, indica claramente isto - crise financeira.
No presente Unitel-Basket, foi triste ver o Libolo, campeão em título, transformado em “bolo -fofo” de quase todos. Em situações normais, economicamente, o Petro de Luanda não chegaria à final com tanta facilidade como chegou, a bater o Libolo por três a zero!
O efeito da crise sobre o Libolo e Benfica é tão grande, que jogadores como Olímpio Cipriano perderam a força anímica que sempre tiveram. No segundo jogo das meias finais contra o Petro, Olímpio Cipriano não conseguiu marcar um ponto sequer!
Estamos a falar de um dos melhores jogadores de todos os tempos de Angola, de África e porque não dizer do Mundo? Afinal de contas, o rapaz fez vários jogos em Mundiais, Jogos Olímpicos e outros de nível Mundial.
A crise financeira fez que jogadores como Roger Moore, “ desmarcassem “ para outras paragens, em busca de melhores salários e deixaram mais frágeis equipas como o Libolo, consequentemente o nosso basquetebol fica mais pobre, para a alegria dos nossos detractores.
Futebolisticamente, a crise económica também faz das suas. Por isso, equipas como Libolo, Bravos do Maquis, Recreativo da Caála e até o Kabuscorp do Palanca, que nos últimos dez anos puseram em sentido os chamados gigantes do Girabola, no caso 1º de Agosto e Petro de Luanda, estão a perder a força.
Com uma saúde financeira estável, as equipas acima mencionadas como que a perder a força durante dez anos ( de 2006 a 2016 ) impediram o 1º de Agosto de ganhar qualquer titulo, e o Petro de Luanda está em jejum desde 2009!
No tempo, quando Bento Kangamba fazia “chover dinheiro”, em 20 jogos com o 1º de Agosto ganhou dez e perdeu quatro, empatou seis vezes! Não tenho dados concretos sobre os jogos com o Petro de Luanda, mas ao recuar a fita de filmes dos jogos que envolveram o Kabuscorp e o Petro de Luanda, nos últimos dez anos, os palanquinos estão em vantagem.
Agora, em 2018, nos dois jogos que disputou com o 1º de Agosto, derrota por 3-1 e com o Petro, nova derrota por 3-0, só na primeira volta. Em resumo, Kangamba perdeu por seis bolas a uma no dois jogos, o que nunca aconteceu nos últimos dez anos, quando o homem abanava a fagulha (dinheiro).
Portanto, quer o patrão do Kabuscorp, aceite ou não que a crise financeira esteja a complicar-lhe a vida, assim como acontece com os demais clubes, os dados indicam claramente que as coisas não vão bem como aconteciam nos tempos em que o homem até trouxe o Rivaldo (que já foi o melhor jogador do Mundo em 1999).
Ao olhar para a tabela classificativa, praticamente no fim da primeira volta, encontramos o Kabuscorp do Palanca em 6º lugar com 19 pontos, atrás do Desportivo da Huíla e da Académica do Lobito, o Libolo está em 7º lugar com 18 pontos e o Caála, de Horácio Mosquito, está em 14º com apenas 12 pontos!
Isso, só está a acontecer com estes clubes, por causa dos efeitos da crise financeira. Aliás, o presidente do Progresso da Sambizanga, Paixão Júnior, em 2017 “profetizou” este quadro, no programa prolongamento da Zimbo, quando disse algo como: “ em 2018, o efeito da crise será maior e somente três equipas estarão em condições de andar pelo próprio pé, que são: o 1º de Agosto, o Inter e o Libolo, entre aspas”
Segundo, o dirigente dos sambilas, na realidade, somente os militares do rio seco e o Inter de Luanda, estarão em condições de realizar um Girabola de forma tranquila, por terem uma forma de patrocínio que dificilmente falha: descontos nos salários dos efectivos dos ramos que representam…





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