Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Efeitos da crise econmica (II)

31 de Maio, 2018
A semana passada terminei o artigo dizendo que em função do conhecimento que tinha da situação económica do país, Paixão Júnior, presidente do Progresso do Sambizanga, avisou que em 2018 só três equipas, a saber: o 1º de Agosto, Inter de Luanda e o Libolo, entre aspas podiam estar em condições de fazer um campeonato tranquilo.
Na realidade, ele acabou por reduzir para dois o número de clubes que podiam estar em condições de fazer um Girabola em 2018, sem sobressaltos: Inter e 1º de Agosto, em função da forma como os dois clubes conseguem os seus patrocínios, que é quase infalível.
Assim, em função do que vemos no presente campeonato, não restam dúvidas que de facto a crise económica condiciona a maior parte das equipas do Girabola, que já viu desistir o JGM do Huambo.
Se até 2017, o Libolo era considerada a terceira potência do futebol angolano, atrás do Petro de Luanda e do 1º de Agosto, hoje, a equipa de Calulu está praticamente com as calças na mão, depois de perder Rui Campos, que em minha opinião, era um de seus maiores activos e mais de 80 ou 90 por cento dos seus melhores jogadores.
Sem Rui Campos, que foi um dos grandes arquitectos dos êxitos do Recreativo do Libolo, no Girabola, onde até à presente data ganhou quatro campeonatos em dez anos (?) e com os cofres vazios, os libolenses fazem das tripas coração para se aguentarem no Girabola. Mesmo assim, não evitaram uma derrota caseira diante do Cuando Cubango Futebol Clube.
A equipa dos 11 Bravos do Maquis já experimentou a vergonha da despromoção da Divisão maior do futebol nacional, faz o que pode para não voltar a perder a dignidade que já conquistou, a nível do nosso Girabola.
O 1º de Maio de Benguela, mesmo antes da crise, já era o “decano dos economicamente fracos”, ainda vai se aguentando.Todavia, a qualquer momento o Maio pode vir a público dizer que não tem mais condições para prosseguir.
Outros clubes suspeitos, e que podem ser colocados na lista dos “economicamente fracos”, são: o Sporting de Cabinda, o Domant do Bengo, o Cuando Cubango e até mesmo a Académica do Lobito.
A crise está a afectar até algumas selecções nacionais. Uma delas, a de sub-17 em Futsal, foi praticamente impedida pelo Minjud de chegar à fase final dos Jogos Olímpicos da Juventude que a Argentina de Messi e Maradona vai organizar em Outubro do corrente ano.
Se a memória não me atraiçoa, parece ser a primeira vez na história do desporto angolano que uma selecção ou seja que o Minjud, não se empenha para qualificar uma selecção que tinha uma soberana oportunidade de fazê-lo.
De volta à nossa atenção para os efeitos efeitos da crise sobre o Basquetebol, o desnível entre o 1º de Agosto e o Petro de Luanda, pelo menos até chegarem às meias finais, foi tão abismal que em dez jogos entre si, os militares ganharam nove e perderam um!
Agora, vamos esperar para ver o que vai acontecer nos próximos jogos que faltam, depois dos tricolores terem perdido o primeiro jogo, por 87 – 73, no Pavilhão Vitorino Cunha. Pelo que tudo indica, a equipa de Paulo Macedo, tem tudo para ganhar o 40º campeonato nacional da bola ao cesto
É caso para dizer, que por causa da crise económica que o país está a viver nos últimos tempos, o desporto angolano perde alguma qualidade, pois, sabemos que sem um estímulo verdadeiro não se produzem grandes estrelas.
Portanto, espera-se que o 1º de Agosto e o Inter de Luanda façam um grande campeonato este ano a nível do futebol, e em outras modalidades que disputam os campeonatos nacionais, para justificarem os orçamentos que têm.
Futebolisticamente , o Inter de Luanda que durante boa parte do campeonato foi líder isolado campeonato, já foi ultrapassado pelo Petro de Luanda e 1º de Agosto, Contra factos não existem argumentos. A crise financeira é um facto, mas pode ser contornada. Ou não?
AUGUSTO FERNANDES

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