Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Efeitos das "chicotadas psicolgicas"

11 de Julho, 2015
As declarações ao Jornal dos Desportos, publicadas na edição do passado dia 03 (6ª feira), de João Paulo Arsénio (Túbia), que no início da presente época foi despedido do Recreativo da Caála, onde desempenhou as funções de adjunto de Bernardino Pedroto, que também conheceu idêntico destino, sobre as “chicotadas psicológicas” que acontecem nas competições angolanas, vieram colocar o “dedo na ferida” sobre a necessidade de haver maior ponderação por parte da maioria dos dirigentes dos clubes, cujo dirigismo deixa muito a desejar.

As “chicotadas psicológicas”, que em Angola acontecem à mão de semear, não deixam de constituir situações sensíveis, na maior parte dos casos, tratadas sem a devida ponderação e responsabilidade.

Longe de nós, a intenção de nos assumirmos como defensores de quem quer que seja, assim como donos absolutos da verdade, é justo reconhecer que independentemente da sua capacidade profissional nem sempre as entidades empregadoras se preocupam em criar as condições adequadas, que permitem aos treinadores transmitir aos atletas os seus conhecimentos nos termos da relação jurídico-laboral, nos quais constam alguns pressupostos a serem cumpridos pelas duas partes, no caso a direção do clube e o técnico.

Essas situações emperram a melhoria da qualidade que se pretende para o futebol, agora muito em voga, depois da conferência nacional que recentemente discutiu e analisou, em Luanda, assuntos relacionados com a modalidade e suas perspectivas de desenvolvimento, estão ligadas em parte, ao défice de mentalidade desportiva de dirigentes de alguns clubes. Esses elementos, devem envidar esforços no sentido de acompanharem a modernidade do dirigismo desportivo, para não perderem o “comboio”.

Como entender, por exemplo, o facto de Elias José, presidente do Atlético Sport Aviação (ASA), um dos mais tradicionais clubes de Angola, cuja história se confunde com o desenvolvimento desportivo nacional, ter solicitado, por intermédio do Jornal dos Desportos, aos atletas da sua equipa de futebol aquando da realização da 13ª jornada do Girabola, que envidassem esforços no sentido de “perderem com o Kabuskorp do Palanca por apenas 0-1”, depois de na jornada anterior, o ASA ter sido desfeiteado (5-0) pelo 1º de Agosto? O que dizer dos dirigentes dos clubes cujas equipas de futebol chegam a trocar de treinador, mais do que uma vez, ainda com a mais importante competição futebolística nacional a preencher a sua primeira volta?

Nunca é demais recordar que a maioria dos despedimentos de treinadores, surgem em função de tomadas de decisões unilaterais, por via de um exercício de dirigismo desportivo, sobretudo, por presidentes de clubes, quando o que a dignidade e a civilidade aconselham, a exemplo do que ocorre nos diferentes pontos do globo, a dissolução do vínculo contratual deve acontecer em comum acordo, como consequência do diálogo entre as partes.

Não são poucos os casos, em que os treinadores despedidos sem desvinculação, se debatem com entraves para serem contratados por outros clubes, dado que tal acção passa a constar no seu currículo individual, para não esquecer o “sufoco” financeiro pelo qual muitos passam para sustentarem os seus agregados, uma vez que são chefes de família. Também é verdade que a permanência do técnico na equipa, para além de manter o mesmo estilo de jogo, consolida a forma de treino, o que faz com que dificilmente se alterem sistemas de jogo.
Leonel Libório

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