Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Efervescncia no futebol

25 de Novembro, 2016
As águas na maré do futebol estão agitadas. Terminou a época, mas a compita prossegue, havendo apenas a diferença de esta desenrolar fora das quatro linhas que delimitam o rectângulo de jogo. A escolha do substituto de Pedro Neto polariza as atenções, abre noticiários na media e enche conversas no taxi e noutros lugares onde se acham homens entendidos no jogo da bola.

Ontem mesmo foi dada como aberta nos termos oficiais a campanha que há-de envolver os três candidatos numa encarniçada batalha à caça do voto. Até 17 de Dezembro, dia das grandes decisões, muita água vai correr de baixo da ponte. Entretanto, mais do que toda fanfarra que se faz em torno deste processo, é de extrema importância reconhecer a ousadia dos candidatos.

Afinal entregar-se ao desafio de pôr ordem numa casa aos frangalhos, só pode ser missão para homens de fibra, destemidos e de barba rija. Pior seria resignar-se. Vai daí devemos dar mérito a Artur de Almeida, a José Luís Prata e a Osvaldo Saturnino de Oliveira. Sendo verdade que as coisas não se endireitam sozinhas seria um holocausto não aparecer homens que se rendam à missão de salvação.

Senhores do futebol, que já andaram, cada um ao seu tempo, pelos corredores da FAF, podem ser de facto os homens certos para o sopro de vitalidade de que carece o futebol nacional, dependendo a escolha dos associados que vão tratar de avaliar sobre que programa de candidatura interessa para os desafios que se colocam à modalidade no próximo quadriénio.

Nas vestes de formador de opinião é desaconselhável tomar partido. A mim conforta o facto de conhecer perfeitamente os três candidatos. Qualquer um deles já colocou a sua pedra nos alicerces do nosso oco edifício futebolístico, carente hoje de um trabalho de restauro que lhe confira maior solidez e maior estabilidade. Espero bem que aquele que merecer o voto de confiança faça este trabalho.

Atrevendo-me a um Raio X dos candidatos, diria que José Luís Prata é alguém que no dirigismo desportivo caminha com os pés firmes no chão. Pode ser acusado de alguma truculência por alguns, é um tipo de homem que mata a cobra e mostra o pau. Os da minha geração, que estavam na casa dos 20 anos quando Angola escancarou pela primeira vez as portas de um CAN saberão lhe reconhecer os feitos.

Se lhe reconhece também alguma sagacidade na abertura de portas, assim como uma certa influência na praça futebolística africana e não só. Parecendo coisa de somenos importância pode porém jogar papel de relevo para quem se arrogue ao direito de gerir os destinos futebolístico de um país que já tem no currículo presença numa fase final do campeonato do mundo.

Artur de Almeida, que emerge do Vitória do Sambizanga, lá nos confins da Rua do Lobito, ao São Paulo, é alguém com uma forte propensão à promoção do futebol jovem. Mas não esgotam nisso as suas virtudes. Consta que no pleito anterior exibiu um programa com linhas de força melhores que do adversário com quem viria a perder. Terá pago pela falta de um padrinho na cozinha.

Pode não ser um mau presidente caso os associados apostem nele. É também alguém que pode abrir portas e trazer dinheiros para a federação, bastando, para o efeito se fazer rodear de bons tecnocratas para levar o barco a bom porto. Mas, à partida, deixo aqui sublinhado não se trata de uma tarefa fácil. Porque quem entrar hoje na FAF terá por missão dar um outro impulso ao futebol, tirá-lo do marasmo em que se encontra.

Nem José Luís Prata, nem Artur de Almeida como atleta chegou ao nível daquilo que foi o "nosso" Jesus. Resta saber se como dirigente será a mesma estrela cintilante. Há muito entregou-se ao dirigismo desportivo, e a FAF sempre foi o seu poiso. Acusam-lhe o facto de ser continuador de uma direcção de triste fama, mas talvez isto não lhe retire o favoritismo. Vamos aguardar para ver. Aliás, se a humanidade foi salva por Jesus pode ser que o futebol também aguarde por ele...
Matias Adriano

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