Jornal dos Desportos

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Opinio

Eleies no basquetebol desgosto do 1 de Agosto

21 de Fevereiro, 2017
Para além de outros tantos motivos desportivos, o fim de semana ficou marcado pela realização das eleições na Federação Angolana de Basquetebol e o jogo da segunda mão da primeira eliminatória de acesso à fase de grupos da Taça dos Clubes campeões africanos, em que o representante de Angola foi o 1º de Agosto.

Comecemos, pois, com a bola ao cesto, cujo destino dos próximos quatro anos foi confiado à direcção comandada por Hélder Cruz "Maneda", na sequência do pleito eleitoral realizado no último sábado, com vantagem sobre a lista B, de Paulo Madeira, por expressivos 16-9.

Caso estivéssemos a falar de um jogo de futebol não teríamos nenhum problema em considerar o resultado como uma copiosa goleada ou, se preferirmos, um resultado atípico, atendendo que nos dias que correm, tal diferença de golos tem poucas probabilidades de ocorrer.

Todavia, como o assunto é eleições, preferimos olhar para as melhores notas a retirar do pleito pelo que, de princípio, saudamos o pronunciamento do mandatário da lista classificada na segunda posição que, de pronto, após a divulgação dos resultados finais, afirmou que "apesar da derrota, estão dispostos a contribuir para o desenvolvimento da modalidade e ajudar a nova direcção da federação, sempre que necessário". Carlos Calongo


Saúda-se também a forma como decorreu o processo eleitoral, o que de facto denota um verdadeiro exercício democrático que, aliás, foi sempre apanágio do mosaico desportivo angolano que tem tradição nestas coisas de eleições muito mais pautadas que certas instituições da sociedade civil, independentemente da área de actuação.

De nossa parte e por aquilo que conhecemos do projecto da direção ora eleita, ressurge a esperança colectiva do resgate da mística do basquetebol angolano, muito para além do que acontece na quadra de jogo em que somos os mais titulados do continente africano e, por isso, devemos manter o respeito à todos os níveis, pelo que bem haja Maneda e colaboradores, tudo para a honra e glória da modalidade.

Mudando de assunto, em direcção ao rei futebol, sobretudo no que tange à vitória do 1 de Agosto frente ao Kampala City do Uganda, a referência primária nos remete para o sentimento de frustração que a esta hora estará a caracterizar a trincheira militar por não conseguirem a passagem à segunda eliminatória rumo à fase de grupos, como era objectivo primário.

Como se diz na gíria desportiva, "os militares morreram na praia", pois os números da vitória foram insuficientes para lograr os intentos dos atletas, treinadores, direcção, sócios, adeptos e simpatizantes, que viram sempre a luz da esperança no fundo do túnel, em função do resultado da primeira mão que era passível de alteração.

Assim não aconteceu e frustrou-se, mais uma vez, o sonho da "nação agostina", que teve o apoio do público que compareceu em número reduzido para apoiar a equipa que, diga-se de passagem, ainda não atingiu os níveis competitivos desejáveis às aspirações e grandeza do clube.

Por esta razão, talvez estaríamos a ser demasiados exigentes se cobrássemos muito mais do que nos foi dado a ver, até porque ainda é notável a ausência de automatismos, o que é compreensível a considerar o facto de ter sido o terceiro jogo oficial dos militares, em 2017.

Ainda assim foi possível notar o voluntarismo de Isaac, a garra e determinação de Bobo, para além da sempre disponibilidade de Bwá em maravilhar os adeptos com a sua elevada qualidade técnica natural no trato da bola com a intimidade que se lhe reconhece, apesar de não chegar para as encomendas.

Vira-se assim mais uma página da história dos militares, infelizmente sem a glória esperada em relação à competição africana em que, faz tempo, os representantes angolanos deixaram de ser referências intimidatórias para os adversários, numa clara alteração do quadro, que já foi melhor.

Consumado que está o fracasso militar, as baterias viram-se agora exclusivamente para a competição interna, mormente o Girabola ZAP e a Taça de Angola, onde os objectivos são, unicamente, os da conquista dos correspondentes troféus, pelo que desejamos boa sorte aos pupilos de Dragan Jovic.

Porém, no fim de semana do desgosto do D'agosto também houve Girabola, e uma das notas salientes prende-se com a vitória do Recreativo do Libolo frente ao Atlético Petróleos de Luanda, facto inédito considerando que, a jogar em casa, a equipa do Kwanza Sul nunca havia derrotado o oponente.

Com tal feito, alterou-se o rumo da história que levava oito anos, e para além de ser ainda muito cedo, parece ficar no ar a imagem de que Vaz Pinto engrena de uma vez por todas na sua "aventura" no Girabola do qual já não é nenhum desconhecido.

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