Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Eleies em contagem decrescente

15 de Dezembro, 2016
Ao longo dos anos, desde que comecei a acompanhar o futebol, a tentar entender ou perceber alguma coisa deste mundo, cheguei à conclusão que efectivamente não está ao alcance de qualquer um, seja ele jogador, treinador, sendo ainda muito mais complicado e mais difícil quando a tarefa se resume, em ser dirigente.

Será que alguém, com pelo menos e no mínimo três dedos de inteligência, por mais habilitado que esteja para o desempenho de qualquer das funções atrás mencionadas (jogador, treinador e dirigente) consegue entender este mundo estranho, complexo, complicado e cheio de mistérios, que circunda ao seu redor?

Vem esta opinião à propósito das eleições na Federação Angolana de Futebol, que se realizam no sábado dia 17. Um acto que mexe com os amantes do desporto - rei, principalmente, em função das promessas que os três candidatos fazem à massa votante, ao longo das campanhas eleitorais.

O futebol, culturalmente valorizado como a modalidade que mais atenção mediática se dá e a que estão afectos significativos recursos financeiros quando comparados às outras praticadas no País, parece-me ser, enquanto leigo absoluto no assunto, uma fonte de contradições significativa em várias matérias.
Policarpo da Rosa

Os três candidatos ao cadeirão do órgão reitor do futebol nacional esgrimiram durante o périplo que fizeram às províncias do país, uma série de promessas, umas realizáveis e outras não.

Pessoalmente, considero que o dirigente desportivo é o que participa na administração de clubes, Associações e Federações de associações desportivas. Para dizer que tanto o candidato da Lista A, Artur de Almeida, da Lista B, José Luís Prata e da C, Osvaldo Saturnino, têm tudo para vencerem as eleições. Contudo, resta saber se os seus programas foram ou vão de encontro à massa votante.

Numa perspectiva de longo prazo, a prosperidade de uma Associação, desportiva ou não, depende da competência daqueles que a lideram, porque todas as acções de qualquer líder (decisões acertadas ou sublimes disparates) condicionam em grande medida o futuro.

Se for considerada a hipótese, de que num qualquer momento, da hereditariedade apresentar-se como condição única para determinar a “escolha” de um líder, a sua inteligência deixa de ser uma condição necessária, os riscos de “escolher-se” um líder incompetente, aumentam.

Neste sentido, a competência pode ser entendida como um constructo que engloba diferentes traços de personalidade, habilidades e conhecimentos.
Todos estes pressupostos vão ser visíveis no sábado, onde a massa votante, independentemente das promessas feitas pelos candidatos, vão avaliar a capacidade de cada um e decidir quem de facto deve liderar a Federação Angolana de Futebol, no próximo quadriénio.

De acordo com a Comissão Eleitoral, as eleições no órgão reitor do futebol nacional obedecem aos princípios da democracia interna, da liberdade de candidatura, do pluralismo de opiniões, da não ingerência de instâncias governamentais e do carácter secreto do sufrágio.

No sábado é dia de votar; é dia de exercer a democracia, o que torna o acto ainda mais vivo, relevante e essencial. O mundo da bola parece um mundo à parte da sociedade, como se fosse algo desfasado do sistema, onde só existem relvados, jogadores, golos, adeptos. Mas, não é assim.
O futebol é uma criação do homem, que vive em sociedade. O futebol dialoga com a política quando se discute a organização, regulamentos e os poderes das Associações a elas ligadas, daí, a importância deste acto eleitoral.

Faço um apelo às partes interessadas, para que mantenham um ambiente propício à realização de eleições pacíficas e confiáveis, de acordo com o espírito do código de conduta que norteiam os três candidatos e integrantes das respectivas listas.
Todos ansiamos que as eleições de sábado sejam o corolário do anseio de todos os amantes do desporto rei, que a lista vencedora tire o futebol do marasmo em que se encontra.

Por último, quer se goste ou quer não, conclui-se que cada vez mais são algumas competências não técnicas que diferenciam as boas organizações, sejam elas ligadas ou não ao desporto. Competências que podem ser treinadas, formadas, e acima de tudo, porque muitos dos dirigentes que integram as três listas, as colocaram em prática enquanto atletas, treinadores ou árbitros.
Até para a semana.

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