Jornal dos Desportos

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Opinio

Eles dignificaram o pas

01 de Fevereiro, 2018
A semana passada foi marcante para o desporto Angolano em especial para o futebol e o andebol, depois das excelentes prestações de ambas selecções nacionais no Can das modalidades em causa disputadas no Gabão, isto em andebol e no Reino dos Marrocos, em futebol.
Para alguns a classificação dos nossos representantes nos referidos certames não é digna de elogios e muito menos de satisfação, porque para eles somente os campeões devem ser elogios ou glorificados.
Porque se não vejamos: a selecção nacional de andebol, classificou-se na terceira posição do Can da modalidade realizado nas terras de Omar Bongó. Por isso, na opinião deles não há motivos para satisfação. Os Palancas Negras, chegaram aos quartos de final e nada mais. Para os detractores da nossa selecção, chegar aos quartos de final não foi novidade nenhuma porque já o fizemos por duas vezes em Can que até é uma competição muito superior o Chan.
Além do mais para eles, os detractores, os Palancas Negras aproveitaram-se do facto de as demais selecções do nosso grupo como os Camarões e o Burquina Faso, não se terem apresentado no máximo da sua força mesmo falando de jogadores que actuam nos seus respectivos campeonatos nacionais.
É verdade que cada um é livre de fazer o seu juízo de valor em função do que a sua massa cinzenta lhe permite observar e temos que respeitar este direito que cada um tem. Entretanto, respeitar o direito que cada um tem em fazer as suas análises, não significa fechar os olhos a certas verdades em função do contexto de cada situação.
Tem se dito: não se pode fazer nada contra a verdade somente a favor dela. Isto implica dizer que a verdade não pode se ignorada só porque alguém tem o seu ponto de vista. Porque se assim fosse não existiria justiça. Já imaginou como seria o mundo sem justiça?
Falando dos Palancas Negras, em função do que foi dito e visto pela maioria dos críticos do nosso futebol e não só depois do seu afastamento dos quartos de finais, diante da Nigéria, só podemos dizer o seguinte: os nossos jogadores foram com uma e voltaram com outra mentalidade desportiva.
Nos últimos anos, quando o assunto fosse Palancas Negras, quase ninguém com excepção dos membros da FAF e daqueles mais próximos da selecção nacional (entenda-se os que se beneficiavam com as actividades dos Palancas) é que acreditavam neles.
Ao analisarmos aquela equipa que disputou os jogos da campanha que culminou com a qualificação do onze angolano para o Chan do Marrocos, todos nós vimos uma grande transformação na mentalidade dos jogadores
Até antes do jogo contra os Camarões, no Chan dos Marrocos, dava pena ver os nosso jogadores jogarem mesmo em casa. Ficávamos com a impressão que os nossos jogadores e a maior parte deles esteve presente no Chan, não entendiam rigorosamente nada sobre futebol, embora nos seus clubes davam o ar de sua graça….
A verdade é que mesmo com menos de trinta dias de preparação, com um novo treinador e com todas as dificuldades que normalmente caracterizam a preparação da nossa selecção, o onze angolano teve uma atitude que surpreendeu a todos.
Não tenho receio em afirmar que o grande arquitecto da postura digna dos nosso jogadores foi o treinador Vaseljevic que conseguiu inculcar na mente dos jogadores que eles tinham muito potencial escondido e que o poderiam exteriorizar naquela competição continental.
Assim, vimos uma equipa com personalidade e que sabia o que devia fazer dentro das quatro linhas, uma equipa que mesmo sem grande níveis técnicos valeu pelo conjunto aguerrido que há muito não víamos nos Palancas Negras.
Com uma nova mentalidade formatada em pleno Chan, a nossa equipa vergou os Leões indomáveis e só não engaiolaram as Super Águias, porque na hora “H” como soe-se dizer os nosso rapazes não acreditaram, porque depois do golo de Vá, Mano Calesso e Fofó tiveram as soberanas oportunidades para sentenciar o jogo a nosso favor.
O fato de os Camarões e a Nigéria, terem levado equipas Sub-23, não retira o mérito dos nossos jogadores atendendo a diferença de níveis em termos condições, organização, posição no Ranking e o peso que estas duas selecções ostenta a nível de África. Depois deste Can, já podemos olhar para o Can dos Camarões em 2019 com outros olhos. Com o “mago” Vaseljevic, no comando técnico, acredito que os Palancas Negras, têm tudo para chegar ao referido Can e fazer grande figura.
Podemos considerar que os Palancas Negras resgataram a honra do nosso futebol que há muito andava perdida e têm uma identidade. Antigos jogadores como Dinis (brinca na areia), Ndunguidi, Garcia, Lourenço, Jesus, Salviano, Lúcio, Sarmento e outros já se podem rever nesta seleção.
Com relação ao sete nacional, também temos todos os motivos de orgulho pela sua brilhante prestação especialmente depois daquele soberbo jogo contra a Argélia, pois há muito não víamos a nossa equipa jogar com garra e determinação. Por isso nem mesmo a pesada derrota diante da campeã, Tunísia, retira o mérito do sete angolano ao conquistar pela segunda vez consecutiva o terceiro lugar o que lhe da direito de jogar o próximo mundial da modalidade.
Não podemos nos esquecer de felicitar o nosso treinador Filipe Cruz pela grande capacidade que teve em orientar os nosso rapazes para a brilhante prestação que tiveram no recém terminado Can que se disputou na Republica do Gabão. Assim só nos resta dizer aos bravos rapazes dos Palancas Negras e do Andebol: vocês dignificaram o país. Assim é que é.
Augusto Fernandes

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