Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Elevao da bandeira e do orgulho nacional

28 de Agosto, 2017
“Hoje escrevemos nós” é a rubrica a que nos propusemos, a partir desta segunda-feira, passar a colocar neste espaço de opinião. Um espaço em que regresso depois de há algum tempo partilhar também a coluna “A duas mãos”, com Policarpo da Rosa, ex-director deste título e, a meu ver, dos mais consagrados jornalistas desportivos do país.
Na rubrica “Hoje escrevemos nós” passarei a fazer dueto, salvo por alguma situação de força maior, com um velho companheiro como o Morais Canâmua e a quem reconheço também um grande tributo a este ofício e particularmente a este título desportivo.

Abrimos as \"hostilidades\" desta coluna, falando do resgate da mística do desporto em Angola. Isto numa fase em que o país e todos os filhos desta grande e belíssima Nação acabam de testemunhar um momento ímpar, com a realização, na semana finda, de mais umas eleições gerais no seu solo-pátrio e que consagraram um novo Chefe Estado.

Refiro-me a João Lourenço, que após liderar a campanha do MPLA ganhou o pleito com mais de 60 por cento dos votos e tendo agora a árdua tarefa de conduzir a Nação, que herda o grande legado de um político com o carisma de José Eduardo dos Santos.

Enquanto Presidente da República de Angola e Titular do Poder Executivo, Dos Santos abraçou sempre causas nobres, entres estas o desporto, em que a nível do país sempre emprestou, nos momentos mais sublimes, a sua experiência, sobretudo como ex-atleta.Devo dizer que neste processo, que marca o quarto pleito eleitoral da história do país, depois dos realizados em 1992, 2008 e 2012, os angolanos deram grande exemplo de cidadania e maturidade, não fosse a forma ordeira e tranquila como ocorreu o mesmo.

A mesma maturidade e exemplo de determinação Angola tem vindo a demonstrar no campo desportivo, desde que a Nação atingiu a sua soberania, com a conquista da Independência Nacional a 11 de Novembro de 1975, e ao cabo destes 15 anos de paz. Por esse facto o país continua a afirmar-se, com a conquista de vários feitos de relevo a nível das diferentes modalidades desportivas, destacando-se, entre outras, o futebol. No desporto-rei assinalámos presenças memoráveis nos Mundiais de Sub-20, realizado na Argentina, em 2001, num ano em que Angola conquistou igualmente o Campeonato Africano das Nações da categoria, na Etiópia, e de Honras, na Alemanha, em 2006.

E Angola provou, assim, ser de facto, a nível continental, um país de vanguarda e trincheira firme da revolução em África. A nível dos Campeonatos Africanos das Nações (CAN), depois da estreia em 1996, na África do Sul, sob liderança do malogrado Carlos Alhinho, Angola marcou ainda presenças nas edições de 1998 (Burkina Faso), 2006 (Egipto), 2008 (Ghana), 2010 (na qualidade de organizador), 2012 (Gabão e Guiné Equatorial), 2013 (África do Sul) e em 2015 (Guiné Equatorial).

Em 13 edições da montra do futebol africano nesse perído os Palancas Negras falharam quatro, em 2000 (Mali), 2004 (Tunísia), 2015 (Guiné Equatorial) e 2017 (Gabão).Os feitos de relevo não se restringiram ao futebol. No basquetebol, andebol, atletismo e isto só para citar alguns exemplos, a elevação da bandeira e do orgulho nacional dos nossos concidadãos também estiveram firmes ao longo destes de afirmação.

No basquetebol, a selecção sénior masculina detém a hegemonia no continente, tendo onze troféus e depois de subir pela primeira ao pódio de um Afrobasket em 1989.Nota ainda de relevo para alguns títulos continentais conquistados a nível dos outros escalões, assim como os dois troféus africanos que as nossas senhoras lograram atingir.

No mosaico desportivo feminino angolano é relevante destacar os 12 troféus que país obteve nos africanos de andebol, que permite assumir a hegemonia continental.Angola detém ainda em África a hegemonia do hóquei em patins em masculinos, tendo participado em vários Mundiais, com realce para o que ocorreu no país em 2013.A nível do desporto paralímpico, destacamos o campeão mundial José Sayovo, que conquistou em Atenas, Grécia, em 2004, medalhas de ouro nos 100, 200 e 400 metros.

No rol de troféus do mais medalhado atleta paralímpico do país constam ainda recordes a nível dos 400 metros no Mundial de 2002, no Canadá, assim como medalhas de ouro nos 100 e 400, bem como de prata nos 200 metros, nos Jogos Panafricanos de Abuja.O elevar da bandeira e do orgulho nacional no campo desportivo deveu-se, em grande escala, às políticas gizadas pelo nosso Executivo, sabiamente liderado por um Estadista da dimensão de José Eduardo dos Santos, que, sempre apoiou a causa desporto no país.
E no trilho da era que país há-de atravessar espera-se, efectivamente, que Angola mantenha em alta a fasquia do desporto, a nível das diferentes modalidades.

João Manuel Gonçalves Lourenço, ao assumir as vestes de mais alto mandatário da Nação tem esta ingente responsabilidade de conduzir Angola a este desiderato, que, como se disse atrás, herdara um grande legado de José Eduardo dos Santos, que curiosamente completa neste 28 de Agosto, 75 anos de vida.

Durante a campanha que o conduziu ao cargo de Chefe de Estado, manteve um encontro com desportistas e outras figuras do sector, onde assegurou que o programa do MPLA de governação prevê atingir, até 2022, cifras consideráveis e atletas de alta competição. Lourenço rendera, também, na ocasião, uma merecida homenagem a Dos Santos, por ter sido um dos maiores impulsionadores da prática desportiva no país.
SÉRGIO V.DIAS

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