Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Elias Jos viste como?

25 de Janeiro, 2018
Não sou adepto do ASA, aliás, já deve ser do conhecimento geral, não escondo o cheiro a petróleo do sangue que me corre nas veias. Hoje, o ASA é assunto porque ficou, está, ou vai ficar órfão de presidente. Se é que teve mesmo! Elias José, que andou sentado no \"cockpit\", ejectou-se, ou pretende fazê-lo, depois de colocar a aeronave em voo rasante durante pouco mais de cinco anos, que durou o seu consulado. O, agora, demissionário, pode ter seus motivos, como os que dizem alegar. Podem colher suas justificações, mas não deixa de ser revoltante, até para um ninguém em termos de ASA, como eu, que acompanho o desenrolar do nosso desporto e já fui dolorosamente golpeado, quando se consumou a descida de divisão, inédita, do ASA.
De inédito em inédito, agora vamos ter vaga na presidência do clube aviador. Só que, Elias José deixa uma cadeira impregnada com o \"feijão maluco\". Ninguém ou poucos querem sentar-se na cadeira de presidente do ASA. É pouco apetecível, tanto, que nem mesmo o Elias se envolveria nas tramas, com brigas judiciais à mistura, se lhe apresentassem um quadro igual ao que deixa no clube.
Quando falo de trama, alguns devem estar lembrados de que Manuela Oliveira tinha sido eleita e, até, empossada na presidência do clube. Lançou mãos ao seu projecto de revitalização, quando uma providencia cautelar lhe fez parar, até ser desalojada da direcção do clube.
A providência cautelar tinha sido interposta pelos sócios David Mavinga, Cesário Ebo, Miguel José, José Miguel, Domingos de Sousa e José Bumba, que alegaram irregularidades no processo eleitoral que levou à presidência do clube a primeira mulher.
No processo Nº 0017/012-H, os requerentes apontaram o facto de Domingos Sebastião ter sido nomeado pelo presidente do Conselho de Administração da Taag para presidir à mesa da assembleia-geral de uma suposta lista, presidida por Nadir Ferreira, que, no entanto, não chegou a apresentar-se ao pleito. Também o facto de as eleições estarem marcadas para 27 de Abril e terem sido realizadas um dia depois, por iniciativa da Comissão Eleitoral.
O grupo de associados invocou a existência de mais de 2000 sócios no clube e a participação de apenas 19 no pleito eleitoral, argumentos considerados bastantes pelo tribunal para ordenar a direcção de Manuela Oliveira de abster-se de praticar actos referentes à gestão do clube.
O Elenco de Zeca Venâncio, que cessara o mandato, foi então chamado a dar continuidade aos actos de gestão do clube. Até que se realizaram novas eleições das quais Elias José se sagrou vencedor, depois de concorrer sozinho.
Os mais de 2000 sócios invocados antes não apareceram, 44 participaram na votação. Cesário Ebo foi catapultado à vice-presidência e outro reivindicador, José Bumba, foi premiado como secretário-geral.
Em Outubro de 2016, Elias José apresentou-se à corrida para um segundo mandato e venceu, após segunda volta diante de Manuel de Almeida, um antigo futebolista do clube.
A nova gestão foi uma continuidade do desgaste da imagem do clube que acabou por baixar de divisão no futebol, a sua principal cara. O trabalho no sentido de dar dignidade e estabilidade ao ASA, hoje é uma mera promessa não cumprida.
Elias José diz-se adoentado e incapaz de continuar na gestão de um clube que tem oito meses de salários por pagar.
O recurso ao linguajar popular, no título, a perguntar ao presidente demissionário é no sentido de saber quem se responsabiliza pelas consequências dos actos assumidos pela gestão de Elias José. Sai assim, by, by, mais nada!?
Silca Cacuti

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