Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Em Angola marketing integra o desporto?

18 de Dezembro, 2017
Acredito que o título deste artigo pode e deverá abrir um precedente em termos de debate porque isto não ver as coisas como se dos dois lados da mesma moeda se tratasse!
É muito mais do que isso, porque as diferenças no marketing entre os países estão directamente relacionadas com o desenvolvimento competitivo em cada sector e com as especificidades culturais de cada povo.
E falando das especificidades culturais de cada povo, a título de exemplo, em Angola a música está muito presente na vida das pessoas e o desporto também, por isso deveria ser naturalíssimo que o marketing a integrasse!
Mas, infelizmente, como sabemos todos, não é isso o que acontece e tampouco é o que se vai vendo na nossa realidade, para não referenciar no nosso dia a dia, muitos mais pelas razões subjectivas e objectivas que apresentarei em seguida, do que propriamente pelas razões conjunturais muitas vezes evocada por muitos que fingem não saber da coisa!
De forma subjectiva, enumero as razões relacionadas com a dimensão do país e o tão aguardado e desejado desenvolvimento que precisa chegar as províncias, municipalidades e localidades.
Esta questão do desenvolvimento sustentável que vai tardando em chegar aos 1.246.700 km2 de superfície terrestre de Angola faz com que as marcas não consigam levar a sua mensagem fora de Luanda e dos grandes centros, com o objectivo de comunicar, de forma mais directa, com o consumidor, o que se aplica, quer na divulgação de produtos e serviços, quer na comunicação corporativa.
Já em relação aos aspectos mais objectivo, o marketing integrado no desporto deveria centrar-se mais na emoção e paixão que as pessoas nutrem pelo desporto do que nas necessidades do mercado.
Embora eu defenda e pense que no marketing é erro fatal virar as \"costas\" ao mercado e às apetências e preferências dos consumidores do referido mercado!
E é, justamente, este, o erro fatal que os clubes e federações desportivas vão cometendo de forma recorrente, sendo que nos próximos anos será dificílimo haver afirmação de marcas desportivas nacionais, quer a nível local, regional, continental e mundial, por não haver uma plataforma, uma estratégia planeada e definida de marketing, que promova os seus maiores activos destas instituições ao ponto de as mesmas gerarem meios e fontes de subsistência económico – financeiros.
É bem verdade que, nesta questão de levar com que o marketing integre o desporto nacional, não se deverá embarcar numa aventura de colocar a carroça a frente dos bois, nem imitar tal como está sendo em outras realidades.
Mas se continuarmos a arranjar mais desculpas, para não aproveitar e explorar o marketing de forma profissionalizada e personalizada até ao \"tutano\", pelo facto de não termos dinheiro, recursos humanos, técnicos, logísticos e administrativos ou porque as coisas estão desorganizadas, nunca, mas nunca mesmo iremos integrar o marketing no desporto nacional, nem que a vaca tussa, matando assim à nascença aquilo que é a promoção do melhor activo ou património dos clubes e federações!
Planear e executar estrategicamente o marketing desportivo dá muito trabalho. Aliás o marketing não simplifica, não diminui, não automatiza o trabalho de ninguém. Aumenta no sentido de procurar alcançar a excelência em termos de conteúdo, imagem, valorização, notoriedade e assim por diante!
Mas no final, o resultado recompensa, porque é muito dinheiro que se vai ganhar, ou como se tem dito na gíria popular, aquilo só vai ser \"tambular e conferir\"!
* Mentor e gestor executivo do fórum marketing desportivo
Nzongo Bernardo dos Santos *

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