Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Em busca da qualificao

15 de Março, 2018
O futebol angolano está a reerguer-se das “cinzas”, depois de um período negro que começou logo após à ida ao Mundial da Alemanha em 2006, onde diga-se de passagem, fizemos boa figura, ao lado de selecções cotadas como Portugal e México.
Nem mesmo o facto do país ter organizado o CAN em 2010, com o objectivo supremo de vencê-lo, foi suficiente para impedir a queda que há muito se previa, pois, avisos não faltaram de que a qualquer momento o nosso futebol ia passar por maus momentos.
Aliás, o fracasso no CAN\' 2010 acelerou ainda mais a queda, pois, a partir dai, o nosso futebol nunca mais se reencontrou quer a nível de clubes como das selecções nacionais até agora. Entretanto, existem bons sinais de recuperação.
Embora, muitos não concordem, em minha modesta opinião a postura dos Palancas Negras no CHAN de Marrocos deste ano foi o indicativo de que as coisas podem mudar, ou seja, estão a mudar.
Por outro lado, o comportamento das duas equipas angolanas nas Afrotaças, no caso o 1º de Agosto que procura um lugar na fase de grupo da Liga dos Campeões e do Petro na Taça Nelson Mandela, inspiram-nos alguma confiança de que estamos no bom caminho, com sinal mais para os militares.
Ao eliminar a equipa Zimbabueana com os contundentes 3- 0, em Luanda e 2-1, no reduto do adversário, o 1º de Agosto tem grandes possibilidades de passar pelo Bidvest Wits, da África do Sul, depois de vencer em casa por 1-0.
A minha crença, na passagem dos militares para a fase de grupos, não reside no facto dos rapazes de Zoran Macki, terem vencido o jogo da primeira não na quarta feira, mas a forma espectacular como os militares estão a jogar.
Quem viu o jogo do 1º de Agosto na quarta-feira com os Sul - Africanos, não tem dúvida que a equipa angolana está a patentear um futebol de nível técnico e de impôr respeito à qualquer adversário no continente, e não só.
A equipa tem atitude, confiança e tem um volume de jogo ofensivo letal, como vimos no jogo com o Kabuscorp do Palanca, para a 5ª jornada do Girabola, com vitória convincente de 3-1, quando o resultado final podia ser muito mais elevado. Foi uma clara demonstração de que os militares atravessam um de seus melhores momentos da sua história.
Jogadores como, Neblu, Isaque, Massunguna, Geraldo, Show, Ibukun, Mungo, Jacques e companhia, faz-nos lembrar o 1º de Agosto do tempo de Ângelo, Lourenço, Mateus César, Chimalanga, Garcia, Amândio, Zeca, Ndunguidi, Alves, Nsuka e outros, que fizeram do clube militar o gigante que é hoje no futebol angolano, podem muito bem superar os Sul Africanos, em sua casa.
Para que o objectivo não falhe, o 1º de Agosto, tem de jogar de peito aberto, do primeiro ao ultimo minuto, visto que os Sul-africanos só têm uma solução para ganharem a eliminatória: jogar aberto e a todo vapor. Queremos acreditar que os militares do rio seco usem todo “arsenal” à disposição para eliminarem o Bidvest Wits.
Por outro lado, o nosso Petro de Luanda está com a missão mais complicada, depois do nulo no Estádio 11 de Novembro jogo a contar para a primeira mão com o Super Spor United, também da África do Sul que nos mostrou ser uma equipa madura e fisicamente forte, embora em minha opinião, os Petrolíferos podiam ter feito mais, em termos de exibição.
Assim, ao Petro de Luanda resta um caminho para passar a eliminatória: jogar com o espírito do “perdido por um, perdido por mil”, assim, como fez o Petro em 1983, com Jesus, Chico Afonso, Bodu, Haia, Lufemba, Laica e outros, que depois de um empate também a zero, em Luanda, foi aos Camarões com o mesmo espírito e pôs em sentido o então todo poderoso Canon de Yaoundé, com Nkono, Abegá, Kundé, Onana e outros.
O Petro de Luanda fez um super jogo e o Canon de Yaoundé só livrou-se da derrota em pleno Estádio Amadou Aidjó, porque o árbitro Mbaya, da então República do Zaire, comportou-se como o décimo segundo jogador dos Camaroneses, e a escassos minutos do fim da partida “fabricou” uma grande penalidade contra o Petro, quando se registava uma igualdade a duas bolas.
A exibição do Petro de Luanda, na época orientada tecnicamente pelo brasileiro António Clemente foi tão marcante, que passados 35 anos a geração que viu aquele brilharete do Petro, quando se encontra com um turista angolano no seu país, ainda pergunta por Jesus, que foi o grande senhor do jogo.
Portanto, se os jogadores daquela geração contarem episódios como este, aos rapazes de Beto Bianchi de certeza absoluta que lhes pode infundir um espírito guerreiro, que contribua para que Job, Azulão e outros regressem ao país, com a eliminatória a seu favor.
Entretanto, um dos grandes problemas do futebol africano e que contribui muito para o fracasso das equipas angolanas nas Afrotaças, segundo muitos dirigentes dos nossos clubes, é o jogo fora das quatro linhas e que normalmente tem como protagonistas, os dirigentes de clubes e os homens do apito.
Diz-se que só se cai uma vez no mesmo buraco. Até, é compreensível que se caia duas vezes. Entretanto, cair várias vezes no mesmo buraco ou armadilha, é um forte indicativo de que o indivíduo tem graves problemas. É um frouxo, vazio, um saco de pancadas e inútil. Por isso, não está qualificado para competir.
Isto implica dizer, que as nossas equipas aprenderam o suficiente, e é inconcebível que nesta altura do campeonato choraminguem e culpem os árbitros pelos insucessos. Para cada doença, o seu remédio. Temos de ter posturas que dissuadam os adversários a recorrerem a jogo de bastidores para nos prejudicarem.
Não nos esqueçamos da selecção nacional de Futsal em Sub 18, que está a 80 minutos dos jogos Olímpicos da Juventude que se vão realizar em Buenos Ares, Argentina, em Outubro do corrente ano. Só precisam de apoios para eliminar o adversário que se chama Egipto.
Portanto, queremos acreditar que se os nossos três representantes nas competições acima referenciadas forem muito bem apoiados, vão qualificar-se para as fases seguintes para orgulho de todos os amantes do futebol nacional.
AUGUSTO FERNANDES

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